Almirante

Rosa de Lara

Ele trabalhou durante 33 anos na Dana e sempre como operador de máquina na Divisão de Cardans. Hoje, Almirante olha para essa trajetória com orgulho, respeito e saudades da “melhor empresa do mundo, onde construí minha vida”.

Almirante Rosa de Lara nasceu em Caçapava do Sul, município que fica a 260 km de Porto Alegre. Guri do interior, começou a vida trabalhando em lavoura de arroz, mas sempre sonhou com uma vida melhor. Ainda adolescente, mudou-se para Canoas e foi contratado pela empresa Massey Ferguson, onde ficou até 1975. “Foi quando decidi me mudar para Alvorada e, depois de tirar a carteira de motorista, comecei a busca por um novo emprego. Eu tinha alguns amigos que me indicaram a Albarus e não pestanejei – fui sem medo”, lembra.

Ele foi entrevistado por Antonio Plentz e, já no dia seguinte, começou a trabalhar na fábrica – no dia 18 de fevereiro de 1976, para ser mais exato. “Eu tinha 22 anos de idade e lembro que fui admitido numa conversa informal – naquele tempo, tudo era mais simples – e já gostei do seu Antonio de primeira, uma pessoa maravilhosa e que me ajudou muito na minha carreira”, relata.

Almirante começou a trabalhar como operador de máquina na Usinagem de Cardans. Seu chefe era Antonio Plentz, “um cara humano, que me ensinou muita coisa e era extremamente paciente e bondoso”, reforça. Logo de cara, Almirante já fez amizade com os colegas de fábrica e lembra com carinho das brincadeiras e de toda a ajuda que recebeu deles também.

Ele diz que trabalhou na Albarus – e, depois, Dana – numa época de muito trabalho e viu a fábrica mudar de estilo rapidamente. “Quando comecei, era tudo bem rústico mas, em seguida, a fábrica começou a se modernizar rapidamente e, quando eu me aposentei, algumas operações já eram feitas por robôs, algo impensável na década de 70”, diz. “E não foi só isso – o layout, a pintura, os relacionamentos entre chefia e funcionários… Tudo se aprimorou muito – hoje em dia, essa gurizada jovem que opera máquina não tem do que se queixar, toda vez que entro na Dana vejo a empresa melhor ainda e mais moderna a cada dia”, comemora.

Almirante também lembra de quando a empresa incentivou-o a fazer cursos no SENAI, no início da década de 80. “Aprendi bastante sobre outros processos produtivos da empresa e isso me ajudou até a trocar de setor – depois do curso, fui do Terminal Leve para o Terminal Pesado, onde fiquei por 3 anos”, conta. Ele conta que, também, chegou a atuar como Encarregado e também na fábrica de Juntas Homocinéticas – na montagem e retífica, cobrindo as férias dos colegas que trabalhavam lá. “A Junta Homocinética era a ‘menina dos olhos’ da empresa, todo mundo queria estar lá – vendíamos muito este produto na época e foi um tempo de bastante trabalho e também de realização”, explica.

Quando não estava cobrindo as férias dos colegas da fábrica de Juntas Homocinéticas, Almirante atuava em diversos setores da fábrica de Cardans – “acho que não teve máquina que eu não operei ali dentro”, ri ele – e lembra que, depois de alguns anos, passou a ser bastante respeitado pelos colegas mais jovens da empresa.

Além da amizade, Almirante tem saudade dos movimentos e solidariedade dentro da empresa. “Quando sabíamos que alguém passava por necessidade ou doença, organizávamos campanhas dentro da fábrica para ajudar e alguns casos me marcaram demais, me sinto agradecido por ter ajudado quem precisava e também por ver que, de fato, a empresa era uma família”, diz.

E foi outro ato de doação que marcou também a carreira de Almirante – em 2001, ele foi eleito como representante dos funcionários para acompanhar o então presidente da Dana, Hugo Ferreira, numa cerimônia de doação para o Hospital da Criança Santo Antônio. “Agitamos uma campanha dentro da fábrica e arrecadamos uma determinada quantia para doar ao hospital – a empresa havia se proposto a dobrar o valor que arrecadamos, então a campanha foi intensa dentro da fábrica”, conta, “eu assinei o mesmo livro que o seu Hugo Ferreira, fui vestido com o uniforme da fábrica e tudo, foi inesquecível”, diz, orgulhoso.

Em 1995, Almirante se aposentou, mas ainda trabalhou por mais 13 anos na empresa, totalizando 33 anos de Dana. “A Dana é muito importante na minha vida. Depois que saí de lá, todos os dias, eu acordava num pulo achando que estava atrasado pra ir pra empresa – isso quando eu não sonhava a noite toda que estava na retífica de cruzetas. Foi um tempo bom que me trouxe infinitas memórias maravilhosas”, conclui.

Apesar de ter sido difícil no início, hoje ele está adaptado à vida de aposentado e vive para curtir os netos Micaela, Miguel, Jéssica, Carolina, Juliana e Alice – e seus filhos Cristiano, Greice, Matheus e Leonardo também enchem-no de orgulho. “Tenho muito orgulho, todos são trabalhadores e me sinto realizado ao olhar para eles”, conclui.

Almirante Rosa de Lara

“A Dana é muito importante na minha vida. Depois que saí de lá, todos os dias, eu acordava num pulo achando que estava atrasado pra ir pra empresa – isso quando eu não sonhava a noite toda que estava na retífica de cruzetas. Foi um tempo bom que me trouxe infinitas memórias maravilhosas”

Almirante Rosa de Lara