Clássicos do Rock II

Clássicos do Rock II

Homenagem ao rock and roll

Clássicos do Rock II
Panta, Vanessa Longoni, Tiago Flores, Andre Matos, Chico Padilha e Orquestra da Ulbra - Foto: Marcos Massa

Na noite de 29 de novembro, o Salão de Atos da Ufrgs, em Porto Alegre, celebrou dois espetáculos para celebrar o ritmo que mudou a música no século XX: o rock and roll. Fechando a temporada 2008 dos Concertos Dana, reuniram-se no palco a Orquestra de Câmara da Ulbra, regida por Tiago Flores, e os convidados Andre Matos, Chico Padilha, Panta e Vanessa Longoni, para relembrar os clássicos que fizeram história na música popular, repaginados em versões eruditas.

Foram dois shows, um às 18h e outro às 21h, com o mesmo repertório e convidados. O Salão de Atos ficou quase lotado nas duas, e o público era de todas as idades. Para surpreender, o maestro Tiago Flores começou o espetáculo com a Orquestra sozinha no palco, tocando “O Verão”, das Quatro Estações de Vivaldi – uma peça erudita com ares e ‘pegada’ de rock and roll. Depois desta abertura arrebatadora, subiu ao palco Vanessa Longoni, cantora com formação erudita e popular, que lançou recentemente seu disco ”A Mulher de Oslo”, muito elogiado pela crítica. Ela cantou “Pinball Wizard”, dos ingleses do The Who, que fez sucesso interpretada por Elton John no filme “Tommy”. O arranjo de Pedrinho Figueiredo ressaltou a vivacidade da música, que Vanessa cantou com emoção e vigor indescritíveis. Mais tarde, ela confessaria: “não sou uma cantora com formação roqueira, mas amei fazer este Concerto. É um estilo muito diferente, com outra linguagem, e acho que a mistura com a música erudita enriqueceu muito o rock”.

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Chico Padilha – Foto: Marcos Massa
Em seguida, era a vez de Chico Padilha, que já participou como convidado nos outros dois Concertos Dana especiais de Clássicos do Rock. e tocou em diversas bandas, como Rush Cover, Kooks e Dama da Noite. Ele subiu ao palco para interpretar “Crying”, do Aerosmith, que ganhou arranjo de Daniel Wolff. A voz límpida de Chico cantou a música e, na hora do refrão, foi acompanhado em uníssono pela platéia. Assim como Vanessa Longoni, Chico saiu do palco ovacionado. Era a vez de Andre Matos, regente, compositor, arranjador, orquestrador, cantor lírico e popular e multi-instrumentista. Ex-vocalista das bandas Viper, Angra e Shaaman, agora está em carreira solo. Ele interpretaria um clássico do heavy metal melódico, “Eagle fly free”, do Helloween. O público, lotado de fãs de Andre, veio abaixo: Andre foi aplaudido em pé. “Este Concerto realiza o sonho de todos nós de ver o rock mesclado à música erudita, a sinergia que sentimos com a platéia foi incrível”.

Panta foi o próximo convidado – cantor e compositor de muitos anos de estrada, lançou seu disco ”Uma pequena porção de vida” no começo deste ano. Ele cantou a versão de Joe Cocker para “With a little help from my friends”, famosa pore star na abertura do seriado “Anos Incríveis”. Com um arranjo de Pedro Figueiredo, sutil e suave no começo, chega ao ápice com a entrada do coro, formado por Atos Flores, Debora Dreyer, Iuri Correa e Rose Carvalho. Panta, com grande presença de palco, emocionou-se muito durante a interpretação da canção dos Beatles. “Participar deste show foi uma emoção esfuziante”, disse ele.

Chico Padilha voltava ao palco para cantar “Release release”, do Yes, de letra longa e quase 6 minutos de duração. Marquinhos Fê fez um longo solo de bateria, bem ao gosto dos fãs de rock progressivo, e Chico alcançou todos os agudos de John Anderson e o complexo arranjo de Rodrigo Bustamante, como sempre, não deixou a desejar.

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Andre Matos e Orquestra – Foto: Marcos Massa
Panta e Vanessa Longoni encararam um desafio: Vanessa faria o complicadíssimo solo vocal de “The Great gig in the Sky” e ele cantaria “Time”, do Pink Floyd, em seguida. “Essa era a música com que mais me preocupei. Eu queria fazer o solo igual ao original, mas sabia que isso ia ser dificílimo. Meu timbre de voz não é igual ao da cantora que gravou o solo, por isso improvisei”, contou Vanessa. Panta entrou logo em seguida, acompanhado pelo coral, no delicado arranjo de Michel Dorfman, que fez uma participação nesta música tocando teclado. Depois dos clássicos do Pink Floyd, era a vez de “Sabbath Bloody Sabbath”, tocada pela Orquestra de Câmara da Ulbra, num arranjo de Arthur de Faria.

Panta voltou para cantar uma música de uma de suas bandas favoritas, o U2. A canção era “Bad”. “Sou movido por desafios – sem eles, eu não existiria. Cantar uma música que gosto tanto era um desafio, sem dúvida, assim como participar deste show tão magnífico sem fazer feio”, disse Panta, sempre humilde. A bateria bem marcada, marca registrada de muitas composições de Bono Vox, estava lá, e o silêncio absoluto do público revelava a ruidosidade do aplauso que estava por vir. Um sucesso absoluto.

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Vanessa Longoni, Panta e Orquestra – Foto: Marcos Massa
A décima música foi “Love me two times”, do The Doors, cantada por Vanessa Longoni. Já mais solta, ela encarnou o espírito roqueiro de Jim Morrison com perfeição e elegeu esta sua participação favorita no show. “Me diverti muito durante esta música”, disse ela. O arranjo leve de Daniel Wolff deu margem à interpretação sutil e inusitada de Vanessa para o clássico da banda americana.
Em seguida, Andre Matos voltava ao palco para cantar “Fairy Tale”, música de sua autoria quando ainda integrava a banda Angra. O arranjo foi feito por Iuri Correa que, durante os ensaios, pediu a opinião e toques de Andre, que ficou muito satisfeito com o resultado. Acompanhado em coro pelos fãs, Andre cantou aquele que foi seu momento favorito no show. “A música soou muito bem, a união da música erudita e do rock quebra barreiras e o público quer ver isso acontecer”, disse.

Antes do Concerto começar, Chico Padilha comentou que um dos únicos professores de canto que teve na vida foi Freddie Mercury. “Eu ouvia os discos do Queen e ficava cantando por cima da voz dele. Nunca sonharia em interpretar um clássico deles”. Acompanhado pelo coral, ele encheu o Salão de Atos numa versão que nem o próprio Queen ousava fazer ao vivo – a banda inglesa usava playback para os complicados vocais de “Bohemian Rhapsody” quando tocava-a ao vivo. O guitarrista Ângelo Primon fez um solo arrepiante, e Chico posicionou-se mais atrás do palco, junto ao coral, para cantar o complicado refrão da música em perfeita sintonia com ele. O resultado? Todos aplaudidos de pé. Emocionante é pouco.

Outro famoso clássico viria em seguida: “Stairway to heaven”, do Led Zeppelin, cantada por Panta com a ajuda dos 4 vocalistas do coral. A introdução inconfundível da guitarra precedeu a flauta de Pedro Figueiredo e a entrada da voz delicada de Panta. Os violinos dedilhados, a suavidade do vocal, os graves cuidadosos dos contrabaixos… tudo casou perfeitamente.

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Final do concerto: consagração do rock! – Foto: Marcos Massa
“Acho que agora vai ser ‘Fear’”, disse um jovem metaleiro na platéia, alto o suficiente para que as pessoas ouvissem. Só faltava essa música a ser executada, segundo o programa do show. Andre Matos voltava ao palco para cantar um dos maiores clássicos do Iron Maiden, uma de suas bandas favoritas. Aos primeiros acordes da introdução, a platéia fez coro e foi para a frente do palco para ajudar o cantor a fazer bonito interpretando um clássico do heavy metal. “O que vale à pena na carreira artística é esse feedback positivo do público, que foi à loucura durante vários momentos do show. Isso faz tudo valer à pena. Foi uma experiência maravilhosa participar deste projeto, Porto Alegre tem o privilégio de ter espetáculos assim”, disse o músico. O arranjo de Arthur Barbosa, a participação do público, a emoção de Andre e do maestro Tiago Flores… foi o fechamento perfeito.

No bis, eles voltaram ao palco todos juntos para cantar e tocar o refrão de “Stairway to heaven” e, no Concerto das 21h, uma nova execução de um trecho de “Fear of the dark”. Cantada em altos brados pelo público, consagrou a Orquestra de Câmara da Ulbra e os quatro convidados que, junto dos músicos e vocalistas convidados, lavaram a alma. Um belo encerramento da temporada 2008 dos Concertos Dana. Inesquecível.

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