José Antônio

Alberti

Das lembranças que José Antônio Alberti traz da vida, grande parte está relacionada à empresa na qual trabalhou por três décadas. Passados dez anos de sua aposentadoria, ainda mantém fortes vínculos com os colegas de trabalho e com a própria Dana. Uma história sem data para terminar.

Para um acontecimento ganhar lugar de destaque na memória é preciso que venha carregado com boas doses de emoção. Exatamente o sentimento que José Antônio Alberti tem ao recordar das caminhadas diárias ao trabalho do pai para levar-lhe o almoço. “Acho que eu tinha uns sete anos. A empresa tinha refeitório, mas era um hábito naquela época as crianças levarem a refeição para os pais. Eu ficava sentado ao lado dele esperando terminar a comida e sentia um orgulho danado”, conta. Ainda criança, José mal sabia que os próximos e muitos anos de sua vida estariam conectados ao  mesmo lugar. Foi na forjaria de Jundiaí, adquirida pela Dana em 2016 e onde seu pai, José Benedito Alberti, trabalhou por 25 anos, que José iniciou os estudos. A escola ficava dentro da unidade e até hoje ele guarda lembranças do barulho das máquinas e de ver os funcionários trabalhando na serra e no martelo durante o recreio.

Ao entrar no oitavo ano mudou de escola por conta de um emprego em uma serralheria. Depois disso, cursou três anos no Senai nas áreas de mecânica e ferramentaria e ainda fez estágio em uma autopeças da região. Sua trajetória no ambiente fabril foi brevemente interrompida para servir ao exército, porém em 1984 José finalmente segue os passos do pai. Além do trabalho na mesma empresa, ele herdou o apelido. “Todo mundo me conhece por Piracaia, cidade da minha família e local do meu nascimento. Mas, na verdade, esse era o apelido do meu pai. Quando ele se aposentou, em 1987,automaticamente  passou pra mim”, conta.

Ao longo de sua carreira, José teve vários cargos e frequentou diferentes departamentos. Começou como inspetor de qualidade, trabalhando na Magnaflux, uma máquina verificadora de trincas em eixos e peças. Ficou um ano na função até conseguir uma vaga na matrizaria. “Apesar de ter feito Senai, a gente sai de lá praticamente sem experiência. Então, a profissão de ferramenteiro aprendi mesmo na prática, com a orientação dos líderes e em alguns treinamentos.”

A matrizaria foi o setor onde passou a maior parte da sua vida profissional e o local onde se sentia verdadeiramente em casa. Contudo, um problema na coluna o afastou do cargo que tanto gostava. “Naquela época não tinha tanta tecnologia e o trabalho exigia muito esforço físico. Depois com a chegada das máquinas por comando numérico computadorizado, o esforço foi bem reduzido e as matrizes já vinham praticamente zeradas. Atualmente está ainda melhor. Na visita à Dana vi que até a quantidade de máquinas diminui. Antes tinha uns 10 tornos, um monte de fresa. Hoje três ou quatro máquinas fazem o que a gente fazia e com mais rapidez”, explica.

Por conta da limitação física, José precisou ser transferido de área e assumiu o cargo de técnico em processos na engenharia. Um mundo completamente novo, principalmente para quem estava acostumado ao ritmo acelerado da produção. Ele era responsável por fazer as cópias dos desenhos técnicos das peças, uma função administrativa e que, apesar de simples, exigia aperfeiçoamentos constantes. “A área de impressão sofreu uma mudança radical durante os setes anos em que fiquei ali. Quando entrei, era tudo manual. A gente pegava as plantas em papel vegetal e fazia as cópias em sulfite usando produtos químicos. Depois vieram os computadores e posteriormente as impressoras plotter. A cada nova tecnologia, era preciso passar por treinamento”, observa.

Da engenharia, José foi transferido para a segurança, trabalhando como vigilante na portaria. A atividade mais leve fazia muito bem à saúde, mas ele sentia falta do chão de fábrica, do pulsar das máquinas e da alegria contagiante de estar entre os colegas. “Assim que apareceu uma oportunidade voltei para a matrizaria em uma função compatível com o problema de saúde. Aquele era o meu ambiente. Também tive a oportunidade treinar, assim como em épocas anteriores, novos funcionários e que hoje estão em cargo de chefia. Acho que fui um bom professor”, orgulha-se.

José aposentou-se em dezembro de 2010, completando 27 anos de casa. Mas não demorou muito para sua história com a Dana ganhar uma prorrogação. Um amigo assumiu a lanchonete dentro da unidade de Jundiaí e o convidou para tocar a cozinha. Muita gente não sabe, mas José testa suas habilidades gastronômicas desde a mais tenra infância. Aos 11 anos, por conta da enfermidade da mãe e com as irmãs mais velhas trabalhando fora, era ele quem comandava a cozinha de casa. Na cantina cuidava da chapa, preparando os lanches dos ex-colegas de trabalho. Virou sócio na lanchonete e após 3 anos decidiu sair definitivamente, completando um ciclo de 30 anos na empresa.

Mas como a vida dá muitas voltas, a história de José com a Dana não termina por aí. Com energia de sobra e nenhuma disposição para a aposentadoria, o ferramenteiro decidiu colocar um pouco de atividade na sua vida e abriu junto com o filho Renan um buffet batizado como Renan e Pira. O forte é o churrasco servido em confraternizações para até 70 pessoas. A ideia de abrir o negócio próprio surgiu depois dos amigos provarem seus assados nos eventos promovidos na ADC (Associação Desportiva Classista) da Dana. À princípio começaram a chamá-lo informalmente para as festas familiares, mas José percebeu ali um bom nicho de mercado. “Meu filho chegou a trabalhar na Dana e achei que ele iria seguir a mesma carreira do pai e do avô, mas depois de um tempo desistiu. Abriu um bar, mas o negócio não deu certo. Aí tive a ideia de montar uma empresa com ele. Minha esposa Neusa também ajuda com os preparativos pré-evento”, comenta. A fama do churrasqueiro chegou até a Dana e frequentemente a Renan e Pira é contratada para cuidar dos comes e bebes dos encontros dos veteranos. “Nunca imaginei que a Dana um dia seria minha cliente. Acho que é um caso de amor porque por mais que eu tente ir embora acabo voltando para o mesmo lugar.”

Além da empresa, José ainda viaja quinzenalmente para Piracaia para cuidar pai. Mesmo com tanta correria, ainda encontra tempo para ir aos encontros semanais com os antigos colegas de empresa, que acontecem às quartas, sextas, sábados e domingos na ADC. “O grupo é formado basicamente pelos aposentados, mas aceitamos alguns membros que ainda estão na ativa porque são eles que irão nos buscar quando não pudermos mais dirigir”, brinca.

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“Nunca imaginei que a Dana um dia seria minha cliente. Acho que é um caso de amor porque por mais que eu tente ir embora acabo voltando para o mesmo lugar.”

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