Eixo com vibração excessiva ou mancal apresentando desgaste precocemente? Pode ser que o problema esteja no alinhamento do eixo cardan. Confira e previna-se.

O alinhamento correto do eixo cardan é vital para a vida útil da transmissão. Quando o alinhamento do cardan está fora dos ângulos recomendados, o veículo sofre com a variação da velocidade angular.
Isso ocorre pelo fato de as cruzetas não conseguirem compensar a inclinação incorreta. Assim, o eixo deixa de girar de forma constante, acelerando e desacelerando várias vezes a cada volta.
Isso gerará uma série de falhas mecânicas e sintomas perceptíveis, tais como:
Vibração na cabine – Sintoma mais clássico. Uma vibração intensa que aumenta progressivamente com a velocidade do veículo ou em faixas específicas de RPM. Ela pode ser sentida no assoalho, nos bancos e na alavanca do câmbio.
Ruídos anormais: Zumbidos agudos, estalos ao arrancar ou engatar marchas, e barulhos metálicos intermitentes vindos da parte de baixo do veículo.
Perda de eficiência: Pode ocorrer queda no rendimento do motor e aumento no consumo de combustível devido ao esforço extra para vencer o atrito e a resistência mecânica gerados pelo desalinhamento.

Vazamento de óleo: A oscilação excessiva do eixo danifica os retentores da saída do câmbio e da entrada do diferencial, causando perda de lubrificante.
Folga e quebra de rolamentos: O rolamento do pinhão (no diferencial) e o rolamento da saída da transmissão sofrem sobrecarga direta, desenvolvendo folgas severas e folga axial.
Quebra de componentes – Situações críticas de desalinhamento podem ocasionar danos estruturais e mecânicos, tais como a destruição das cruzetas. O desalinhamento força os roletes de agulha internos da cruzeta além do limite, gerando superaquecimento, quebra do componente e travamento.
Rompimento do eixo (falha catastrófica): Em casos extremos e negligenciados, a fadiga do material faz com que o tubo do cardan ou as orelhas do garfo se rompam com o veículo em movimento, o que pode causar acidentes e danos graves.
Conferindo o ângulo de inclinação
A medição deve ser feita com o veículo em sua altura de operação (pneus calibrados e peso normal de trabalho).
Com a ajuda de um goniômetro com base magnética (ferramenta que mede os ângulos operacionais do cardan no veículo, também conhecido como inclinômetro), meça a saída da transmissão:
- Posicione o aparelho na vertical do flange de saída do câmbio e anote o ângulo (Ex: 4°).
- Meça o tubo do cardan: Coloque o inclinômetro no corpo do tubo do cardan e anote o valor (Ex: 1°).
- Meça a entrada do diferencial: Posicione o aparelho no flange de entrada do diferencial (Ex: 4°).
- Calcule os ângulos operacionais, usando a fórmula a seguir:
- Ângulo dianteiro = Ângulo do câmbio – Ângulo do tubo.
- Ângulo traseiro = Ângulo do diferencial – Ângulo do tubo.
- A regra para conferir o alinhamento é: Os ângulos operacionais dianteiro e traseiro devem ser iguais ou diferir no máximo em 1° (ângulo dianteiro – ângulo traseiro). Eles devem ter idealmente entre 1° e 3° para garantir a lubrificação das cruzetas.
Riscos do desalinhamento (ângulos incorretos)
Se o valor encontrado estiver acima dos recomendados (entre um grau e três graus, ou seja, ângulos fora da especificação), isso alterará a velocidade angular do eixo, gerando forças nocivas e ser a causa dos sintomas relatados acima.
Como corrigir os ângulos e prevenir problemas
A correção consiste em realinhar os componentes para equalizar os ângulos de trabalho. Após uma análise criteriosa da origem do desalinhamento, existem procedimentos específicos para cada caso, conforme segue:
- Calços no diferencial: Em veículos com feixe de molas, use calços em cunha entre a mola e o eixo para rotacionar o diferencial para cima ou para baixo.
- Ajuste dos braços de ligação: Em suspensões com braços oscilantes (Link), regule o comprimento dos braços para corrigir o ângulo do pinhão.
- Calços no suporte da transmissão: Adicione ou remova calços no coxim traseiro do câmbio para alterar sua inclinação vertical.
- Ajuste do rolamento intermediário: Em cardans bipartidos, suba ou desça o suporte do rolamento central utilizando arruelas ou calços espaçadores.
Atenção: Após as correções, nunca se esqueça de conferir novamente os ângulos de inclinação do cardan. Siga as etapas descritas anteriormente e verifique se a diferença entre os ângulos de trabalho está dentro dos parâmetros especificados (entre 1º e 3º).
No portal Universo Dana existem diversos conteúdos técnicos orientando sobre os procedimentos para conferência dos ângulos de inclinação do cardan e as rotinas de correção do problema.
Seguem dois links retirados das abas “Dana Explica” e “Ache Fácil Dana” .

