Volkswagen faz acordo com sindicatos para corte de 30 mil empregos

Reuters

 

A Volkswagen e sindicatos de trabalhadores acertaram um acordo para corte de 30 mil empregos na marca central do grupo automotivo em troca por compromisso da empresa de evitar novas demissões forçadas na Alemanha até 2025.

 

Além da Alemanha, as vagas a serem eliminadas estão na América do Norte, Brasil e Argentina, informou a companhia, sem dar detalhes. Cerca de 120 mil funcionários trabalham para a marca Volkswagen na Alemanha, incluindo 6 mil temporários.

 

Procurados no Brasil, representantes da Volkswagen não comentaram o assunto das demissões no grupo. A empresa emprega no Brasil cerca de 20 mil funcionários em quatro fábricas.

 

Na semana passada, o presidente da companhia para América do Sul, Central e Caribe, David Powels, anunciou investimentos de 7 bilhões de reais no Brasil até 2020.

 

Os cortes de vagas foram anunciados no mesmo dia em que a empresa divulgou plano de recuperação que pretende gerar 3,7 bilhões de euros em economias anuais até 2020 e elevar a margem operacional da marca Volkswagen para 4%, ante 2% esperados para este ano.

 

A meta, porém, continua abaixo do desempenho apresentado por rivais europeias como a Renault e Peugeot-Citroen, que miram margem operacional de 6% em 2021.

 

A Volkswagen, maior montadora da Europa, tenta superar o escândalo em que burlou testes de emissão de poluentes de veículos com motores a diesel, que deixou o grupo alemão diante de bilhões de euros em potenciais multas e acordos judiciais.

 

Os cortes de vagas vão vir com a promessa da companhia de criar 9 mil posições na área de produção de baterias e serviços de mobilidade em fábricas na Alemanha, como parte da estratégia do grupo em investir em veículos elétricos e direção autônoma.

 

“Teremos que investir bilhões de euros em novos carros e serviços enquanto os rivais vão nos enfrentar, a transformação será certamente mais radical que tudo que experimentamos até agora”, disse o presidente-executivo da marca VW, Herbert Diess, a jornalistas.

 

Corte fundo o bastante?

 

Alguns especialistas argumentaram que os cortes de custos no grupo não são profundos o bastante.

 

O investimento em pesquisa e desenvolvimento e equipes tem crescido há anos, diante da necessidade de se atualizar a base de custos da empresa.

 

“O acordo pode ter sido o melhor que a companhia conseguiu com sindicatos, mas não é uma vitória para nenhum dos lados”, disse Erick Gordon, professor da Universidade de Michigan. “Os cortes são muito pequenos para tornar a VW competitiva diante da Toyota e outros rivais globais”, acrescentou.

 

Com cerca de 610 mil empregados no mundo, a Volks produziu no ano passado menos veículos que a Toyota, que tem um quadro de 350 mil funcionários. A empresa alemã também tem se mostrado lenta em encerrar produção de veículos não lucrativos de sua base de 340 modelos.

 

Os representante sindicais da Volkswagen afirmaram que a direção da companhia concordou em evitar demissões forçadas na Alemanha até 2025, um passo que abre caminho para cortes de 23 mil empregos por meio de instrumentos como aposentadorias antecipadas, redução de vagas que não são em tempo integral e programas de demissão voluntária. (Reuters/Andreas Cremer e Jan Schwartz)