Hidegi

Tegoshi

Quando aceitou a vaga de auxiliar de escritório na Albarus, em 1961, Hidegi não fazia ideia de que os próximos 47 anos de sua vida estariam ligados à empresa. Do pequeno escritório no centro de São Paulo à aquisição de novas unidades na capital e interior, o diretor administrativo e financeiro acompanhou passo a passo a história de crescimento e sucesso da companhia.

Aos 24 anos de idade, Hidegi Tegoshi tinha o sonho de ser farmacêutico ou dentista, mas o destino encarregou-se de traçar um novo caminho para o jovem que veio de Guararapes tentar a vida na capital de São Paulo. Trabalhando como auxiliar de escritório na Albarus e fazendo cursinho pré-vestibular à noite, o Hidegi não pensou duas vezes ao receber a oferta do então gerente de vendas, José Carlos Bohrer, de ter os estudos na área de contabilidade custeados pela empresa. “Nunca tinha pensado em seguir carreira nessa área, mas quando meu chefe disse que eu já tinha experiência administrativa e que o curso seria útil para mim e para companhia, achei que a proposta fazia sentido e aceitei”, conta.

A aposta do diretor não foi ao acaso. Na empresa há três anos, Hidegi já tinha dado mostras de seu potencial e dedicação ao trabalho ao colocar a contabilidade da empresa, dois anos atrasada, em ordem. “Tive o privilégio de fazer o primeiro balancete da Albarus. Quando comecei não havia nenhum registro contábil”, orgulha-se. Como a empresa era pequena, a área contábil cuidava também do faturamento, contas a receber e recursos humanos. “Não tinha luxo, a gente fazia de tudo”, brinca.

Em 1966, veio a primeira promoção. Com a saída de Renato Galerani, Hidegi assumiu o cargo de gerente administrativo e financeiro da filial São Paulo, com a responsabilidade de cuidar dos trâmites de expansão da antiga fábrica da Mooca. Na época, a Albarus já mostrava os primeiros sinais de crescimento e precisava de mais espaço físico para acomodar a montagem de eixos cardan. A solução foi alugar um galpão vizinho à fábrica e, como o local dispunha de área ociosa, o departamento administrativo mudou-se do centro para o mesmo endereço da produção industrial.

As instalações mais confortáveis apresentaram um importante revés, não avaliado no momento mudança: a região não dispunha de restaurantes nas proximidades. A saída foi construir um refeitório, mas faltava abastecimento. “Descobri que o SESI do Ipiranga tinha uma cozinha industrial e fornecia alimentação, só que não entregava. Contratei uma empresa para buscar as refeições e a comida chegava em uns caldeirões enormes, com arroz, feijão e a carne. Uma logística e tanto”, recorda-se. O local atendeu muito bem às necessidades da empresa por um longo período. O único problema eram as enchentes constantes que impediam o acesso à fábrica. “Em dias de chuva era uma aventura. A gente pedia autorização a uma empresa vizinha para entrar na fábrica pelos fundos”.

A segunda promoção chegou em 1967. Hidegi passou a ocupar o cargo de contador, reportando-se diretamente à diretoria em Porto Alegre (RS). No mesmo ritmo acelerado da carreira do profissional, seguia o crescimento da empresa e logo as instalações ficaram pequenas para dar conta do volume de produção exigido pelo aquecido mercado automobilístico no início dos anos 1970.

Nova mudança à vista. A primeira tentativa foi a compra de uma fundição. Hidegi foi convocado para fazer a due-diligence, uma espécie de auditoria financeira e, ao encontrar problemas, desaconselhou o negócio. Logo surgiu a possibilidade de aquisição da fábrica desativada da Bundy Tubing, no bairro do Socorro, em São Paulo. Compra efetuada, a missão agora era organizar junto com os gerentes do chão de fábrica a mudança da unidade em apenas 6 meses e sem parar a produção. E problemas sempre surgiam pelo caminho. “Dessa vez o impasse era o terreno, que ficava perto do rio Pinheiros e formava um mangue, atrasando o cronograma das obras”, comenta o contador.

As novas atribuições despertaram em Hidegi o desejo de voltar à universidade para reciclar os conhecimentos. Dessa vez, optou por Administração de Empresas, vindo a formar-se em 1970. A experiência adquirida na aquisição de novas unidades fez do contador um expert em mudanças fabris, e toda vez que uma nova unidade era adquirida, o nome do profissional vinha à tona. E lá ia ele firmar um novo negócio, checar as finanças, negociar a transferência na Receita Federal, Secretarias do estado e Prefeitura. Foi assim com a compra das novas instalações do Centro de Distribuição de Reposição da Albarus, em 1973, e da aquisição da Rockwell, antiga Braseixos, em 1974.

Na mesma época, veio a terceira promoção. Recém-chegado dos Estados Unidos, o então diretor Hugo Ferreira o transferiu para a gerência da área de controller, levando-o a cursar uma nova graduação, agora em Economia. Incorporada há alguns anos à norte-americana Dana, a empresa não parava de crescer e não tardou para as instalações ficarem pequenas.

Encontrar um lugar em São Paulo amplo o suficiente para abrigar toda a estrutura da empresa era impossível. A alternativa foi buscar um espaço no interior. A unidade da Cemar, uma fábrica de disjuntores recém-fechada em Sorocaba, era ideal. Só que a mudança de cidade envolvia também a transferência de funcionários, o que significava providenciar transporte e futuramente moradia para essas pessoas. Um trabalho de fôlego liderado por Hidegi e pelo gerente de fábrica, o húngaro Zoltan Fodor. “Foi difícil, mas cumprimos o prazo e em 1979 a Dana inaugurou mais uma unidade. Tenho muita satisfação de ter contribuído para cada fase desse processo”, afirma.

Tanta dedicação não passou despercebida e, em 1982, Hidegi galgou mais um posto, tornando-se diretor administrativo e financeiro, responsável por todas as unidades da empresa em São Paulo, função exercida até 1995. Durante esse período, o diretor participou ativamente das negociações de ampliação do portfólio da marca, que envolveram a compra de empresas como Warner, Racine, Echlin, Stevaux, Nakata e Transhid. “Quando assumi esse cargo, recebi a incumbência de ser enérgico, sério e controlador porque a empresa não queria ter problemas com as auditorias. Então fiquei com a fama de “mesquinho” porque não deixava passar uma despesa irregular. Controlava cada despesa de viagem, as quilometragens, e às vezes o pessoal não gostava, ficavam bravos comigo, mas hoje quando encontro com eles dizem que eu estava certo”, relembra satisfeito.

Em 1996, já com 34 anos de casa e 61 de idade, o diretor estava prestes a se aposentar quando foi novamente convocado para comandar a joint venture com a Freios Varga. A ideia era montar a empresa em Taubaté, no prazo máximo de 75 dias, para atender as unidades da Volkswagen e Ford da região. Onde antes operava uma fábrica de macarrão e cereais foi o local ideal. Além das instalações, Hidegi precisava ainda contratar cerca de 80 profissionais para tocar a produção. Sem conhecer os hábitos da região, fez um anúncio de emprego no jornal local. Mídia errada. “Foi uma decepção, não apareceu ninguém”, recorda. Foi o pessoal de uma agência de empregos que deu a dica de anunciar na rádio da cidade. “No dia seguinte tinha uma fila imensa na porta da empresa. Recolhemos mais de 400 currículos”, conta.

No ano seguinte, mais um desafio. Dessa vez, Hidegi iria acompanhar a implantação de uma nova unidade no Paraná, ficando responsável pelas áreas administrativa, financeira, contábil, recursos humanos e, ufa, fiscal. Para colocar o projeto em pé, o diretor passou um ano e meio em Curitiba, indo para casa somente aos finais de semana. Com a obra entregue, Hidegi aposentou-se em 1998, com 37 anos de casa.

Mas ficar parado não estava nos planos do ex-diretor. Assim que deixou a Dana oficialmente, deu início à carreira de consultor. Não demorou para ser chamado novamente pela Dana para prestar serviços na implantação de novas unidades e fazer a auditoria contábil por mais 10 anos. Em 2009, Hidegi decidiu que era hora de parar e curtir a vida ao lado da família. Casado, com três filhos e cinco netos, ele gosta de usar o tempo livre para viajar. Guarda ótimas lembranças do período que passou na Dana. “É uma empresa focada no ser humano, dá oportunidade de crescimento e nos desafia a ir mais longe. Foi um período muito feliz da minha vida”, afirma.

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“É uma empresa focada no ser humano, dá oportunidade de crescimento e nos desafia a ir mais longe. Foi um período muito feliz da minha vida”.

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