Lula visita estande da Dana no Salão do Automóvel para ver Fittipaldi FD 01 restaurado

Lula é o segundo presidente brasileiro atraído por uma ação do programa Dana Cultural

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o estande da Dana, no Salão do Automóvel 2004, em São Paulo, atraído pela exposição do Fittipaldi FD 01. Primeiro e único carro de Fórmula 1 construído no Brasil, em 1974, pelos irmãos Fittipaldi, o veículo acaba de ser restaurado com patrocínio da Dana.

Acompanhado pelo governador de Estado, Geraldo Alckmin, e pelo vice-prefeito da cidade em exercício, Hélio Bicudo, o presidente Lula fez a abertura oficial da 23ª edição do evento, que acontece na capital paulistana até o dia 31 de outubro. Durante seu passeio pelo salão, Lula fez sua primeira parada no estande da Dana, após falar para uma platéia formada basicamente por executivos das montadoras e dirigentes empresariais.

Não foi a primeira vez que a Dana conseguiu atrair a atenção de um presidente da República por meio do seu projeto cultural. Em 1999, a empresa chegou pela primeira vez até a mesa da autoridade máxima da nação, ao entregar às mãos do então presidente Fernando Henrique Cardoso um exemplar de um livro sobre o mais famoso cangaceiro do Brasil, parte do projeto Lampião, uma viagem pelo cangaço, patrocinado Dana.

SINTONIA – No discurso de abertura do Salão do Automóvel 2004, o presidente Lula disse que o Brasil precisa mostrar para o mundo que não produz apenas produtos agrícolas, mas também de alta tecnologia. O estande da Dana está em perfeita sintonia com a fala do presidente, pois o FD 01 é uma prova concreta desta capacidade nacional. Construído no Brasil no início da década de 70, o veículo se tornou um marco do automobilismo mundial, pois foi o primeiro e único carro de Fórmula 1 fabricado fora da Europa e dos Estados Unidos. E se tornou o primeiro construído pela equipe Fittipaldi, que durante oito temporadas na Fórmula 1 conquistou um segundo lugar, dois terceiros, cinco quartos, quatro quintos e sete sextos, somando 44 pontos. Na época, foi mais do que muitas equipes famosas, como a Williams, que antes do patrocínio dos árabes precisou de dez anos para chegar a 46 pontos, apenas dois além da equipe brasileira.

Esta façanha nacional também foi um marco na indústria automotiva do país. O sistema de tração do primeiro carro de Fórmula 1 da equipe Fittipaldi foi desenvolvido pela então Albarus, hoje Dana. Em um encontro com Hugo Ferreira, atual presidente da empresa e, na época, gerente da antiga unidade Albarus de Santo Amaro (SP), Wilson Fittipaldi Jr. apresentou uma proposta desafiadora: precisava de um fornecedor de semi-eixos para um carro com um motor de 480 hp de potência e pneus de 20 polegadas.

“O primeiro passo foi, obviamente, procurar a empresa líder. Para nossa sorte, a Dana se entusiasmou com o projeto”, diz Wilson Fittipaldi Jr.. Mesmo com grande experiência em soluções de tração e juntas universais, a operação brasileira da Dana se deparou com algo novo. Foi preciso superar as severas limitações de espaço e peso pois, para se adequar ao projeto, cada semi-eixo deveria ter, no máximo, seis quilos.

Outro desafio era o arrasto provocado pela combinação entre potência do motor, diferencial blocante e largura dos pneus. O valor chegava a ser 10 vezes maior do que o verificado em grandes carros da época, como o Galaxie. Em uma combinação de técnica e criatividade, os engenheiros da empresa projetaram um sistema de tração com alta resistência e performance a partir das cruzetas e de outros componentes do eixo cardan da pick-up Ford F-100 (série Spicer 1330). Os semi-eixos Albarus Spicer acompanharam toda a trajetória do projeto FD 01, disputando 15 provas na Fórmula 1.

“Nunca tínhamos projetado componentes para competição no Brasil e nossa primeira experiência foi logo com um Fórmula 1. Tivemos que desenvolver uma solução de alta performance e resistência dentro de severas limitações. Mas com o talento da nossa equipe superamos as dificuldades e tivemos o orgulho de ver o nosso produto no topo do automobilismo mundial”, afirma Hugo Ferreira.