Cláudio Roberto da Silva

Xavier

Sua vida era o chão de fábrica, onde aprendeu muita coisa e conviveu com uma verdadeira família. Com seu jeito calmo, Cláudio Roberto da Silva Xavier deixou sua marca em 26 anos de história da antiga Albarus e afirma, convicto: “tudo, absolutamente tudo, valeu à pena”.

Cláudio nasceu num pequeno distrito de Rio Pardo chamado Ramiz Galvão, o mais velho de onze irmãos que ajudou a criar. O pai, Alcebíades, era ferroviário, e foi transferido para a capital do Estado quando Cláudio era ‘um rapazote de 23 anos’. Todavia, já tinha tido sua primeira experiência profissional como operador de áudio na rádio Rio Pardo. “A cidade estava fadada a não crescer, íamos acabar sendo somente agricultores lá, então todos comemoramos a mudança”, recorda.

De início, Cláudio trabalhou em Porto Alegre como vendedor de mapas – numa época pré-internet e muito antes de ferramentas como GPS e Google Maps, era um negócio promissor. Mas percebeu que era na indústria que queria atuar e, após passar pela fábrica de fogões Guaíba, conseguiu trabalho na Zivi Hércules (hoje Mundial S/A). “Essa empresa me proporcionava muitos cursos e foi num deles que, no SENAI, conheci a turma da Albarus: Antônio Moreira, Márcio Ferreira, Valter Galli… E o Antônio Moreira foi quem virou minha cabeça, dizendo que eu precisava estar na Albarus”, ri ele.

Mesmo se definindo como “um homem de ambições modestas”, quis conferir o que o colega de SENAI tanto falava, e foi fazer entrevista em 1970 para atuar como Auxiliar de Apontador – o homem que ajudava a cuidar do tempo de produção e setup das máquinas. Seu chefe era Otávio Palmas, uma figura que seria central durante toda sua carreira na Albarus, e Xavier ficaria o dia todo dentro da Forjaria. “O que lembro daquele tempo era que a fábrica era ainda pequena, e que tudo era simples. Os processos não eram complicados como são hoje em dia, e tudo era manual no que diz respeito ao controle de produção. Fico imaginando como um jovem dos dias de hoje reagiria ao entrar naquela fábrica…”, reflete. Além de Otávio Palmas, outro de seus superiores na fábrica era Johann Wolfgang Limbacher, de quem tem muitas lembranças. “O Limbacher era nosso gerente de Qualidade e, sempre que qualquer setor fazia um churrasco, ele se escalava para ser o assador – não importava qual fosse o setor, ele queria participar”, ri ele.

Muitos dos seus 26 anos de Albarus foram passados dentro da Forjaria – “eu costumo dizer que me colocaram na Forjaria e esqueceram lá”, brinca, com seu bom humor costumeiro. De início, ele media as peças, sob a supervisão de Juremir Klein, mas logo começaria a se destacar dentro do Departamento de Qualidade devido ao comprometimento e seriedade com que levava o serviço. “O pessoal da fábrica brincava muito, mas eu não era muito disso. Nem apelido ganhei na fábrica, eu gostava de trabalhar e sabia que a empresa era boa, então, esse era meu foco”, diz.

Seu envolvimento com bons resultados era tanto que, quando a empresa precisou de um colaborador para ser Líder do Controle de Qualidade na fábrica de cardans, ele foi o primeiro cotado. “Naquela época, ficamos e, o Valter Galli e o Mário Ferreira como os chefes, um em cada divisão. Sob minha supervisão, ficavam 33 inspetores de qualidade. Era muita gente neste período de expansão da empresa”, diz. A fábrica de cardans já estava em Gravataí, nessa época.

Logo, um novo desafio também aconteceria: a fabricação do cardan agrícola, que ficava em São Paulo, estava agora vindo para a fábrica do Sul. O ano era 1979, e a empresa precisava de alguém com vivência de fábrica para ajudar nessa nova aposta da companhia. “Me designaram, então, para ser o Auxiliar do Encarregado de Produção. Essa missão seria do Controle de Qualidade, então, lá estava eu, que era considerado um braço direito do Otávio Palmas”, recorda.

O desafio era grande: produto novo, métodos novos de fabricação, máquinas diferentes. Mas deu tudo certo, como o planejado. “Não batia cartão, estava sempre disponível para a empresa e podia ter a liberdade de sair para fazer algo na rua, mas também era requisitado em finais de semana, à noite… E era muito feliz”, recorda.

Um episódio inesquecível para Cláudio foi a conquista da Mercedes Benz como cliente da Albarus. “Nunca vi nada igual, a dedicação como a empresa toda se mobilizou e os anos de luta para termos a Mercedes na nossa lista de clientes… Foi algo inesquecível”, relata. Outro momento marcante foi o desenvolvimento da embreagem como novo produto da empresa. “O Paulo Regner, o Cláudio ‘Coxinha’ Vasconcelos e o Jorge Haro trabalharam muito para que isso acontecesse com sucesso, fizeram até visita aos Estados Unidos!”, conta.

Seu novo desafio dentro da empresa seria a Engenharia de Processo, onde começou como auxiliar para atuar no mapeamento e desenho de processos, uma área que estava em pleno desenvolvimento na empresa. Ficou durante dez anos nessa área, muitos deles liderados por Clóvis Kras. “Também trabalhei muito no desenvolvimento de orçamentos para novos produtos desenvolvidos pela Dana, já estava muito em voga a terceirização de peças e era preciso uma vasta rede de bons fornecedores – por isso, trabalhei muito em parceria com Jorge Wallau, que era o Gerente de Compras”, relata.

Desta época, ele lembra que data outra novidade muito celebrada: o primeiro computador que usou na empresa. “Quando trouxeram para o nosso setor, foi a maior festa! A informatização facilitou muito a nossa vida!”, comemorou.

Ainda quando atuava na Engenharia de Processo, começou a dar-se conta da chegada da aposentadoria. “Foi uma época em que muitos que hoje são jubilados da empresa começaram a aposentar-se, e contrataram um profissional de recursos humanos só para atender estes funcionários, o Liberto Hoff”, relata. Em julho de 1996, Cláudio se aposentou por tempo de serviço. “Foi uma coisa boa pra mim, que estava sempre acostumado a trabalhar bastante e ser comprometido – eu era o primeiro a chegar na parada para esperar o ônibus da empresa, sempre fui assim”, diz. Era hora de se dedicar aos seus hobbies – sempre adorou tocar violão (“música sertaneja e samba de raiz são as minhas favoritas”) e bancar o cinegrafista amador. “Também auxílio minha esposa, que trabalha fazendo refeições para senhoras idosas aqui do condomínio onde moramos, e cuido da minha neta mais nova, que ferve pela casa”, sorri ele. “Quando penso na Albarus, sinto orgulho. Por ter deixado minha marca na empresa, por ter sempre sido correto e ter feito tudo com a maior dedicação. A empresa me proporcionou muitas viagens, uma infinidade de cursos, e amizades fortes. As famílias dos funcionários se conheciam, frequentávamos as casas uns dos outros… Isso não tem preço”, conclui.

Cláudio Xavier é casado com Neuza há 46 anos, com quem teve duas filhas: Ângela de Cássia e Andrea Maria, além da filha de criação Inajara. Ângela e Inajara trabalharam na Dana, para grande orgulho dele. Eles também são avós de duas netas: Amanda, de 20 anos, e Giulia, de dois, o xodó da casa.

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“Quando penso na Albarus, sinto orgulho. Por ter deixado minha marca na empresa, por ter sempre sido correto e ter feito tudo com a maior dedicação. A empresa me proporcionou muitas viagens, uma infinidade de cursos, e amizades fortes. As famílias dos funcionários se conheciam, frequentávamos as casas uns dos outros… Isso não tem preço”

Cláudio Xavier da Costa