João Carlos

Esquivel

Duas características marcam a trajetória de João Carlos Esquivel pela Dana: o bom humor e a capacidade de aceitar novos desafios. Quando essa história começou, porém, o ano era 1960 e ele era um rapaz recém-saído da Escola Técnica Parobé e decidiu fazer o teste para trabalhar na Albarus que na época, estava recrutando jovens oriundos de escolas técnicas e com muita vontade de aprender – e ele acabaria ficando por 35 anos na empresa.

In Memoriam ✩ 6/5/1940 ✝20/01/2015

Ele recorda deste período como uma fase de expansão na indústria automotiva nacional e, portanto, de muito trabalho. “Já comecei minha carreira no Departamento de Qualidade, onde atuava como Inspetor Volante”, afirma. Percorria toda a linha de produção para acompanhar onde poderia acontecer um eventual problema de qualidade. Esquivel era Inspetor Volante da Retífica de Cruzetas e Capas e recorda que o mais difícil nessa época era lidar com a dificuldade de mão de obra qualificada na fábrica. “A formação do time de Qualidade foi pioneirismo da Albarus – éramos a segunda equipe que atuava com isso (a primeira começou na Ford) para evitar a rejeição depois de processadas as peças prontas. Na época, era difícil, pois o pessoal recrutado para produzir não tinha muita habilidade e ainda era treinado por Mestres, que também tinham diversas dificuldades”, recorda. Aos poucos, os Inspetores Volantes foram treinando os Mestres, Contramestres, Encarregados e Operadores. Vale lembrar que esta era uma época em que a Qualidade começava a ser muito exigida pelas montadoras, que estavam em franca expansão com novos veículos (Opala, Chevette, Aero Willys, Jeep, Simca). “A Albarus, como pioneira em tração, tinha que acompanhar as exigências e padrões impostos pelas montadoras”, diz.

Ele ficou até 1967 nessa função, já com um novo gerente, o saudoso Johann Wolfgang Limbacher, quando recebeu um novo desafio: trabalhar na Engenharia de Métodos e Processos, onde foi designado a fazer o que, hoje, é conhecido como mapeamento de processos. A tarefa de racionalização dos processos consistia em cronometrar o trabalho, analisar os equipamentos, máquinas, e também na medição de dispositivos, cuidados com layout, e também o tempo de setup das máquinas. “Para tabular tudo isso, usávamos folhas de operação, que depois eram usadas para avaliar os gargalos de produção e para estudos de trocas de máquinas, quando fosse o caso”, explica.

Com todo este conhecimento de processo, em 77, Esquivel foi convidado para ser Supervisor de Produção. Nessa época, tudo estava sendo preparado para a mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí, e ele também auxiliaria neste desafio. Era responsável pelos três turnos da fábrica, alternando-se com 2 colegas, Diogo Espíndola e Adel. Tudo o que dizia respeito ao pessoal da fábrica, segurança, eventuais problemas de produção… Era com Esquivel. Em 79, a mudança para Gravataí começava, e ele, Domingos José Miotti e Helmuth Baumgarten assumiram o desafio de treinar os operadores da nova fábrica, para que eles também fossem responsáveis por uma melhoria na Qualidade. “Implantamos uma série de novos métodos para que chegássemos a este resultado, foi uma época de muito trabalho e satisfação”, recorda.

Já em Gravataí, Esquivel foi convidado a atuar como chefe do Almoxarifado Central, onde ficou até o ano seguinte, 1980. “Um dia, o Erni (Koppe) me perguntou porque eu não assumia a área de Vendas Agrícolas para o Brasil, da qual ele cuidava. Era o começo de uma lenda profissional minha – toda vez que ele passava por mim nos setores em que eu estava, me levava a mudar de cargo”, ri ele. Era o começo de uma fase que durou até 88, quando ele cuidaria das vendas Agrícolas, Rodoviárias e Industriais, lidando com grandes clientes como Agrale, Randon, Marcopolo, Guerra, SLC… Apaixonado por fotografia, Esquivel arrumou uma solução para lhe ajudar nas vendas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina: além dos catálogos, ele fotografava as peças e a fábrica e levava estas imagens para seus clientes. Ele viajava muito, e implantou alguns projetos dos quais se orgulha muito, como o cardan para produtos agrícolas com capa de proteção, para prevenir acidentes. Assim foi até 88, quando propuseram a ele a representação do setor agrícola como terceirizado, e ele aceitou. Ficou até 1992, mas para ele a experiência não deu certo devido ao alto custo do produto alemão que representava como prestador de serviços.

Em 1994, voltaria à empresa, para a ASH – Albarus Sistemas Hidráulicos. Depois de alguns anos fora, muita coisa tinha mudado: a empresa agora estava em amplo processo de informatização e seria um novo desafio se adaptar novamente. “Eu dependia muito da informática para trabalhar, fui designado para ir para o Compras, em Cachoeirinha. Muitas vezes ficava até as 9 da noite na frente do computador, para dominar aquela nova linguagem”, recorda. Nesta época, ajudou a empresa a obter a certificação ISO 9000, e também fez desenvolvimento de fornecedores. Em 1997, foi para o setor de Compras de Porto Alegre e, após um breve período – novamente depois de uma “passada” de Erni pelo escritório – retornou para as vendas de Agrícola, em Gravataí, onde permaneceu até sua aposentadoria, em 2000.

E o que ficou, de tudo isso? “Meu reconhecimento para todas as pessoas que me ajudaram, mostrando sempre o melhor caminho, me incentivando a ser um profissional melhor. A empresa tem uma coisa que era uma caraterística muito forte: alguém te indicava a um cargo e era como se estivesse dizendo ‘te vira’ – mas como um estímulo, do tipo ‘eu sei que vais conseguir’. Agradeço muito todas as oportunidades que a empresa me proporcionou”, conclui.

João Carlos Esquivel vai a todas as reuniões de jubilados que acontecem na Dana que, para ele, são uma ótima oportunidade de rever os amigos e relembrar histórias antológicas.

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“A empresa tem uma coisa que era uma caraterística muito forte: alguém te indicava a um cargo e era como se estivesse dizendo ‘te vira’ – mas como um estímulo, do tipo ‘eu sei que vais conseguir’. Agradeço muito todas as oportunidades que a empresa me proporcionou”

João Carlos Esquivel