Josef

Massinger

Nascido na Aldeia de Barszcowice, no estado de Kr Gemberg (Galícia), antigo território polonês e, hoje, russo, no dia 5 de julho de 1927, Massinger veio para o Brasil com seus pais e irmãos, chegando na cidade de Blumenau (SC) no dia 9 de maio de 1949.

In Memoriam ✩ 05/7/1927 ✝31/07/2014

Josef Massinger e sua família chegaram ao país 4 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, vindo de uma Alemanha destruída por um conflito que ele viu muito de perto. Aos 17 anos, Massinger serviu e lutou na guerra, e era conhecido por não gostar de relembrar de seus tempos difíceis de infância.

No dia 10 de março de 1950, Massinger mudou-se para Porto Alegre, onde se casaria com Renne Cecília Massinger nove anos depois – ela também era alemã e havia migrado para o Brasil um ano antes que ele, em 1948. Com ela, teve os filhos Bruno, Alberto e Marlene, dos quais sempre se orgulhou. Josef se empenhava em manter a família unida.

Conheceu a Albarus através de seu irmão, que estava procurando emprego de torneiro mecânico e viu a placa da empresa solicitando por vigilante. Ele, então, avisou Massinger, que candidatou-se à vaga.

No dia 30 de outubro de 1959, começou sua carreira como vigilante. Durante 16 anos, ele atuou na portaria da empresa, cuidando das pessoas e dos bens da Albarus com sua postura austera e, mesmo falando português com muito sotaque, se fazia entender e era até mesmo temido pelos colegas de empresa.

Em dezembro de 1975, passou para a função de Balanceiro, cargo que ocupou durante mais 10 anos. Sempre manteve-se trabalhando na Segurança Patrimonial, dentro da Divisão de Relações Industriais – como era chamada, na época.

Seu apelido na empresa era “Papa”, e ele cuidava cuidadosamente das plantas da Balança de caminhões, onde trabalhava. Das recordações que guardava com mais carinho, estava sua homenagem por 25 anos de serviço na Albarus, ocasião em que recebeu de presente da empresa um relógio de ouro, entregue pelo então presidente da companhia, Hugo Ferreira.

Mesmo depois de ter se aposentado pela Albarus, Massinger foi chamado para retornar à Divisão de Transmissões Homocinéticas (então chamada de Albarus Transmissões Hidráulicas), em fevereiro de 1995, também como balanceiro. “Estou muito contente de estar de volta, nunca pensei que seria chamado novamente depois de nove anos aposentado”, disse ao jornal interno O Pinhão, na edição de agosto de 1996.

Massinger tinha um ótimo relacionamento com os colegas na empresa. Sua alegria e conhecimento serviam de referência para muitas pessoas. Gostava muito de contar a história de sua vida – contanto que a época da infância não fosse mencionada -, deixando os ouvintes impressionados com sua memória. Era apaixonado por flores e, dentro do seu setor de trabalho, cultivava um pequeno jardim.

Depois de se aposentar, Massinger passou muito tempo cuidando de seu sítio em Gravataí, cercado da natureza que ele tanto amava, e também viajando para o litoral – ele adorava o mar, já que, durante alguns anos de sua vida, trabalhou como marinheiro.

Josef Massinger morreu aos 87 anos, em 31 de julho, em Porto Alegre. Sofreu um acidente vascular cerebral.

Confira algumas declarações dos colegas que conviveram com ele na Albarus/Dana:

“Me dava muito bem com ele. Quando voltei da Alemanha em 66, meu alemão estava afiado e conversávamos bastante. Ele falava um dialeto alemão, ele nasceu numa região que hoje é território ucraniano. Já depois de aposentado, ele era meu caroneiro para as jantas dos jubilados na Dana, junto com o Johann Wolfgang Limbacher. Quando ele tava em serviço, era um cara muito sério, mas fora do horário de trabalho, era muito brincalhão e conversador. Poucas vezes, ele falou sobre a Guerra”.   

Erni Carlos Koppe

“Naquele tempo, era tudo muito mais simples. Passei na Albarus e quem ficava na portaria era o já falecido Josef Massinger, polaco como eu. Perguntei pra ele se tinha trabalho ali e, quando ele viu meu sobrenome, me mandou direto pra dentro da empresa. Não fiz testes, entrevista, nada. A minha carteira de trabalho ainda estava na Companhia Geral de Indústrias e tive que ir buscá-la às pressas”.

Marciano Skierejsi

Josef Massinger

No dia 30 de outubro de 1959, começou sua carreira como vigilante. Durante 16 anos, ele atuou na portaria da empresa, cuidando das pessoas e dos bens da Albarus com sua postura austera e, mesmo falando português com muito sotaque, se fazia entender e era até mesmo temido pelos colegas de empresa.