Valmir

Nunes

38 anos de dedicação à Dana fizeram Valmir Nunes ter muitas histórias para contar. Memórias de aprendizado, amizade e muito companheirismo que ele gosta de relatar com um sorriso no rosto. “Se eu tivesse que começar tudo de novo, faria a mesma coisa – para mim, tudo foi um grande aprendizado”, diz.

Valmir conta que, quando entrou na Albarus, havia acabado de sair do quartel para prestar o serviço militar obrigatório, e estava buscando uma oportunidade de trabalho. Um tio de Valmir, João de Medeiros Nunes, trabalhava na Albarus desde 1971. Em 1973, ele começaria sua carreira na empresa no Tratamento Térmico. “Era ‘boca braba’, não tinha nada a ver comigo”, relata.

Não era bem o que Valmir queria – mas era a vaga que havia naquela época. Ele queria ir para a fábrica, e ficou de olho em uma oportunidade de mudar de setor. “O Marciano Skieresji era chefe do meu tio e disse que queria que eu fosse trabalhar com ele”. Um mês depois, Valmir iria trabalhar nos tornos TCA, com Marciano, Diogo Haro, Antônio Plentz

Um ano depois, ele saiu para trabalhar com um amigo, mas o projeto acabou não dando certo. Logo, estaria de volta à Albarus. Valmir voltou em 1976, como preparador de máquinas, Nesta época, foi dada a largada para que a fábrica de embreagens começasse a funcionar, e Cláudio Vasconcellos (mais conhecido como “Cláudio Coxinha”) convidou-o para trocar de posição na empresa e assumir esta nova fábrica – “a menina dos olhos do Paulo Regner”, lembra Valmir.

Naquela época, Valmir conta que o trabalho na fábrica era puxado, mas sempre alegre. “A gente trabalhava cantando, éramos felizes por estar num ambiente bacana de trabalho”, relata, “hoje, é tudo tão diferente!”. A amizade entre as pessoas da fábrica também era muito forte.

Em 74, foi inaugurada a fábrica de juntas homocinéticas, e uma equipe foi convocada para ajudar. “Ás duas da tarde, terminava nosso turno da fábrica, mas saíamos para ligar as máquinas da ATH porque não tinha gente suficiente na nova fábrica para fazer isso”, lembra. “A gente trabalhava muito, muito, para fazer a fábrica de embreagens dar certo – mas era complicado este produto aqui no Brasil”, explica.

Valmir lembra também que fez muitos cursos pela empresa – em torno de 70 – e tem orgulho de ter participado da primeira turma de Agentes da Melhoria Contínua, desenvolvidas por Carmen Piccini dentro da empresa.

Em 1987, Valmir viajou para São Paulo a fim de ajudar na implantação da fábrica de embreagens por lá. De volta à Gravataí, trabalharia como encarregado de produção da Linha Pesada, na fábrica de cardans.

Em 1989, o engenheiro Marcelo Cota, hoje funcionário da GKN, sabia que Valmir tinha conhecimento de estamparia e precisava de alguém na Divisão de Elastômeros para trabalhar nisso. Valmir atuou também na engenharia, até 1993. “Quando eu estava saindo de férias, me chamaram porque estava chegando um caminhão repleto de máquinas e peças vindo de São Paulo”, conta. Quando Valmir foi conferir o que era, avisaram que ele ficaria responsável por aquela linha, recém-vinda de São Paulo: a montagem de cardan agrícola. “Foi uma correria imensa, tinha que montar a linha rápido e a produção não podia parar”, relata.

Em 1995, um novo desafio: a fábrica de embreagens estava retornando à Gravataí e Valmir foi escalado para cuidar da mudança – e da produção. A fábrica estava funcionando desde 1987 em Santo Amaro e depois em Sorocaba, e Valmir não esconde que, quando recebeu o convite de Benedito Santoro para ir à São Paulo, não ficou muito feliz. “Eu conhecia bem o problema que estava pegando, tinha trabalhado muitos anos na embreagem no início da carreira albariana, mas… Fazer o quê?”, ri, resignado. O gerente da fábrica em Gravataí era Paulo Granja, e Valmir era o remanescente daquele início da embreagem nos anos 70 e, como ele mesmo diz, “tinha o livro todo da embreagem na cabeça”. Seus colegas de engenharia eram Luiz Tettamanzy, Humberto Magno, César Paniz, e eles trabalhavam afinados com o pessoal da Qualidade.

Em 1998, Marcelo Hilgert pediu que Valmir fosse para São Paulo ajudar num processo de aquisição de uma nova fábrica, a Cinesc, que havia sido comprada de Joinville (SC) e transferida para Osasco (SP). De Gravataí, foram Valmir, Juarez Costa, Roberto Wolfart, e mais alguns colegas da antiga ATH para implantar a nova fábrica. “O Seu Santoro fazia o pós-venda, ficava dentro das montadoras, e a fábrica era de longarinas. Ele, às vezes, me levava junto nas visitas para ajudar a resolver problemas. Lembro que íamos para SP na segunda de manhã e só voltávamos para cá sexta de tarde. Assim, fiquei três meses”, relata.

Neste meio tempo, em 1998, a Dana vendeu a fábrica de embreagens. Em 1998, Paulo Granja foi montar a fábrica de Eixos Fora-de-Estrada em Cachoeirinha, com o Luiz Tettamanzy e o Marcos Bertinger. “Então, o Luiz me indicou para o Marcos Bertinger que me convidou para ir trabalhar com eles. Os caras eram gente fina pra caramba, deu muito certo”, conta. Valmir e o Jacli Feix ficaram encarregados de desenvolver a engenharia e processos, além da compra de todas as máquinas, dispositivos e ferramentais – ao mesmo tempo em que José Domingos Miotti tocava a obra da nova fábrica.

Em 2000, a fábrica foi inaugurada – o xodó de Valmir. No ano seguinte, a Dana vendeu a fábrica de Cachoeirinha para a Parks, que só aceitou o negócio ficando com o prédio novo. Resultado: a fábrica de Fora-de-Estrada teria que ser transferida para Gravataí. O local onde seria instalada? A antiga Matrizaria, ao lado da Forjaria.

A mudança da fábrica ficou a cargo de Valmir. “Eu já tinha feito uma loucura antes com o Granja, de transferir uma fábrica sem que estivesse totalmente concluída, e vi que o processo começou a se amarrar… Se eu tinha feito isso uma vez, ia repetir agora e começamos a desmontar os dispositivos, colocar em cima de caminhões e trazer para Gravataí”, conta. Com a ajuda de um colega de Engenharia de Processo, fizeram todo o desmanche e remontagem da fábrica em Gravataí, durante três meses.

Ficou até 2008 na Divisão de Eixos Fora-de-Estrada, coordenando a Manutenção, desenvolvimento de fornecedores e todo tipo de meio-de-campo dentro da fábrica. Depois, esta experiência com fornecedores levaria Valmir ao Compras, em 1998, para trabalhar no EQF – mais especificamente no desenvolvimento de qualidade de fornecedor. “Eu era ‘pau pra toda obra’ – um dia, estava na fábrica de eixos de fora-de-estrada e me chamavam para resolver um problema de estamparia em Diadema… Eu ia, né?”, ri. Valmir cuidou, nesta época do Compras, de estamparia, fundição, injeção de plásticos e ajudava no desenvolvimento de fornecedores.

De todos estes anos de fábrica, Valmir herdou diversos apelidos: “Pezão”, “Dedão”, “Menino Jesus”… A boa relação permitia estas brincadeiras. “O Miotti foi um pai pra mim – tive um problema familiar quando minha filha faleceu e ele me liberava sempre que eu precisava sair, ele tentava ressarcimento das consultas médicas quando não tinha esse plano de saúde como tem hoje. Eu trabalhava tanto também em gratidão a ele”, relata. “O Benedito Santoro me dava toda a liberdade para trabalhar, assim como o Paulo Granja, com quem trabalhei em duas épocas diferentes… Pessoas fantásticas”, relata.

Valmir se aposentou no dia 16 de junho de 2012, mas diz que foi tranquilo o processo porque “já estava preparado psicologicamente”. Montou sua própria empresa, a VN Serviços, e segue trabalhando até hoje.

Casado com Zaira desde 1983, com quem teve os filhos Janaína, já falecida, e Anderson, de 25 anos. Gosta de curtir sua casa na praia, em Arroio do Sal, e adora pescar. Sobre sua carreira longa na empresa, é taxativo: “tudo valeu à pena. Foi um eterno aprendizado, eu mais aprendi do que ensinei. Lembro só das coisas boas e, se tivesse que começar tudo de novo, do zero, o faria com muita alegria”, diz, com o entusiasmo juvenil de quem ama o que faz.

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“Tudo valeu à pena. Foi um eterno aprendizado, eu mais aprendi do que ensinei. Lembro só das coisas boas e, se tivesse que começar tudo de novo, do zero, o faria com muita alegria.”