Roberto

Garcia Haro

Ele é filho de um albariano que fez história na empresa, Diogo Haro, e construiu sua carreira na Dana com muito trabalho e começando como estagiário dentro da Forjaria. Roberto Garcia Haro é de uma família de mecânicos – todos seus irmãos trabalham com isso – e de uma paixão incomum pela indústria automobilística.

Ele cresceu vendo o pai dedicar-se incansavelmente à então Albarus, e convivia bastante com os colegas do pai, que estavam sempre “por casa”, como Helmuth Baumgarten, Nadir Krás, Enir Leal e Luiz Carlos Santos. Ainda adolescente, Roberto foi cursar Escola Técnica Parobé e, logo, ingressaria como estagiário na empresa. “Minha escola era o meu pai, Diogo, e estes colegas que citei acima, e comecei minha carreira na Albarus em 16 de janeiro de 1973”, afirma. Ele lembra ainda de trabalhar com outras pessoas que lhe ensinaram muito, como Antônio Plentz, Levi Brum, Marcelino Perlott, Tito Livio Goron, Paulo Regner, Zeca Bohrer… Roberto lembra, aos risos, que era bastante cabeludo e, ao entrar na empresa, ganhou um macacão e rumou à Forjaria para estagiar operando máquinas. “Fiquei lá durante seis meses aprendendo – e, todo final de mês, eu tinha que fazer um relatório do meu trabalho. Na minha primeira semana, lembro um calorão lá dentro, as prensas eram à martelo, aquelas rebarbadoras antigas, os fornos.. E tinha muita fuligem, todo mundo que trabalhava ali ficava impregnado, pena que não tenho fotos desta época ”, relata. Depois desta primeira semana, passou para a Matrizaria, para trabalhar com Nilo Rodrigues e, mais uma semana depois, foi para dentro da fábrica, operando as máquinas de cada uma das linhas: garfo, luva, ponteira…

Passados estes primeiros meses, Roberto foi escalado para ser uma espécie de secretário de Marcelino Perlott na produção. Perlott, nessa época, era Gerente de Manufatura, e Roberto ficou um ano ocupando a função de ajudante. “Ali, aprendi com todos eles – os problemas de produção, as discussões, as vitórias… E comecei a me apaixonar pela coisa”, ri. Gostou tanto que iniciou nesta época a faculdade de Engenharia de Produção, na PUC.

Roberto lembra que Benedito Santoro veio para Porto Alegre, nesta época, para trabalhar na Qualidade, oriundo da fábrica de São Paulo. “O engenheiro Pedroza, que ocupava a posição antes do Santoro, havia me incentivado a aprender mais sobre estatística porque viu que eu gostava de números. O Otávio Palmas era meu supervisor e começou a me ensinar bastante e incentivar, e comecei nessa área”, relata. Seus colegas? Cláudio Xavier, Gilberto Rosa, Mário Ferreira… “Já conhecia bem mais de produto nessa época, e me realocaram para o Laboratório Metalúrgico nessa época, para atuar com o Francisco Costa”, lembra.

Mas, logo, começaria o “fenômeno ATH” em sua vida, com a chegada do grupo que tinha ido à Alemanha para instalar a Albarus Transmissões Homocinéticas, que viria a ser um sucesso estrondoso dentro da empresa. Roberto foi trabalhar lá em 1978, com o seguinte time: Victor Pinto Vieira como diretor, mais Edgar Albarus, Johann Limbacher, Luis Carlos Lauer, Byron Matissek. Sua função? Estudar e desenvolver a capabilidade de máquinas. “Como tínhamos muitos projetos novos entrando, era puxado. E também comecei a trabalhar com Dispositivos, uma área em que eu tinha aprendido muito com meus gurus Helmuth, Byron e Nadir e foi a primeira vez que fui promovido a Lider de Qualidade desta linha, na ATH”, detalha.

Depois disso, foi promovido a Chefe de Departamento, e lembra de muito trabalho nesta época. “Quando conquistamos a Renault, foi um projeto que envolvia Bolívia, Colômbia, toda a América do Sul… Foi uma loucura”, afirma. Depois de dois anos, o Edelmar Litke achou que estava na hora de Roberto voltar para dentro da fábrica, trabalhando na produção. Ele, então, procurou Byron Matissek, que lhe chamou para ser Supervisor de Produção na linha da Montagem. “Aí, desenvolvemos um trabalho muito bonito – eu era meio troglodita, o sangue espanhol me subia bastante, tinha meus rompantes e seu Byron e o Dr. Luiz Manoel Rodrigues me ajudaram muito nesse aspecto. O Dr. Luiz dizia: ‘tu és igual ao teu pai, mas ele eu não consigo mais arrumar’”, ri.

Roberto diz que a Montagem, naquela época, era manual, e com certeza seria considerada arcaica nos dias de alta tecnologia de hoje. A equipe de produção era Sérgio Oliveira, Sérgio Costa, Fábio Braga, João Francisco Ramires e, junto deste time, Roberto teve uma nova etapa de muito aprendizado e trabalho. “Eu tinha 100 pessoas que trabalhavam comigo nesta época, que eu admiti em 1986, e tinha uma gurizada muito jovem ali. O falecido Caxias me dizia sempre que, um dia, a gurizada ia me deixar na mão… Um dia, a turma não apareceu pra trabalhar e peguei todo mundo em casa”, lembra, aos risos.

Ao todo, Roberto permaneceu 18 anos nesta função. “Em 1986, começou um grande movimento de treinamento da empresa para driblarmos a crise, e iniciamos treinamento de CEP, Mertrologia, estatística… Todo mundo foi pra sala de aula, era muito bom nesse aspecto”, comenta, “tudo iniciativa do Regner, ele tinha muita visão”.

Pouco depois, Roberto foi escalado para ficar no segundo turno da Montagem. Permaneceu por 4 anos como Supervisor de Produção deste horário, em parceria com Raul Zachia. Raul cuidava mais da ponta de eixo, e Roberto, do restante da fábrica. Depois de mais dois anos sozinho no segundo turno, Roberto foi designado para trabalhar com Programação de Produção (também conhecido como PCP). “Na Montagem, eu fazia programação de produção na hora, mas no papel – passamos a usar o recém-criado software Excel e, durante 3 anos, trabalhei nisso”, conta.

Em seguida, Roberto diz que a empresa foi atingida por uma crise, e ele acabou sendo demitido – ficou, ao todo, 10 meses fora da companhia. “Quando terminou o décimo mês, voltei e fui para Charqueadas, a fábrica recém-construída, onde fui ser chefe de turno dentro da fábrica. Ali, fiquei 2 anos”, diz. Logo, veio o desafio de fazer parte de um projeto para a Fiat, em março de 98 – ele foi uma figura essencial para cuidar de toda a Qualidade deste fornecimento, e viajou para Betim (MG) para cuidar deste projeto, depois para a Mercedes, em Juiz de Fora (MG) e, posteriormente, para Curitiba, para trabalhar com a Volkswagen, Audi e Renault.

Depois desta longa jornada, Roberto voltou ao PCP em Porto Alegre. “Fui convidado para ir para São Paulo, e fiquei um pouco apreensivo. Fui me aconselhar com meu pai, que morava aqui perto, e ele disse pra eu me preparar que ia ser levado pra SP, a sorte estava lançada”, conta. E assim foi: durante 12 anos, ficou na capital paulista. “Foi muito bom – conheci muita gente, maneiras diferentes de trabalhar. Participei de projetos pra Ford, Honda, Toyota e foi de um grande aprendizado”, diz.

Hoje, Roberto está desenvolvendo um projeto de acessórios de carros com seus cunhados, que são todos mecânicos. Ele é casado com Clarice há 6 anos e, do primeiro casamento, tem uma filha, Janaína, e duas enteadas Carolina e Sabrina, do primeiro casamento de Clarice. Os dois, juntos, contabilizam sete netos: Laura, João, Giovana, Lucas, Pedro, Melissa, Victória.

Roberto Garcia Haro

“Quando fui Ajudante, aprendi com todos meus colegas e chefes – os problemas de produção, as discussões, as vitórias… E comecei a me apaixonar pela coisa”.