João Francisco

Ramires

Uma longa carreira, que começou em 1965 e foi até 1995 e um só sentimento: gratidão. João Francisco Ramires diz, sobre seus 30 anos de carreira na Dana: “eu só tenho a agradecer, foi uma grande oportunidade, conheci muita gente boa nestes anos, pessoas que me ajudaram demais, tudo valeu à pena”, resume.

João foi admitido na Albarus em outubro de 1965, como Auxiliar de Laboratório Metalúrgico, levado para a empresa por ser cunhado que então era Inspetor de Qualidade, José Severino de Oliveira. “Fiz a minha entrevista de emprego com Johann Limbacher e, logo após, já fui chamado para os exames admissionais – logo iniciamos uma parceria que duraria muitos anos e renderia muitas histórias”, diz. Ele conta um fato pitoresco: antes dele ser contratado pela Albarus, somente mulheres podiam trabalhar no Laboratório – portanto, com apenas 19 anos, ele já chegou quebrando paradigmas na empresa. Seu chefe era Limbacher, e sua missão era realizar os testes de dureza superficial nas peças e também preparar os corpos de prova para as análises metalúrgicas mais complexas, que ficavam a cargo do engenheiro Limbacher.

João tinha tanta vontade de crescer na empresa que não se importava em acordar às 5h15 da manhã e pegar dois ônibus para chegar à Zona Norte, o outro extremo de onde morava, para trabalhar. Durante dois anos, sua função foi auxiliar Limbacher – com o tempo, ele foi se aperfeiçoando no que fazia, aprendendo e, logo, teria condições de realizar seus próprios testes no laboratório.

Sempre de olho nas seleções internas para outros cargos – a Albarus sempre teve uma política de RH que priorizava o crescimento dos próprios funcionários, antes de contratar gente de fora – João inscreveu-se para o processo seletivo de Inspetor de Terceira. “Limbacher era um pai para mim, e sempre me incentivou a crescer, coisa que busquei fazer quando fui chefe, também. Em 1967, me casei com Herondina – eu tinha apenas 21 anos, e ele me aconselhou até nesta decisão, tamanha amizade que tínhamos”, relata, emocionado. João foi, assim, galgando melhores posições, até ser promovido a Inspetor de Primeira.

Também visando o crescimento, João mostrou orgulhoso seus mais de 60 diplomas de cursos concluídos dentro da empresa. Tanto interesse era reconhecido, e logo ele seria transferido para o Laboratório Dimensional. “Lá, passei por mais uma etapa de treinamento com profissionais muito capacitados e instrumentação variada, com a qual não tinha familiaridade. Foi uma grande oportunidade de crescimento”, conta.

Em seguida, João foi promovido a Encarregado do Laboratório Metalúrgico e Químico da Divisão de Juntas Universais (conhecida pela sigla DJU). Com ele, trabalhavam Gibrail Posenato e Otávio Palmas – Edgar Albarus era, nesta época, Gerente da Engenharia, e contava com este laboratório para toda e qualquer análise química do seu produto. “A empresa havia recebido um analisador de carbono e enxofre, bem como um fotocolorímetro, com os quais comecei a operar os testes químicos desta divisão. O controle da água das caldeiras era controlado pela nossa equipe. Meu chefe, na época, era o engenheiro Paulo Renato Pedroza”, diz. João ressalta que este time conseguiu desenvolver, na época, um teste não destrutivo, que examinava trincas e possíveis quebras nas peças sem inutilizá-las, minimizando significativamente a geração de sucata.

João emociona-se ao lembrar que quem o incentivou a voltar aos bancos escolares foi Johann Limbacher. “Estava parado há seis anos, e retomei meus estudos no Curso Técnico da Escola Parobé, já de olho no vestibular, seguindo conselhos do Limbacher”, diz. Ele, inclusive, foi o fiador do primeiro carro que João adquiriu, um Fusca 1965, que ajudou muito nesta época de grande correria. Em 1979, João teve uma grande conquista: o prêmio de Operário Padrão de Porto Alegre.

Em seguida, surgia uma nova fábrica na Albarus, a Divisão de Juntas Homocinéticas, e João foi indicado para assumir o laboratório metalúrgico e químico da nova divisão. Ele, porém, teria um horário especial – das 13h às 21h – para que conseguisse terminar os estudos e, assim, também poder se dedicar ao vestibular. Após muita luta, concluiu os estudos, passou no vestibular e começou a cursar Engenharia de Produção na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS).

Cinco anos depois, para sua grande alegria e orgulho do amigo e incentivador Johann Limbacher, formou-se em 1985. Com a formatura, viria uma promoção: João foi trabalhar como Supervisor do Tratamento Térmico. “Cuidava de todo o tratamento térmico da Divisão, bem como dos fornos e têmpera por indução”, diz. Com o tempo, foi acumulando funções, e também trabalhava como Supervisor de Produção das Linhas de Gaiolas, Eixo e Tripeças. “Ao todo, cerca de 160 pessoas dependiam de mim, e precisava ser muito organizado e determinado, tentando incentivá-los sempre a crescer, exatamente como meus chefes haviam feito comigo. Meus lemas eram ‘lealdade’ e ‘honestidade’. Fazia reuniões periódicas com eles, sempre pensando no melhor para a empresa”, explica.

João foi enviado para São Paulo durante um mês, onde estagiou na Brasimet, e também na Combustol. “Isso foi muito importante para conhecer pessoas, processos e produtos. A Albarus começou a se preocupar com manutenção preventiva”, relata. Outra preocupação da empresa tornou-se uma das metas de João: o Controle Estatístico de Processo (CEP), que ele ajudou a implantar com muito orgulho.

Depois disso, João ainda teve uma passagem pelo Compras, onde ficou por mais seis meses trabalhando com cotações de fornecedores junto do colega Jorge Sangineto e, após, foi realocado para o setor de Treinamento, atuando com Milton Tadeu Mezzomo. Antes de se aposentar, João ainda ficou mais um ano do Planejamento de Produção (PCP), setor gerenciado na época por Sérgio Oliveira e, por último, permaneceu no Almoxarifado da empresa. “Organizei tudo aquilo com a mesma energia e vontade que tinha nos meus primeiros meses de empresa. A motivação era a mesma – quis dar o meu melhor até o fim”, relata. Em 1995, aposentou-se.

João conta que foi presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, também foi presidente da Associação de Funcionários da Albarus Porto Alegre e diretor de esportes da mesma, promovendo campeonatos internos de futebol entre os colaboradores para que houvesse uma boa integração entre eles. “Só tenho a agradecer, foi uma excelente oportunidade, a Albarus era minha segunda casa”, resume.

João é casado há 48 anos com Herondina, com quem ainda reside na Zona Sul, e tem três filhos: Ricardo, Alex e Simone. Eles lhe deram seis netos: Bruna, Isadora, Eduardo, Júlia, Luisa e Francisco Samuel. Sempre que pode, ele vai aos jantares dos veteranos da Dana para rever os amigos e relembrar algumas histórias.

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Só tenho a agradecer, foi uma excelente oportunidade, a Albarus era minha segunda casa.

João Francisco Ramires