Flávio

Möller

Ao todo, foram 35 anos de trabalho como contador e na área de educação. Flávio Möller recorda dos seus tempos de Albarus e Dana dizendo, categórico: “a empresa foi uma grande escola, e o que fez a diferença na empresa, sem sombra de dúvida, foram as pessoas comprometidas e decididas a dar seu melhor – gente que vestiu a camisa da companhia”.

Ele formou-se em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e já tinha tido algumas experiências profissionais importantes antes de ir para a Albarus – Flávio Möller atuou em grandes empresas durante 10 anos, como a Viação Minuano e a Souza Cruz. “Eu tive um professor na faculdade que era o Jorge Aveline, consultor da Albarus na época. Um colega meu já atuava no escritório do Aveline e fiquei sabendo que eles estavam buscando um contador para a WBS, uma subsidiária da Albarus”, recorda. O jovem Flávio viu ali uma boa oportunidade, e foi conversar com o professor Aveline. “Ele falou comigo e, depois, me levou no Aero Willys dele até a Albarus. Eu nem sabia onde era a empresa, não fiz entrevista, prova, nada: meu primeiro dia de empresa já foi no batente”, ri ele.

Flávio foi recrutado para ser contador da WBS (subsidiária da Albarus) mas, como a contabilidade já havia sido transferida para a Albarus, iniciou lá como subcontador. No dia 20 de outubro de 1964, Flávio foi contratado – a Albarus já tinha um contador, Darci Otero. Dos seus primeiros tempos de Albarus, ele lembra que era tudo muito diferente do que conhecemos hoje. “A empresa não tinha essa organização que tem hoje – o pessoal se esforçava, mas faltava um toque administrativo que a Dana imprimiria à empresa mais tarde. Depois que a Dana assumiu o controle acionário da empresa duas pessoas marcaram a história da Albarus no Brasil – Zeca Bohrer aqui no Sul e o Dr. Leão de Oliveira em São Paulo”, relata.

Flávio conta que o início da Albarus já encontrou grandes desafios logo de início. “Me lembro da crise econômica de 1965, que durou mais ou menos um ano – a produção das montadoras foi muito baixa durante este período e nós, como fornecedores deles, também tivemos uma queda significativa no faturamento. Foi muito difícil. Os nossos diretores tiravam empréstimos no banco para deixar os salários dos funcionários em dia – isso demonstra muito do comprometimento da empresa com sua gente”, explica.

Em 1967, Darci Otero foi promovido a Auditor Interno, e Flávio assumiu a posição de Contador:  “Eu fiquei felicíssimo com a novidade – já estava acostumado ao ritmo de trabalho intenso, aprendi a fazer tudo quando era Subcontador. No começo, eu fazia hora extra todos os dias, sábados, domingos… Não tinha hora para estar na empresa, precisávamos dar conta de um atraso histórico de organização da companhia”, recorda. Ele já era casado com Luizinha nessa época, que tomava conta da casa e dos filhos praticamente sozinha.

Flávio conta que, quando a Dana assumiu o controle da Albarus, as coisas mudaram muito – e rápido – dentro da empresa. “Tinhamos que fazer um relatório de vendas e entregar sempre até o quinto dia útil do mês.  Nosso objetivo era fechar a contabilidade no terceiro dia após o fechamento do mês. Isso não dependia só de nós, tivemos que falar com todos os envolvidos no processo, mapeamos, e fomos mudando a cultura da empresa”, diz.

Ainda como Contador, Flávio foi morar um ano nos Estados Unidos, em 1973, para aprender sobre o sistema de contabilidade da empresa in loco. “Fui de mudança com a família, estagiando em várias unidades da Dana, um grande aprendizado”, relata.

Em 1974, voltaria pro Brasil. Tito Livio Goron havia assumido a área de Recursos Humanos da empresa, e o chamaria para um enorme desafio, que mudaria os rumos da sua carreira. Apesar de ter se formado em Contabilidade, Flávio sempre teve afinidade com a área do ensino – gostava muito de fazer cursos, estudar e ensinar. Ele havia se formado no curso de Dale Carnegie de “Como Falar em Público”, e era instrutor desse assunto também. Em paralelo à sua atuação como contador, Flávio sempre teve uma enorme afinidade com a área de ensino.

Hvia o Programa de “Supervisor Certificado Albarus”, em que o pessoal da área de chefia era chamado a fazer uma série de cinco cursos, já promovidos pela Dana University. Goron sabia que Flávio era um instrutor do método desenvolvido por Dale Carnegie, e o convidou para assumir uma nova posição, agora, na área de treinamento. “O Goron estava chefiando a mudança e eu nem pensei quando ele me convidou. Ensinar é algo que está no meu DNA”, explica.

Logo, ele embarcaria de volta para os Estados Unidos, para enfrentar um estágio de dois meses na sede da empresa, em Toledo (Ohio). “Tirei o diploma de Instrutor Certificado Dana. A empresa não tinha instrutores para enviar ao Brasil, Venezuela, Argentina… então, como eu falava inglês e espanhol, fui o escolhido para a missão”, relembra. O resultado? Uma guinada definitiva na carreira – Flávio chegou a ministrar treinamentos também no México e na Espanha. Ele também seria o primeiro Deão (Dean) do Brasil. Sua vida, agora, era ensinar – ele sempre teve preferência por cursos nas áreas financeiras, os temas mais subjetivos não eram seus favoritos. “Claro que, se tivesse que ministrar esses cursos, eu fazia, sem problemas! Éramos soldados da empresa”, afirma.

Flávio conta que foi criado o CTA – Centro de Treinamento Albarus, que oferecia três cursos, para diferentes públicos: a Escola de Educação Básica (para combater o analfabetismo), a Escola de Formação Profissional (SENAI), e a Escola de Desenvolvimento Gerencial (que seria capitaneada por Flávio). Logo, ele sugeriu para que tudo isso ficasse sob uma só denominação: “Dana U”, a exemplo dos Estados Unidos, mas com conteúdo mais abrangente, alinhado às necessidades e realidade brasileiras. “Foi uma mudança natural – continuava o projeto de escolas de formação dentro da empresa, mas agora estávamos alinhados com a matriz”, explica.

Flávio aposentou-se em 2 de março de 1999, quando completou 35 anos de empresa. Depois disso, abriu a empresa Aldrava, para continuar ministrando cursos para a Dana como prestador de serviços. Quem deu continuidade ao trabalho na Dana U no Brasil foi seu colega e amigo Ivo Noll.

Atualmente, ele é consultor do SEBRAE, na área financeira – segue passando seu conhecimento adiante, como fez durante a maior parte da sua carreira na Dana, e também é Mestre e professor de Reiki, técnica japonesa de cura. Ainda atua como voluntário na Casa dos Sonhos, ONG de Gravataí que atende crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Adora ficar com seus cachorros, Igor e Boris, e curtir os filhos e netos – Fábio, pai de Olivia, que tem quatro anos, e Ingrid Raquel, mãe de Lorenzo, que tem cinco anos. Luizinha faleceu há um ano – eles se casaram em 1963, e se conheceram por correspondência, através de uma publicação nacional que falava de cinema, a Filmelândia. “Escrevi para a revista em dezembro de 1957, numa seção chamada Clube dos Fãs. Recebi correspondência de todo o Brasil. Em abril, veio uma carta do Colégio Americano – ela morava em Antônio Prado e estava morando como interna do Americano”, lembra ele. “Descobri onde era o colégio e fui visitá-la”, ri ele. Os dois seguiram trocando muitas cartas até casar.

Sobre seus 35 anos de Dana, Flávio diz que tudo valeu à pena. “Eu fiz o melhor que eu pude, sempre procurei fazer o máximo pela empresa. Sou meio caxias, me esforço para que as coisas andem na linha. Para mim, a Dana foi uma grande escola. Sempre fomos uma equipe muito unida, nos reuníamos e fazíamos jantares. Era uma turma grande: Enio Garcia, Riograndino Dias Soares, Walter Pires… As amizades que ficaram foram muito boas!”, conclui

Destak

“Eu fiz o melhor que eu pude, sempre procurei fazer o máximo pela empresa. Sou meio caxias, me esforço para que as coisas andem na linha. Para mim, a Dana foi uma grande escola. Sempre fomos uma equipe muito unida… As amizades que ficaram foram muito boas!”

Flávio Möller