Otávio Lucas

Palmas

Ele entrou na Albarus com 19 anos e ali encerrou sua carreira e diz, sem exageros: “minha vida foi toda dentro da empresa”. Na Albarus, Otávio Palmas diz ter encontrado sua escola, sua faculdade e até sua esposa. Durante 30 anos, foi albariano de peito e coração abertos e tem muito apego e carinho pela sua história profissional dentro da empresa.

Isso tudo começou em 1962 – nessa época, Otávio trabalhava numa agência de publicidade como desenhista e cursava o SENAI, mas o trabalho não era exatamente o que ele queria. Um colega de aula começou a trabalhar na Albarus, e comentou que havia uma vaga de desenhista mecânico na empresa. Otávio, mais do que depressa, preencheu a ficha – mas logo foi informado de que a vaga havia sido preenchida. “Mas me informaram que, com o meu perfil, tinha outra vaga que poderia servir: Inspetor de Qualidade, mas eu nem sabia se isso era de comer, de beber”, lembra, aos risos. Aceitou a proposta, e começou sua carreira em caráter experimental, trabalhando com Raimundo Castro. Começaria uma longa história de amor à Qualidade e à empresa.

Ele conta que a Albarus era uma fábrica muito menor do que é hoje, mas havia espaço para bons profissionais crescerem. “O Johann Limbacher foi uma das primeiras pessoas a acreditar em mim e, quando eu era Inspetor de Qualidade já há alguns anos, me deu a oportunidade de ser Líder do grupo de Qualidade na fábrica, em 1966. Eu era muito jovem, fiquei com receio porque tinha gente mais antiga que eu ali, mas aceitei de bom grado”, relata. Ele recorda esse tempo como de muito trabalho e alguma resistência por parte dos funcionários mais antigos, mas nada que seu jogo de cintura não resolvesse.

Três anos depois, uma nova direção na carreira: Otávio começaria a liderar o Laboratório Dimensional também, junto com o grupo de Qualidade da fábrica. Nessa época, ele recorda que surgiu a Divisão de Juntas Homocinéticas, e ele teve que ceder alguns inspetores de qualidade para a nova fábrica. “Lembro que o Limbacher foi pra a nova fábrica, e também o Gibrail Posenato, que também era líder como eu, e mais 4 inspetores de qualidade”, disse. Foi uma época de grande desenvolvimento para a Albarus e a equipe precisava unir forças para que a empresa crescesse, como de fato aconteceu.

Sua nova etapa de trabalho seria fora do ambiente que ele tanto ama: a fábrica: Otávio foi promovido a Supervisor do Controle de Qualidade em 1980. “Eu formei um grupo, então, dentro da fábrica, que era composto por gente de muita confiança, eu chamava-os de ‘meu braço direito’: o Cláudio Xavier, o Mário Ferreira, o Lauro Gonçalves… Seja para qual setor eu fosse, levava eles junto, sempre”, afirma. Depois disso, foi trabalhar na Engenharia de Produto em 1981, onde ficou pouco tempo – somente para resolver um problema que o setor enfrentava.

Quatro anos antes, em 77, a atual esposa de Otávio começou a trabalhar na Albarus, como secretária do engenheiro Jacques. Irene era uma jovem muito bonita, e Otávio encantou-se com ela. Os dois logo casaram-se e estão juntos até hoje, morando num sítio em Esteio (RS), e tem dois filhos: Gisele e Eduardo, e três netos: Victória, Camila e Guilherme. Quando Irene estava grávida do segundo filho, Otávio pediu que ela se mudasse com ele para Porto Alegre, para ficar mais perto da Albarus – os dois moravam em Esteio. Logo, porém, Otávio seria designado para trabalhar na fábrica de Gravataí, e acabaria tendo que fazer novamente um grande deslocamento para trabalhar.

Ele foi enviado para a nova fábrica, que enfrentava um problema de Qualidade na época, para ser também o Supervisor do Controle de Qualidade da fábrica. “Acabei resolvendo a questão, depois de muito trabalhar – lembro que, logo depois, o Marcelino Perlott havia assumido como Gerente de Divisão, e o Hilton Farina ficou como Gerente de Fábrica”, relata. Logo, viria uma nova promoção para Otávio: Chefe de Departamento de Produção e de Manutenção da fábrica, em 1986.

Essa mudança representou um grande desafio para o profissional, que nunca havia trabalhado nas duas áreas – ainda mais em cargo de chefia. “Foi muito difícil para mim este começo, porque o Controle de Qualidade e o Departamento de Produção sempre foram antagônicos: a Qualidade exigia controle e precisão na fabricação de peças, e isso significava muitas vezes parar a produção e as máquinas; ao passo que a produção precisa tirar peças de dentro da fábrica rapidamente e em grande escala”, explica. De início, foi complicado para ele lidar com essa diferença de mentalidade, mas acabou dando tudo certo.

Otávio orgulha-se ao contar que sempre foi conhecido na empresa como um chefe que dava oportunidade para as pessoas. “Era muito difícil eu demitir alguém: gostava de dar oportunidade e chance para todos crescerem na Albarus. Acabei sendo um formador de bons engenheiros na empresa, ao ponto de que o Paulo Regner definiu que todos os engenheiros que entrassem na empresa deveriam passar por mim. Isso me encheu de alegria e orgulho”, afirma.

Antes de encerrar sua carreira na Albarus, Otávio ainda passou pela Engenharia Avançada, trabalhando com Geraldo Encke. “Esse setor era bastante desafiador, vivíamos criando coisas novas, sempre de olho no futuro”, esclarece. Em 1991, ele passou a visitar fornecedores no Rio Grande do Sul, Santa Catarine e São Paulo, para certificar-se de que seriam aptos a atender a Dana. Um ano depois, aposentou-se. Para ele, foi tranquila esta transição – ele já era apaixonado por programação e informática e começou a trabalhar com isso, depois de sair da Dana.

Otávio orgulha-se de ter dado muita aula dentro da Dana – seja de Qualidade ou de Controle Estatístico de Qualidade (CEP), e também por ser o fundador da biblioteca dos Inspetores e do Jornal dos Inspetores também, iniciativas pioneiras na época. “Gosto de citar três pessoas que me ajudaram muito na minha carreira: Fábio Zanon, Alceu Albuquerque e Benedito Santoro, meus gerentes que me ajudaram a crescer dentro da empresa. A minha vida foi dentro da Albarus e posso dizer que foi a minha vida, sem exagerar”, conclui. “Quando penso em todos estes anos de trabalho, sinto alegria e orgulho, sem dúvida”.

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A minha vida foi dentro da Albarus e posso dizer que foi a minha vida, sem exagerar. Quando penso em todos estes anos de trabalho, sinto alegria e orgulho, sem dúvida.