Eduardo

Pichsenmeister

Com 37 anos de carreira na empresa, Eduardo começou sua trajetória como estagiário e tem orgulho de ter trabalhado operando máquinas dentro da fábrica. Ele resume a si mesmo dizendo que, acima de qualquer cargo, é um apaixonado pelo trabalho – tanto que até hoje segue na ativa.

Ele começa contando sua trajetória na Albarus lembrando do pai, João Eduardo, que veio da Áustria para o Brasil e quando tinha apenas 13 anos para iniciar sua jornada longe da família e passou para o filho valores que julgava fundamentais. “Ele me disse que era pra ter humildade, mas ser respeitado; e que o segundo ponto mais importante era ter foco nas pessoas”, resume. Eduardo trabalhou com o pai desde os 11 anos e foi aprendendo pelo exemplo estes valores, que julga essenciais para o sucesso de sua carreira. Seu pai, todavia, achava que a vida do filho ia ser muito sofrida se seguisse os mesmos passos dele, trabalhando em restaurante, e queria recolocar o garoto no mercado. “Tínhamos uma churrascaria, o Rancho Alegre, e a minha paixão era a engenharia mecânica. O pessoal da Albarus ia muito à nossa churrascaria e, um dia, meu pai perguntou se eles não precisavam de um estagiário na empresa”, conta.

Então, em 1971, aos 26 anos, Eduardo foi até a Albarus para ser entrevistado por José Carlos Bohrer – a pessoa a quem seu pai havia perguntado da possibilidade de um estágio. “Coloquei minha melhor roupa e fui conversar com ele, que pareceu ter gostado de mim e disse que a vaga era minha”, lembra.

Ele começou a trabalhar na Albarus como estagiário de Engenharia, então. “O Tito Livio Goron e o Levi Brum estavam discutindo de que forma eu ia estagiar – o Goron achava que eu devia ficar com uma planilha e percorrer todos os setores da fábrica e o Levi defendia que eu fosse para a fábrica pôr a mão na massa. Ambos me perguntaram o que eu preferia, e optei por começar pela fábrica”, conta. E lá foi ele, de macacão azul, operar as máquinas daquela época. “Posso dizer que trabalhei em 80% daquelas máquinas, inclusive o Martelo da Forjaria. Aí, começou um grande aprendizado. Fui pra produção, onde estagiei com o Cláudio Vasconcellos, Diogo Haro, Nadir Krás, Harry Muller, Xico Costa, Vivaldo e Byron Matissek orientando-me”, conta.

Ao fim do estágio, Eduardo foi trabalhar na Manutenção sob a tutela de Otto Eichler, numa equipe de 150 pessoas que fazia manutenção elétrica, mecânica, eletrônica, serralheria e obras em geral na empresa. Eduardo já começou ali como Supervisor e, em 6 meses, passou a Chefe de Departamento quando Otto foi para outra área, passando a liderar toda essa equipe. Eduardo ficou 5 anos lá e lembra dessa época com muito carinho. “Fizemos, juntos, uma revolução na manutenção – tanto que, quando eu falei que estava indo pra outro setor, eu e o pessoal chorávamos abraçados”, conta.

Eduardo foi, então, para a Forjaria, uma parte da empresa que, naquele tempo, estava com 25% de defasagem na produção. “Eu já andava muito na fábrica desde que entrei na Albarus e, como meu foco sempre foi nas pessoas, e disse a eles que, com a ajuda de todos, íamos não só superar a defasagem como íamos aumentá-la em 25% – e sem trabalhar aos domingos. O pessoal achou que eu estava maluco”, ri ele. O resultado? Ele uniu toda a fábrica neste esforço coletivo e, ao final do primeiro mês, a Forjaria fechou com 25,9% a mais de produção, exatamente como ele havia proposto. Daí pra diante, Eduardo diz que a Forjaria não parou mais de bater recordes de produção.

Ele ficou durante 1 ano na Forjaria, até ser enviado aos Estados Unidos e ao Canadá para aprender mais sobre produtividade na Dana. “Levei o Helmuth Baumgarten comigo e encontramos alguma resistência – quando fui pra lá, meu inglês era muito ruim e, depois de 30 dias, voltamos ao Brasil com uma bela experiência vivida e algumas novidades na mala”, relata.

Em sua volta, ele já havia sido realocado na empresa: agora, era responsável por toda a área de produção de cruzetas, capas, estamparia e tratamento térmico. Eduardo ali ficou por 1 ano, e adorou a experiência. “O pessoal contribuía muito, trabalhávamos unidos, juntos, as lideranças ‘pegavam junto’ conosco e abraçavam as novas ideias que vinham de todos, isso faz uma diferença muito grande em qualquer projeto”, explica.

Depois disso, no começo da década de 80, Eduardo foi para a Junta Homocinética, outra experiência que ele guarda com carinho na sua carreira da empresa. “Quem estava lá era o Victor Pinto Vieira, que disse que eu tinha 6 meses pra colocar a fábrica em dia – e deu certo. Reencontrei o Byron e a aceitação das pessoas foi muito boa – também tive a oportunidade de ir 2 vezes para a Europa para visitar as fábricas de lá, aprendi muito nessa época”, diz.

Ele ficou 8 anos na fábrica da Junta Homocinética em Porto Alegre e lembra de muitos momentos históricos que viveu ali. “Entre muitas outras memórias, cito a implantação dos grupos do Círculo de Controle da Qualidade que muito contribuiriam para a Albarus – essa é uma lembrança que guardo comigo com carinho, pois conseguimos a adesão de muita gente da fábrica”, afirma.

Em seguida, Eduardo estaria de volta à Forjaria de Gravataí para atuar como Gerente de Divisão. “Fui substituir o Slavko Rozman, que tinha saído da empresa, e fiquei 1 ano nesta função”, relata.

Seu próximo desafio foi numa área completamente nova para ele: assumir a área de Compras, Importação e Exportação. “Todos os Planos de Investimento da Dana passavam por mim, e consegui me adaptar bem trabalhando no administrativo porque já cuidava da parte de compras anteriormente a Dana e gostava”, ri ele. Eduardo conta que viajava muito nessa época, para buscar possíveis parceiros para a Dana Brasil.

Depois do Compras, em 1991, ele foi transferido para a Divisão de Elastômeros, uma fábrica que trabalhava um turno somente e estava com problemas de diversas naturezas. “2 anos depois, tínhamos 70% de produção externo e 30% interno e em três turnos – tudo aconteceu pela união das pessoas, uma coisa fantástica”, diz. Em 1992, a fábrica já era outra: Eduardo diz que ela viraria um modelo de sucesso para a companhia.

Em 1993, ele perdeu o filho numa tragédia, e a empresa sugeriu que Eduardo fosse trabalhar em São Paulo, para mudar de ares. Então, ele assumiu a fábrica de Eixos Diferenciais em Sorocaba. “Fizemos um bom trabalho em Sorocaba como Gerente de Divisão. O Nilo Fuji que me levou pra conhecer a fábrica sentir como ia ser esse começo. No meu primeiro dia, já fui para o chão da fábrica e parei pra perguntar a um operador como ele estava, se precisava de alguma coisa… O homem ficou até assustado”, ri Eduardo.

Nessa época, a Dana havia acabado de comprar a Rockwell e as 382 máquinas precisavam ser transferidas – algumas delas, ficariam em Sorocaba, sob a tutela de Eduardo. “A transição, de novo, não fui eu quem fez – foram as pessoas”, diz, com a humildade característica.

Em seguida à transição, Eduardo foi chamado para montar a fábrica da Joint Venture que a Dana fez com a TRW em Taubaté. “Precisávamos colocar lá a linha de montagem da suspensão do Gol e, claro, topei o desafio. O Hidegi Tegoshi implantou a parte Financeira de lá, e junto com o pessoal da TRW montamos essa fábrica em 45 dias, o que parecia impossível de início”, relata. Foi um grande desafio de sua carreira, e ali Eduardo permaneceu por 1 ano e meio – até ser chamado para assumir a Divisão Estrutural que envolvia plantas em Campo Largo e Osasco, em 1998.

Eduardo assumiu, então, uma fábrica que dava prejuízo para a empresa e, sem qualquer tipo de receio, foi direto perguntar às pessoas da fábrica quais eram os problemas que elas julgavam importantes. “Eu sou meio ‘ligeirinho’ e já me mandei pra dentro da fábrica, precisávamos resolver o problema das longarinas que produzíamos nessa época”, lembra. Em 2000, a Divisão atingiria o break-even: os clientes estavam com o fornecimento em dia, o PPM era quase zero e a fábrica se recuperou com louvores. “As próprias pessoas da fábrica sugeriam mudanças importantes e isso foi essencial – quando saí do Estrutural, nosso lucro anual era de milhões de dólares – mas não fiz nada sozinho”, reitera.

Ali, ele ficou até outubro de 2008, quando recebeu recomendações médicas para me cuidar e reduzir o ritmo. “Eu faço aniversário no dia 6 de outubro, e avisei que sairia no dia 7 – e, mais importante, avisei que eu precisava sair. Mas não queriam me deixar”, ri. Sua última ação na Dana, foi viajar aos Estados Unidos para participar da Hell Week, que fazia anualmente.

Posteriormente a saída da Dana, Eduardo lembra com carinho que ganhou uma pintura do gerente de marketing, Luis Pedro Ferreira, em homenagem aos seus quase 40 anos de Dana e diz que saiu na hora certa. “Foi tanto aprendizado com as pessoas que é difícil mensurar. A empresa me fortaleceu demais e reforçou os valores que o meu pai me ensinou, que eram parecidos com os da empresa. Posso citar eles um a um. Sou muito grato a todas as pessoas da Dana, das mais simples aos mais altos cargos de chefia”, conclui.

Eduardo é casado com Cida, que sempre o apoiou em suas mudanças profissionais pela Dana e, hoje, curte um pouco mais a companhia do marido, que segue trabalhando: Eduardo criou e montou a fábrica Sears Seating do Brasil, filial da Sears Manufacturing Co., junto com seu filho Cristiano – eles são responsáveis por esta operação, com a mesma paixão e empenho de sempre.

Eduardo Pichsenmeister

“Foi tanto aprendizado com as pessoas que é difícil mensurar. A empresa me fortaleceu demais e reforçou os valores que o meu pai me ensinou, que eram parecidos com os da empresa. Posso citar eles um a um. Sou muito grato a todas as pessoas da Dana, das mais simples aos mais altos cargos de chefia”.

Eduardo Pichsenmeister