David

Nascimento Luiz

Da sua pequena indústria de doces e salgados, que inclusive fornece para os eventos da Dana, David Nascimento Luiz relembrou sua trajetória na empresa – que começou, inclusive, antes dele trabalhar lá. David é filho de Caubi Manoel Luiz, que durante 25 anos trabalhou na antiga Albarus e levava o filho para as festas familiares da empresa. O que David não sabia era que iria repetir o feito do pai – e do irmão, Levi – e ser um membro do grupo de veteranos da Dana.

Sua trajetória profissional começou quando ele tinha apenas 15 anos, em 1973, e foi cumprir seu estágio do SENAI na empresa. “Eu comecei a amar a Albarus muito antes – quando tinha sete anos, comecei a frequentar as festas de final de ano da empresa e, depois, pratiquei muito esporte ali dentro – faltava alguém pra jogar, eu entrava em campo”, lembra. O estágio durou seis meses e, logo, ele iria para outra empresa. “Mas não me adaptei. Então, como meus tios Valmor e Nazareno tinham uma oficina, depois do trabalho, eu ia pra lá com eles. Foi aí que iniciou minha paixão pela indústria automotiva”, explica. David ainda trabalhou em algumas empresas mas, em 1977, quando estava na oficina dos tios, Luiz Carlos Alves de Oliveira perguntou se o jovem não queria oportunidade na Albarus.

David, então, apareceu na portaria da empresa no dia seguinte por indicação de Luiz Carlos, a quem carinhosamente chama de “padrinho”. Mas, no exame médico, um problema foi detectado: arritmia. “Logo, o Dr. Luiz comentou que era algo que podia ser controlado, e comecei a trabalhar na companhia”, diz.

Começou sua carreira na Albarus como eletricista. “Eu tinha o ‘carimbo’ de ser irmão do Levi, muito reconhecido tecnicamente dentro da empresa, e filho do Caubi, o que me dava muito orgulho, então tive que criar um caminho de muito trabalho e dedicação dentro da fábrica. Todo mundo que descobria que eu era filho do Caubi via em mim alguém especial, e isso me enchia de alegria – meu pai é um grande exemplo até hoje”, afirma. David conta que, muito jovem, aprendeu demais com várias situações que enfrentou logo de cara. Inclusive, ele ressalta que isso o ajudou muito em seus desafios de carreira pós-Dana. “O que tem aqui (aponta para a mini fábrica de salgados e doces), foi tudo aprendizado da Albarus”, reiteira.

Sua carreira, diz ele, foi desenvolvida com muito aprendizado, no que ele chama de uma “cultura de erros e acertos”, sempre trabalhando no seu ambiente favorito: dentro da fábrica. David iniciou sua carreira em 77 e, dois anos depois, parte da equipe de Manutenção mudou-se para Gravataí, no começo da fábrica de lá, e ele optou por ficar em Porto Alegre e seguir trabalhando com Luiz Carlos Alves de Oliveira.

Em 1984, David participou ativamente da transferência da fábrica do Cardan para Gravataí. “A função toda foi coordenada pelo Ivo Noll, outra pessoa maravilhosa, que me ensinou muito também, e trabalhei muito nessa operação de transferir tudo pro novo espaço”, lembra. David diz que só saiu da fábrica depois que a última máquina foi desmontada e levada para o complexo industrial de Gravataí.

E o começo na nova fábrica? “Foi muito bom, tinha muita gente nova por lá, desafios novos, e também pessoas que pensavam diferente”, diz. David seguiu trabalhando na área da manutenção fabril, até que, em 88, um desafio proposto mudaria sua vida.

Ele lembra que o chefe Luiz Carlos chamou-o ao seu escritório e disse que precisava que David aceitasse o grande desafio de ser promovido à Contramestre. De início, isso assustou David, que não havia trabalhado em posição de liderança, mas seu chefe disse que ele ia ficar estudando na Albarus em Porto Alegre para somente depois assumir a nova posição. “Passei meses em Porto Alegre, na ATH, Albarus Transmissões Homocinéticas, estudando sem parar – no fim, contabilizei setenta cursos de aperfeiçoamento, liderança, psicologia, recursos humanos, e também técnicos”, enumera.

Ele conta, com orgulho, que se formou em primeiro lugar na turma e, no dia da homenagem feita no Galpão Crioulo, teve que correr bastante para conseguir comparecer – tinha vestibular para Engenharia de Produção no mesmo dia. “Tudo isso me marcou bastante, eu sempre fui um cara muito técnico – muito mais técnico do que administrador – e esta etapa de cursos foi muito importante para aprender a ter mais flexibilidade e também lidar melhor com as pessoas”, afirma.

David também ressalta que aprendeu com muitos colegas e chefes dentro da empresa, que estava passando por um momento de transição importante. “Estávamos na década de 90, e muita coisa mudava dentro da fábrica de cardans – o Alceu Albuquerque era o gerente da fábrica, o Júlio Lobo, da manutenção e eu fui promovido a Mestre e, depois, a Chefe e a Gerente de Manutenção”, diz. Esta foi uma época decisiva para a fábrica, a chegada de uma equipe vinda da operaçõa em Porto Alegre para “revolucionar” a forma com que se trabalhava. “O estilo destas novas pessoas na fábrica era desafiador para nós, eu mudei muito da visão que tinha sobre trabalho – foi muito enriquecedor”, avalia.

Logo passaria a trabalhar com Planejamento Industrial e ressalta que esta mudança trouxe mais autonomia para ele – e responsabilidade. “Eu tinha muito mais liberdade e, assim, conseguia tocar mais projetos e fazer a coisa acontecer – mas sentia falta de estar no chão de fábrica”. Meses depois, caminhando pela operação de cardans junto com Juarez Costa, então seu supervisor, que disse ma frase que lhe marcou: “Tu és responsável por essa fábrica, tens que fazer planos pra ela”. David comentou que precisava de ajuda nas tarefas administrativas, de planejamento, e que precisava ficar mais com as pessoas, direto no chão de fábrica. E assim foi feito: Carlos Assis assumiu o Planejamento, e David ficou com a fábrica, feliz demais. “O Miotti me disse: ‘Toca essa fábrica, se tiver qualquer dificuldade, fala comigo. Uma pessoa fantástica, um veterano dos melhores, que me orientava muito e me aproximou da Diretoria, para participar de decisões importantes da empresa”, afirma.

Em 2003, ele sairia na Dana e, no dia seguinte, entrou na COMAU, empresa terceirzada que cuidava da manutenção da empresa, na época – “mas não me adaptei, parecia um filho traindo a mãe – a Dana era minha casa, meu sangue, e fui me chateando com algumas coisas”, explica. Em 2004, ele saiu da COMAU, para se dedicar ao negócio da família, ficar com a esposa Janice, e aos filhos Fabiana, Daiane, Stefany e David. David também tem 10 netos: Nicole, Tabita, Ariadne, David William, Vitor,Sarah, João, Valentina, Franciele e Samuel.

Sobre sua experiência na Albarus/Dana, é taxativo ao dizer que ainda sonha com os dias de trabalho dentro da fábrica. “Sinto falta da empresa até hoje. A Dana devia me dar uma indenização por todos estes anos trabalhando em casa, são noites e noites sonhando com a fábrica”, brinca ele, “eu sinto muita falta de lá – acho até que não saí de lá ainda, parece que era mais minha casa que a minha própria”, avalia.

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“Sinto falta da empresa até hoje – acho até que não saí de lá ainda, parece que era mais minha casa que a minha própria”.

David Nascimento Luiz