Montadoras elevam vendas a prazo, mas juros ainda restringem retomada

DCI

 

A indústria automotiva começa a delinear sinais de retomada. Porém, alguns fatores impedem uma recuperação mais consistente, como a falta de crédito. Apesar da participação do financiamento nas vendas ter crescido, a tendência ainda é de restrição.

 

Historicamente, as vendas a prazo representam 60% dos emplacamentos de veículos novos no País, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em agosto, essa fatia era de 53% do total de veículos comercializados, um pouco acima do nível registrado no final do primeiro semestre, em torno de 50%.

 

“Ao menos esse índice parou de cair, mas os bancos continuam seletivos”, afirmou na terça-feira (6) o diretor executivo da Anfavea, Aurélio Santana, na divulgação de balanço mensal do setor.

 

De acordo com relatório da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef), referente ao primeiro semestre de 2016, o saldo em carteira de crédito era de R$ 169,3 bilhões, uma queda de 14,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

 

A Anef refez ainda sua projeção para o ano e prevê que o volume de recursos liberados para financiamentos deve recuar 15,8% em 2016, para cerca de R$ 77,5 bilhões.

 

Na visão de Santana, o aumento da participação dos financiamentos nas vendas de veículos novos depende de um recuo dos juros, que se não ocorrer via taxa básica (Selic), só virá dos bancos, mas de forma voluntária.

 

“Ainda assim, isso deve ocorrer de forma bastante gradual”, avalia o dirigente.

 

A queda acumulada das vendas de veículos no ano é de 23,1%, segundo balanço da Anfavea. No entanto, na passagem de julho para agosto, os emplacamentos saltaram 1,4% e a média diária de vendas parou de cair, permanecendo em cerca de 8 mil unidades. Assim, a agosto registrou o melhor desempenho mensal de 2016.

 

“Com a definição política, vivemos um novo começo para o País. Houve uma perda de tempo muito grande”, avaliou o presidente da Anfavea, Antonio Megale. Para ele, o Brasil precisa voltar a investir e fazer as “reformas necessárias” para alavancar a economia, como a trabalhista e da previdência.

 

“Agora é a hora da virada para que o setor possa voltar a ter um nível global de competitividade”, destacou o dirigente.

 

No entanto, as vendas de caminhões continuam apresentando quedas. “O ponto de preocupação da nossa indústria ainda é o segmento pesado”, comenta Megale.

 

Em agosto, os emplacamentos de caminhões recuaram 6,1% em relação a julho e 24,3% na comparação anual.

 

“Para o ano, mantemos a nossa projeção de queda aproximada de 30% em relação a 2015”, afirmou o dirigente da Anfavea para caminhões, Luiz Carlos de Moraes.

 

De acordo com Megale, a volta do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é essencial para impulsionar as vendas de caminhões. “Para tanto, investimentos em infraestrutura serão muito importantes”, salienta.

 

Produção

 

Apesar da ligeira recuperação dos emplacamentos e das exportações em alta, a produção em agosto apresentou queda de 6,4% em relação a julho.

 

Megale atribuiu o resultado basicamente à parada de produção da Volkswagen, que enfrentou problemas com um fornecedor e teve que paralisar suas linhas por alguns dias.

 

“Se não fosse por isso, provavelmente a produção teria crescido”, pondera. No acumulado do ano, o setor produziu 20,1% menos do que no mesmo período de 2015, totalizando 1,38 milhão de unidades.

 

Já as exportações mantêm a trajetória de crescimento. De janeiro a agosto, as vendas ao exterior cresceram 19,6%, para 312,3 mil unidades.

 

“Acreditamos que o setor poderá atingir a meta de exportar mais de 500 mil veículos neste ano”, declarou Megale. (DCI/Juliana Estigarríbia)