Docelino

Scheffer

Da infância simples, Docelino trouxe a garra e a paixão pelo trabalho para a Albarus, onde iniciou sua carreira em vinte de dezembro de 1975, dentro da fábrica. Sorridente e alegre, ele diz que a empresa, naquela época, era como uma família – por isso, faz questão de ir sempre aos jantares e  almoços dos veteranos Dana.

Docelino Scheffer nasceu em Sombrio (SC), e trabalhou durante muitos anos ajudando os pais na lavoura. Aos 22 anos, partiu em busca de uma vida melhor (“com uma muda de roupa na mala”, recorda). O destino? Porto Alegre. Com pouco estudo (até a sétima série do Ensino Fundamental), ele buscou logo emprego na indústria.

Passou por algumas fábricas, mas seu destino seria selado por um acidente causado pela chuva. “Eu trabalhava na Racine e, depois de uma chuva forte, minha casa foi toda destelhada e pedi se eles poderiam me demitir, para que eu pudesse reconstruir o telhado com o dinheiro da indenização”, lembra. Docelino diz que a decisão não foi nada fácil – ele adorava a Racine e, lá dentro, tinha bons amigos e um ano de trabalho. Mas a decisão estava tomada.

Depois de uma semana de muito trabalho em casa para reconstruir o telhado, ele já estava buscando um novo emprego: “A Albarus chamava bastante a atenção nessa época – a indústria automobilística no Brasil estava em pleno vapor, e todo mundo queria fazer parte deste progresso enorme. Tinha 28 anos e comecei a carreira na montagem de cardans – não fiquei uma semana sem trabalho, graças a Deus, e ali permaneci por mais 10 anos”, conta.

Docelino lembra que começar a trabalhar na Albarus foi um sonho realizado. “Eu tinha ficado cinco anos na Metalúrgica Wallig e, lá, não tinha refeitório, então eu levava marmita todos os dias – e era uma luta pra aquecer essa comida”, relata. Ele diz que queria trabalhar num local que tivesse refeitório, serviço médico… “O ambulatório da Albarus era fantástico – meus filhos consultavam direto lá dentro”, diz.

Destes 10 anos na montagem, ele recorda da dificuldade de conquistar o cliente Mercedes-Benz, muito exigente e preciso. “A máquina em que eu trabalhava não era nada fácil de operar e, naquela época, era difícil obter a qualidade que é possível hoje com a precisão das máquinas de atualmente. Não tinha muito recurso, eu trabalhava em pé, usando um pedal. E aquelas peças voltavam muito”, ri. Docelino ressalta que, durante todos os 22 anos de carreira na empresa, sempre trabalhou em pé. “Mas te digo: se eu pudesse, começava tudo de novo”, afirma.

Depois destes 10 anos na montagem de cardans, a fábrica seria transferida para São Paulo e Docelino, então, trabalharia em Gravataí. “A partir de 1985, então, eu morava em Cachoeirinha e, todos os dias, ia para Gravataí, não mais para Porto Alegre”, diz. Docelino agora trabalhava na linha de embreagem, onde ficou durante 5 anos, trabalhando muito e dedicando-se a aprender a nova função, completamente diferente da anterior. Ele ri ao contar o passo seguinte: a linha de embreagem mudaria-se para São Paulo – “parecia até que era meu destino”, ri.

Docelino, então, foi trabalhar na linha de ponteiras, que ficava também em Gravataí. Ali, permaneceu até 1996, quando se aposentou, completando 21 anos de Dana que, segundo ele, só lhe trazem boas memórias. “Foram anos de convivência diária em que nunca tive atrito com ninguém – pelo contrário, só tenho boas histórias de amizade para relembrar. Tanto que, hoje, reencontro o Albino, o Carlitos, o Diocarino nestes eventos dos veteranos e é uma risada só! A empresa era minha segunda família”, diz. “A gente adorava aquela empresa, era muito amor à camisa, desde o início. Aquilo lá era tudo pra mim”.

Docelino sempre gostou tanto de trabalhar que não chegou a ficar 3 meses parado depois de se aposentar. Comprou um táxi que, hoje, ainda é sua ocupação. E lá se vão 17 anos de muito trabalho nas ruas de Gravataí. “Mas pego mais leve nos horários – hoje não sou tão rígido assim comigo mesmo, tenho outras coisas para fazer também”, explica.

Ele é casado com Olema Pereira Scheffer e tem dois filhos, Fernanda e Luciano. Hoje, ele e a esposa gostam de curtir os dois netinhos, Guilherme e Isabela. “Adoramos mesmo é a casa cheia no final de semana, eles são a alegria da nossa vida!”, conta. Gostam também de viajar e, especialmente no verão, passar alguns dias em Rosa do Mar, onde tem casa.

Docelino Scheffer

“A gente adorava aquela empresa, era muito amor à camisa, desde o início. Aquilo lá era tudo pra mim”.