Cultura Itinerante

Cultura Itinerante

Calendários, livros e exposições – nascia o Dana Cultural

Cultura itinerante
Lampião – uma viagem pelo cangaço

Não é de hoje que a Dana investe em arte, cultura e preservação do meio ambiente. Estas iniciativas formam a base do Dana Cultural, que há décadas nos impulsiona a repassar às comunidades onde estamos instalados uma parcela do resultado obtido com o desenvolvimento, produção e comercialização de nossos produtos e serviços.

Tudo começou em 1984, quando a Dana abandonou as fotos de mulheres nuas nos tradicionais calendários e começou a investir em temas culturais. O calendário Miniaturas foi o embrião do projeto Dana Cultural, com fotos e textos sobre miniaturas de automóveis produzidas por artesões de todo o país. A mudança foi surpreendente: nosso calendário, que antes enfeitava paredes de borracharias, passou a frequentar os escritórios das grandes montadoras.

Em 1985, o assunto escolhido pela Dana para o segundo calendário temático foi a flora e a fauna da Serra do Mar. Fotos de regiões, ecossistemas, plantas e animais ameaçados de extinção fizeram desta ação muito mais do que um simples calendário, mas um rico material didático. Um dos destaques foi o registro fotográfico de um macaco monocarvoeiro, espécime rara em extinção. Uma ação com a SOS Mata Atlântica inaugurou o que passou a se tornar comum na Dana: as parcerias culturais. Doamos calendários para comercialização na ONG, o que gerou verbas para atividades de preservação.

Ainda investindo em calendários culturais, em 1986, a Dana resolveu contribuir de uma forma criativa com a discussão sobre o novo código de trânsito brasileiro que começava a ser esboçado naquele ano. Realizou uma pesquisa sobre a origem dos principais sinais de trânsito. Nascia a História da Sinalização de Trânsito, uma saga bem-humorada em formato de calendário. O sucesso foi tamanho, que o calendário virou material didático para bibliotecas e entidades educacionais.

Em 1987, a Dana deu seu primeiro grande salto em projetos culturais: produziu o seu primeiro livro, Ninhal. Para isso, foi montada uma expedição ecológica – formada por biólogos, zootécnicos e fotógrafos – que viajou para o Pantanal do Mato Grosso em busca de um local que reúne milhares de aves de grande porte para procriação. A cruzada rendeu mais de 3.000 fotos, textos e vídeos. A ação, que também envolveu prefeituras, bibliotecas, zoológicos e universidades, distribuiu mais de 1.000 exemplares para entidades ecológicas.

Em 1989, mais uma inovação: além de livro, exposição. Afinal, quem não se emocionou com as histórias maravilhosas contadas por nossos avós onde seres fantásticos reinavam assustando-nos com seus poderes e mágicas impressionantes? Saci, Lobisomem, Mula-Sem-Cabeça, Curupira. Estes e tantos outros personagens da literatura popular brasileira fizeram parte do livro Lendas Brasileiras, editado pela Dana. O sucesso foi tão grande que exigiu uma segunda edição do livro, além de uma exposição itinerante que viajou pelo Brasil durante anos.

Em 1993, foi a vez do lançamento do livro Do Taim ao Chuí, uma prova de que ecologia também é arte. Publicado pela editora Empresa das Artes, a obra reuniu um trabalho minucioso de pesquisa fotográfica e documental no extremo Sul do Brasil. Foram nove meses de trabalho de Paulo Nogueira Netto, que escreveu o texto, e do fotógrafo Alex Soletto. O resultado? Aproximadamente 2.000 fotos e um texto rico, documento vivo da nossa natureza.

Uma entrevista na televisão com Orlando Villas Bôas inspirou a Dana a produzir, em 1995, um dos maiores registros sobre a atividade sertanista no Brasil: o livro e a exposição Guerreiros Sem Espada. O livro narra os quase 50 anos de convivência dos irmãos Orlando e Cláudio Villas Bôas com os índios brasileiros. Todo o material foi produzido com base no acervo particular da família. Além do livro e da exposição, que rodou por várias cidades, o tema também gerou seminários sobre cultura indígena em universidades, contando com a presença de Orlando Villas Bôas.

Em 1998, a Dana patrocinou a publicação de um livro do pesquisador Michel von Behr: Guarakessaba – passado, presente, futuro. Com apoio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto marcou o início da segunda fase do nosso programa de investimentos em cultura. O livro traça um interessante retrato da região de Guaraqueçaba, no Paraná, dando uma visão panorâmica de seu passado, de seu presente e apontando soluções possíveis para um futuro ideal. É uma obra que ressalta uma parte importante do patrimônio ambiental do Brasil e mostra, com muitas fotos, imagens desta exuberante região do nosso país.

Em 1999, mais um projeto com repercussão nacional: Lampião, uma viagem pelo cangaço – livro e exposição repleta de imagens e infográficos. O projeto foi resultado de um intenso trabalho de organização, pesquisa e produção realizado pela Dana com o suporte e apoio da jornalista Vera Lúcia Ferreira – neta do cangaceiro – e do historiador Antonio Amaury Corrêa de Araujo, um especialista apaixonado que já publicou vários livros sobre o tema. A exposição passou dois anos visitando várias cidades do país e ampliando a fama de Virgulino Lampião.

Em 2000, para comemorar os 500 anos do descobrimento do Brasil, a Dana lançou um livro e uma exposição que percorreu o país: Brasil: Terra à Vista, uma visão inusitada e bem-humorada da história brasileira, produzida pelo controvertido escritor Eduardo “Peninha” Bueno. Com ilustrações de Edgar Vasques, os textos retiram o véu de romantismo da tradicional história brasileira, levando o público a um novo posicionamento em relação ao passado. Eduardo Bueno foi buscar as raízes deste grande conto e, usando seu talento jornalístico, colecionou fatos, ordenando a história em começo, meio e consequências.

Em 2001, a Dana e a ONG Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira – produziram uma mostra que resgatou os momentos mais significativos da história da televisão no país: Janela Mágica – Memórias da Televisão Brasileira. Assim como a ONG, a mostra foi dirigida por Vida Alves, atriz que protagonizou o primeiro beijo na boca na TV brasileira, com o então galã Walter Foster, em 1951. A mostra conta com vários depoimentos de personalidades da televisão brasileira e com 200 fotos que retratam a trajetória desta mídia, desde a época em que tudo acontecia ao vivo.

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