Carrinho é coisa de gente grande

Diário do Grande ABC

 

Quem pensa que pilotar carrinhos de controle remoto é brincadeira de criança está enganado. O automodelismo (como é conhecida a prática) está caindo cada vez mais nas graças dos adultos.

 

No Grande ABC existe até organização para os fãs da modalidade. A AARC do ABC (Associação de Automodelismo Rádio Controlado do ABC) reúne 40 pessoas por dia aos fins de semana e feriados – na Avenida dos Estados, com acesso pelo estacionamento do Sam’s Club de Santo André.

 

O espaço tem uma pista de 255 metros. O tempo necessário para completar uma volta é de 17 segundos. Além disso, há duas opções de traçado, no sentido horário ou anti-horário.

 

De acordo com o presidente da associação, César Salvadori, um dos motivos do crescimento da categoria nos últimos dez anos foi a internet, que aumentou o número de informações e a oferta de produtos. “Outro motivo é a transmissão de pai para filho. Pessoas de 30 anos que não tiveram carrinho realizam o sonho passando a paixão para os filhos.”

 

Salvadori também explica que o automodelismo possui campeonatos estaduais, nacionais e mundiais. A pista do AARC recebe, por ano, de duas a quatro etapas do torneio paulista e uma corrida da competição nacional.

 

E velocidade é o que não falta. Os modelos para iniciantes chegam a 60 km/h e os profissionais batem nos 100 km/h!

 

Comércio especializado

 

Por mais que o crescimento do automodelismo esteja concentrado nos últimos cinco anos, a paixão e a procura por produtos é antiga. Em São Caetano, por exemplo, a loja Concept Modelismo atende os fãs desde 2003.

 

O dono do estabelecimento, Leandro Negrin, explica que o negócio surgiu como hobby e acabou se transformando em profissão. “Eu fazia os modelos em casa e eles rendiam bem na pista. Algumas vezes me ofereciam dinheiro para vender o carro. Com o valor que eu recebia, comprava outros e alguns acessórios, a partir daí a coisa cresceu.”

 

Negrin explica que o preço de um automodelo para iniciantes varia entre R$ 1.000 e R$ 1.500. Já os profissionais podem custar até R$ 15 mil.

 

Existem três tipos de escala de carrinho em proporção ao tamanho original. A menor é a 1:10, a intermediária 1:8 e a maior 1:5. Além disso, há categorias on-road e off-road.

 

O dono da loja conta ainda que muitas pessoas saem em busca de personalizações dos veículos. “O pessoal procura bastante os carros antigos e os temas de filmes como Os Caça Fantasmas, Herbie e Velozes e Furiosos. Cada um traz sua ideia e a gente deixa fiel ao original.”

 

Mecânica

 

Os automodelos podem ser a combustão ou elétricos. No primeiro caso, funcionam com motor dois tempos de combustão interna. O combustível é uma mistura de álcool metílico, nitrometano e óleo sintético, que custa R$ 50 o litro. Com essa quantia é possível pilotar por até quatro horas.

 

Já os modelos movidos a eletricidade têm motor trifásico e usam uma bateria de 7,4 a 22,5 volts. Os carros da escala 1:5 têm variantes que usam gasolina comum – com o mesmo motor dois tempos. Os controles remotos funcionam por radiofrequência, com sistema de 2.4 Ghz.

 

Como em carros de escala 1:1, é necessário haver manutenção preventiva logo após terminar a brincadeira. Os cuidados são importantes para manter a longevidade dos brinquedos, que, bem cuidados, podem rodar por até 15 anos.

 

Crise

 

Negrin afirma que sua loja chegou a ser afetada pela crise econômica, perdendo cerca de 40% das vendas no último ano. De acordo com ele, “a primeira coisa que a pessoa faz nessas horas é tirar o supérfluo”. Outro motivo é que a maioria dos produtos é importada e a alta do dólar torna a compra dos equipamentos ainda mais cara. (Diário do Grande ABC/Vinícius Claro)