José Roberto Mussinhatti

José Roberto

Mussinhatti

Calmo, cortês e extremamente hospitaleiro, o ex-analista de recursos humanos da Dana não quer encher a agenda de compromissos. Pretende apenas descansar e curtir um pouco a vida após 42 anos de dedicação ao trabalho

Após 42 anos de trabalho dedicados à Dana, José Roberto Mussinhatti não esquece a emoção de receber o primeiro salário na empresa. Aos 18 anos, vindo de Irapuã, no interior de São Paulo, Zé Roberto só tinha trabalhado como boia-fria e o pouco que ganhava mal dava para tomar um guaraná no fim de semana. “A vida era muito dura. A gente ia cedinho para a roça, almoçava a comida fria da marmita e só parava no fim da tarde. Chegava em casa tomava um banho e pedalava quatro quilômetros até a escola. Depois voltava naquela escuridão, às 11h da noite, com um medo danado de algo vir atrás da gente”, conta.

A ideia de tentar a vida em outra cidade surgiu porque o local onde morava não oferecia curso superior, além disso um conhecido da família já havia comentado sobre as oportunidades de emprego em Jundiaí. “Era uma época que a gente escolhia onde iria trabalhar. As empresas tinham aquela tabuleta na porta com várias vagas e assim que chegamos na cidade, eu, meu pai, minha mãe e meu irmão arrumamos emprego rapidamente.” Contratado como auxiliar de almoxarifado e segurança em agosto de 1977, Zé Roberto achou as tarefas do novo serviço bem mais fáceis do que o pesado trabalho no campo. Só precisou adiar o sonho de entrar na faculdade por conta dos três turnos de trabalho.

Após quatro meses no cargo, Zé Roberto foi transferido para a área de Relações Industriais, hoje chamada de Recursos Humanos, como apontador de cartão de ponto, setor em que ficou até sua saída da empresa em julho de 2019. Apesar de sua trajetória estar ligada a apenas um departamento, o trabalho não era nada monótono. A começar pelas constantes mudanças de legislação. “Toda hora tinha novidade na área trabalhista e a gente precisava passar por vários treinamentos para atender as novas demandas”, diz. Uma delas, inclusive, foi a questão previdenciária, que foi pouco a pouco sendo automatizada. “Anos atrás o INSS não tinha informação nenhuma sobre os funcionários. Quando ia dar entrada na aposentadoria, a gente levava os recolhimentos e eles lançavam na ficha do candidato. Um método totalmente aberto a erros e a fraudes.”

A chegada da informática mudou totalmente o modelo de trabalho do setor. Os cálculos de folha de pagamento e rescisões feitos manualmente ganharam sofisticadas planilhas eletrônicas. “Foi difícil acostumar, primeiro porque precisamos aprender a mexer nos computadores e depois porque os sistemas não eram tão sofisticados e precisos como agora. As primeiras planilhas que tive acesso eram do Lotus 1, 2 e 3. Só depois de alguns anos chegou o sistema Windows com o Excel”, detalha. Apesar dos reveses na hora do aprendizado, Zé Roberto lembra que ficava maravilhado ao ver a agilidade com que as operações eram feitas.

O hoje ex-analista de recursos humanos também lembra do trabalho reforçado nos momentos de troca de comando da empresa. “Cada mudança causava uma “revolução” na nossa área com a entrada e saída de funcionários, modificação nos procedimentos de trabalho, alterações de cargos e benefícios.” Dessas épocas de transição, Zé Roberto faz questão de frisar a atuação de três gestores fundamentais para o processo de aquisição pela Dana – dentro do programa de recuperação judicial, que é diferente – acontecer. “Fui testemunha do quanto o Paulo César Oliveira, o Roberto Borba e o Carlos Nabinger trabalharam para esse processo desse certo. A gente estava numa crise danada. Ou vendia as operações ou a empresa iria falir e todos nós estaríamos desempregados e sem pagamento”, frisa.

Artigo raro para a época, o telefone na casa de Zé Roberto era o mais puro sinal de prosperidade da família Mussinhatti. Com o pai Carlos, a mãe Maria da Conceição e o irmão Darli também trabalhando fora, rapidamente juntaram dinheiro para a casa própria. “Conseguimos sair do aluguel em apenas 10 meses. Ter um telefone, então, era luxo, só nós e mais um morador da rua tinha linha em casa. Lembro dos vizinhos virem em casa telefonar e no dia que chegava a conta voltavam para pagar a ligação, algo inimaginável nos dias de hoje”, descreve.

Assim que passou a trabalhar em horário comercial, o analista entrou na faculdade de direito da Unip, mas acabou saindo após alguns semestres por achar que não iria se dar bem na profissão. “Percebi que ser muito “bonzinho” não era uma característica apropriada para exercer a advocacia”, revela. Zé Roberto deu vazão a vontade de estudar fazendo um curso de desenho industrial na escola Duque de Caxias.

Nos últimos anos na Dana ficou responsável pela rescisão dos contratos de trabalho, uma área que exige grande jogo de cintura para fazer com que o relacionamento final da empresa com o funcionário seja o mais amistoso e honesto possível. “É um serviço que exige muita atenção porque qualquer divergência de dados pode resultar em um pagamento errado, mas os problemas eram poucos porque a Dana é uma empresa que honra com os seus compromissos e age de forma bem transparente”, atesta.

Olhando para trás, Zé Roberto fica extremamente feliz pela família ter deixado o trabalho no campo. “Tenho muito carinho e gratidão por tudo o que a Dana proporcionou na minha vida. Vejo muita gente falando que é preciso vestir a camisa da empresa, mas eu vou além e digo que não basta vestir a camisa, tem que tirá-la molhada de suor no fim do expediente.”

Apaixonado por aviões, Zé Roberto coleciona várias miniaturas e sempre que pode sai na rua para acompanhar a trajetória das aeronaves no céu. Solteiro e definitivamente aposentado, não quer mais ficar preso a atividades e horários e só decide o que vai fazer ao acordar pela manhã. “Não quero compromissos. Sai da empresa porque achei que era hora de dar oportunidade para quem é mais novo e também para aproveitar um pouco a vida depois de 42 anos de trabalho ininterrupto.” A única exceção será a inclusão de algumas pescarias com os amigos na agenda.

 

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“Tenho muito carinho e gratidão por tudo o que a Dana proporcionou na minha vida. Vejo muita gente falando que é preciso vestir a camisa da empresa, mas eu vou além e digo que não basta vestir a camisa, tem que tirá-la molhada de suor no fim do expediente.”

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