Paulo Justo

Matzenbacher

38 anos de empresa e uma dedicação fora do comum: Paulo Matzenbacher costuma dizer que a Dana foi seu primeiro e único amor. Começou como estagiário e terminou como Diretor Global de Suporte de Engenharia nos Estados Unidos, numa carreira cheia de desafios e muito trabalho. “75% da minha vida acordado eu passei na Dana, acho que 60% das pessoas que eu conheço e grande parte dos meus amigos são de lá”, resume ele.

Ele começou sua carreira na empresa em 1971, quando ainda era estudante de Engenharia na PUC/RS. “Eu morava em São Leopoldo, e vim para Porto Alegre para estudar – quando passava pela Assis Brasil, dava para se ver a fábrica da Albarus, e achava que devia ali seria um bom lugar para se trabalhar. Um dia, fui ate esta fábrica e perguntei para a recepcionista da empresa com quem eu devia falar para conseguir um estágio”, lembra. Ela, então, encaminhou Paulo para falar com Ennio Moura do Valle, a quem ele pediu uma oportunidade. Moura Valle disse que Paulo teria que fazer os exames psicotécnicos com as psicólogas da empresa, e depois eles conversariam novamente. “Lembro que, antes da admissão, fiz os exames médicos com o Dr. Luiz Manoel Rodrigues às sete horas da manhã de uma terça de Carnaval e ele escreveu na ficha: ‘sete horas da manhã de Carnaval, não me responsabilizo pelos resultados’”, conta ele, aos risos. Moura Valle lhe falou para começar a trabalhar, então.

Durante um ano, ficou na fábrica, absorvendo tudo o que podia. Estava no segundo ano da faculdade de Engenharia, e tinha um estágio de vinte e cinco horas semanais na empresa. “A empresa era completamente diferente do que é hoje, o pessoal ‘fazia chover’ lá dentro. Os mestres, nessa época, eram o Nadir Krás, o Cláudio ‘Coxinha’ Vasconcellos, o Diogo Haro, o Antônio ‘Chumbinho’ Plentz, o Helmuth Baumgarten e outros, eles gostavam de judiar da gurizada”, ri ele. Paulo diz que o pessoal que trabalhava lá, ‘vestia a camiseta’ da empresa e gostava muito do que fazia. Depois dessa primeira etapa, Paulo foi trabalhar como estagiário de Wolff Zwick, na Ferramentaria. “Quando o Wolff se aposentou, passei a ser o supervisor do setor”, conta.

Depois de muito trabalho, em 1978, ele foi convidado a ir para Toledo, nos Estados Unidos, para aprender tudo sobre caixa de câmbio para caminhões pesados – a Dana tinha interesse em fabricar o produto e ele ficou um ano e meio em Ohio aprendendo bastante sobre este processo produtivo. “Toledo foi um lugar em que fiz muitos amigos. Lembro do Chuck Jones, que era o Vice-Presidente de Engenharia da Divisão de Transmissão e, quando ele foi me buscar no aeroporto, dei um show no inglês: ele perguntou como eu estava e respondi ‘I’m broke’, querendo dizer que estava cansado da viagem – mas, em inglês, quer dizer que estava falido”, ri ele.

Paulo diz que se adaptou bem, como em todos os outros lugares em que esteve trabalhando pela empresa – Japão, Venezuela, Estados Unidos, Canadá, Tailândia. “Sempre acreditei que o trabalho era universal – o que mudava era a língua. Mas o trabalho era o mesmo”, esclarece, convicto.

Ele trabalhou por um ano e meio como estagiário na fábrica de caixa de câmbio e, quando voltou ao Brasil, a Dana Brasil decidiu não investir mais no negócio. Paulo, então, foi realocado para trabalhar como Chefe de Produção na fábrica de Cardans. Depois disso, foi promovido a Gerente de Manufatura da Divisão de Elastômeros, cargo que ocupou por 3 anos e, depois disso, foi Gerente de Manufatura da antiga Divisão de Cruzetas (na época, mais conhecida pela sigla DCR).

Outro período marcante para Paulo foi quando criaram a Divisão de Mecânica, composta de uma Ferramentaria de Alta Precisão em Porto Alegre – a ideia era que a empresa parasse de terceirizar a fabricação de dispositivos/calibradores – e também uma área de Reforma de Máquinas. Também foi o começo da preocupação da empresa em fazer e reformar nossas próprias máquinas”, diz. Ele lembra que, nesta época, foi formado um time para trabalhar nesta “ferramentaria de serviço mais refinado”, como ele mesmo diz, e na reforma e upgrade de máquinas antigas da empresa. O setor também era responsável pela construção de máquinas específicas e dedicadas a operações de usinagem dos diferentes produtos da empresa. Paulo ficou trabalhando com isso durante 5 anos.

Depois desta etapa, em 1990, aconteceu a mudança desta Ferramentaria especializada e Reforma de Máquinas para Gravataí, onde os setores se juntaram à Matrizaria, da Forjaria.

Em 1995, a Dana fez uma joint-venture com uma empresa catarinense para fabricar longarinas de caminhão. “Fui convidado, então, a ficar em Joinville – minha missão era implantar a cultura da Dana nesta empresa familiar, que tinha alguns conceitos bem diferentes dos nossos”, lembra Paulo. Até 1997, a empresa ainda ficou em Joinville, com Paulo como Gerente Geral, quando foi transferida para Osasco (SP).

Foi o início de uma fase completamente nova para a produção de longarinas na empresa, com mudanças significativas no processo de fabricação do produto, além de um trabalho enorme de recrutamento e treinamento de novos funcionários em Osasco. “Foi um trabalho enorme, e como eu tinha relativa experiência com longarinas, participei muito ativamente deste processo”, lembra.

Em seguida, a Dana iniciaria o fornecimento do rolling chassis para a Dakota (veículo da Chrysler), num projeto extremamente importante para a empresa. Paulo trabalhou muito neste projeto, que envolvia grandes questões de logística entre Osasco e Curitiba. Logo, ele foi chamado para trabalhar em um projeto de fornecimento para pick-ups da Ford.

Mas uma grande mudança em sua carreira ainda iria acontecer, conforme ele conta em seguida. “Como eu ia bastante aos Estados Unidos, me relacionei muito bem com o presidente da área em que eu trabalhava, o Mike Green, e perguntei se não teria uma oportunidade por lá”, conta. “Ele me disse para procurar o Bruce Butcher, também da Divisão de Produtos Estruturais, que me ofereceu a posição de Gerente de Projetos Internacionais para ficar nos Estados Unidos, em Redding, cuidando de projetos na Tailândia, Canadá e nos Estados Unidos”, afirma. Paulo conta que foi uma etapa de muito aprendizado – e, claro, muitas viagens à trabalho também.

Depois de quase 39 anos de empresa, Paulo percebeu que estava na hora de se aposentar, e o fez em 2010. “Eu me aposentei no meu último cargo, como Director of Global Engineering Support da Dana Structural Products”, explica. “Eu ainda não me sinto aposentado, às vezes parece que não ‘caiu a ficha’. A combinação Albarus, Albarus Dana e Dana foi uma escola, Fazendo um balanço de todo este tempo o saldo é positivo”, conclui.

Hoje, Paulo divide-se entre Porto Alegre e Florianópolis, onde mora sua filha Rita. Gosta de rever seus colegas da faculdade de Engenharia, que se encontram mensalmente mesmo 42 anos após o final da formatura.

Paulo Justo Matzenbacher

“Eu ainda não me sinto aposentado, às vezes parece que não ‘caiu a ficha’. A combinação Albarus, Albarus Dana e Dana foi uma escola, Fazendo um balanço de todo este tempo o saldo é positivo.”