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Maria Elena Johannpeter
Por um Rio Grande voluntário. Imagem: Mathias Kramer

A Parceiros Voluntários é mais do que uma ONG. Além de ser uma das principais marcas do Terceiro Setor no Rio Grande do Sul, a ONG tem uma missão pioneira desde sua criação: estimular, captar, capacitar e encaminhar voluntários às organizações sociais. É um trabalho muito bem direcionado, que começou em 1997 e, hoje, também promove cursos de capacitação gerencial e desenvolvimento de lideranças para organizações do Terceiro Setor. Referência em todo o país, a Parceiros Voluntários propõe um desafio pessoal para quem participa de seus projetos: envolver-se na história de vida de quem está recebendo a sua ajuda, e o inverso também. Os números da ONG são superlativos, assim como os desafios que buscam vencer. Confira a seguir a entrevista com Maria Elena Pereira Johannpeter, Presidente-Executiva Voluntária.

Como começou a Parceiros Voluntários? Desde quando ela existe, e como surgiu a ideia inicial de criar esta Organização Não-Governamental?

Eu tinha esse plano de criar uma Fundação que atendesse crianças de zero a seis anos e comecei a fazer pesquisas em nível nacional e internacional, queria muito começar a trabalhar com isso. Conversei, então, com o Presidente da Federasul, Mauro Knijnik, e ele sugeriu, junto com o Humberto Ruga, que eu criasse um projeto de assistência social dentro da Federasul. Analisamos a minha ideia e constatamos que o projeto tinha uma abrangência pequena e, então, pensamos em fazer algo que ajudasse as pessoas a trabalharem em projetos sociais. Assim, ele tornou-se muito mais amplo.

Fui até um programa de televisão para pedir que cem pessoas se candidatassem para trabalhar como voluntárias. No dia seguinte, cheguei na Federasul e tinha uma fila imensa – que depois descobri ser formada por trezentas pessoas! Perguntei ao porteiro o que era aquilo e ele me disse “parece que um pessoal do quinto andar está selecionando pessoas para trabalhar de graça”. O quinto andar era onde ficava a sala da Parceiros! (risos) Levei um grande susto na hora, mas naquele momento percebi que havia potencial para a criação e aplicação do projeto no Rio Grande do Sul.

Começamos a trabalhar com os cem primeiros voluntários e cadastramos os demais na fila de espera. Aplicamos o projeto piloto durante seis meses e fizemos uma avaliação quando ele terminou, usando o PDCA (ferramenta de qualidade, em inglês Plan, Do, Check e Action). Percebemos que ainda havia muito a aprender, porque houve muitas desistências dos voluntários e das ONGs que eles atendiam. Havia um conflito de expectativas, de linguagens, por isso começamos a fazer a capacitação destes dois lados. Assim, nasceu a Parceiros Voluntários, em 1997. E, como nossa matéria-prima são pessoas, continua sendo um aprendizado constante.

A Parceiros Voluntários é mais do que uma ONG. Além de ser uma das principais marcas do Terceiro Setor no Rio Grande do Sul, a ONG tem uma missão pioneira desde sua criação: estimular, captar, capacitar e encaminhar voluntários às organizações sociais. É um trabalho muito bem direcionado, que começou em 1997 e, hoje, também promove cursos de capacitação gerencial e desenvolvimento de lideranças para organizações do Terceiro Setor. Referência em todo o país, a Parceiros Voluntários propõe um desafio pessoal para quem participa de seus projetos: envolver-se na história de vida de quem está recebendo a sua ajuda, e o inverso também. Os números da ONG são superlativos, assim como os desafios que buscam vencer. Confira a seguir a entrevista com Maria Elena Pereira Johannpeter, Presidente-Executiva Voluntária.

Como começou a Parceiros Voluntários? Desde quando ela existe, e como surgiu a ideia inicial de criar esta Organização Não-Governamental?

Eu tinha esse plano de criar uma Fundação que atendesse crianças de zero a seis anos e comecei a fazer pesquisas em nível nacional e internacional, queria muito começar a trabalhar com isso. Conversei, então, com o Presidente da Federasul, Mauro Knijnik, e ele sugeriu, junto com o Humberto Ruga, que eu criasse um projeto de assistência social dentro da Federasul. Analisamos a minha ideia e constatamos que o projeto tinha uma abrangência pequena e, então, pensamos em fazer algo que ajudasse as pessoas a trabalharem em projetos sociais. Assim, ele tornou-se muito mais amplo.

Fui até um programa de televisão para pedir que cem pessoas se candidatassem para trabalhar como voluntárias. No dia seguinte, cheguei na Federasul e tinha uma fila imensa – que depois descobri ser formada por trezentas pessoas! Perguntei ao porteiro o que era aquilo e ele me disse “parece que um pessoal do quinto andar está selecionando pessoas para trabalhar de graça”. O quinto andar era onde ficava a sala da Parceiros! (risos) Levei um grande susto na hora, mas naquele momento percebi que havia potencial para a criação e aplicação do projeto no Rio Grande do Sul.

Começamos a trabalhar com os cem primeiros voluntários e cadastramos os demais na fila de espera. Aplicamos o projeto piloto durante seis meses e fizemos uma avaliação quando ele terminou, usando o PDCA (ferramenta de qualidade, em inglês Plan, Do, Check e Action). Percebemos que ainda havia muito a aprender, porque houve muitas desistências dos voluntários e das ONGs que eles atendiam. Havia um conflito de expectativas, de linguagens, por isso começamos a fazer a capacitação destes dois lados. Assim, nasceu a Parceiros Voluntários, em 1997. E, como nossa matéria-prima são pessoas, continua sendo um aprendizado constante.

Maria Elena: referência no Terceiro Setor. Imagem: Mathias Kramer

Maria Elena: referência no Terceiro Setor.
Imagem: Mathias Kramer

Como funciona o curso “Gestão para a Sustentabilidade”, que a Parceiros ministra junto com o SEBRAE? Quais os resultados desde que o curso iniciou?

Este curso está nos trazendo resultados fantásticos através dos depoimentos das pessoas que trabalham em ONGs e participam dele. Ele gera um empoderamento incrível para os participantes. Muitas pessoas vêm me dizer que emolduram seus certificados de conclusão do curso e isso me enche de alegria – é o momento em que percebo como o curso é importante para quem o faz. Além disso, realizamos todas quartas e quintas-feiras Reuniões de Conscientização, quando é apresentada a metodologia da Parceiros Voluntários e são esclarecidos os conceitos de voluntariado organizado e exemplificados os benefícios tanto para quem voluntaria quanto para quem recebe. Basta inscrever-se e participar. Para mim, não há retorno melhor do que saber que podemos ajudar as pessoas que querem ser voluntárias e não sabem como – elas nos incluem no projeto de vida delas e, automaticamente, elas são incluídas no nosso também. É uma visão mais pessoal do nosso trabalho e, para mim, a coisa mais recompensadora dele.

Há uma parceria com o Banco Interamericano no que diz respeito à capacitação de pessoal para trabalhar no Terceiro Setor, certo? De que forma funciona?

Este projeto iniciará oficialmente no começo de abril de 2010, quando aplicaremos três projetos piloto. Depois de dois anos de negociação com o Banco Interamericano e diversas visitas deles para verificarem que nosso trabalho era sério e comprometido, conseguimos fechar esta parceria, que resultará no curso “Desenvolvimento de Princípios de Transparência e Prestação de Contas em Organizações da Sociedade Civil”. O curso que ministramos em parceria com o SEBRAE representa a primeira etapa de capacitação para quem deseja trabalhar com voluntariado, e este será o segundo passo. Neste curso, os conceitos de gestão serão aprofundados, e também outras questões importantes, como a forma de abordagem com a iniciativa privada na hora de apresentar projetos para a captação de recursos. Esta parceria é uma grande conquista para nós e as expectativas são as melhores possíveis.

E a captação de recursos, de que maneira é feita? Quais os obstáculos mais encontrados neste aspecto de gerenciar uma ONG, que a senhora encontra mesmo após todos estes anos de experiência?

Hoje, a captação de recursos mudou um pouco. Eu lembro de quando começou a se falar sobre o Terceiro Setor aqui no Brasil, durante a ECO-92, que aconteceu no Rio de Janeiro. Não existia essa conscientização bem fundamentada até este encontro promovido pela ONU que reuniu representantes de 137 países. Ali, nos mostraram que existia o Primeiro Setor (Governo), o Segundo (empresas) e o Terceiro (a sociedade civil organizada dentro de causas sociais). Todos nós aprendemos a “trocar a roda com o carro andando”. Vejo que quem trabalha nas ONGs tem cada vez mais necessidade – e vontade – de profissionalizar este setor, e isso é vital na hora de captar recursos, para que a comunicação com as empresas seja mais eficiente e as expectativas – dos voluntários, das ONGs e das mantenedoras – sejam atendidas. Hoje, acredito que o “pulo do gato” será a união mais eficiente entre estes três setores da nossa sociedade.

A senhora vê alguma mudança no perfil assistencialista histórico no Brasil? Há uma expectativa das pessoas de que as empresas invistam, hoje acontece uma profissionalização do Terceiro Setor, mas a senhora ainda acha que há uma diferença de linguagem e expectativas?

Sim, acredito que esta mudança do perfil assistencialista realmente tenha acontecido no Brasil, mas ainda há o que mudar. Hoje, no governo federal, o Programa Bolsa Família, por exemplo, requer que as pessoas estejam estudando, seja completando o ensino fundamental e médio, seja fazendo um curso profissionalizante, e isso já é um passo adiante. Eu vejo uma conscientização maior hoje – inclusive por parte do voluntariado. Hoje, quem trabalha com isso está aprendendo a buscar expertise para crescer, aprender e oferecer um serviço mais preciso. Hoje, as empresas não buscam a Parceiros Voluntários com esse pensamento assistencialista, elas querem montar comitês internos de Responsabilidade Empresarial. As empresas analisam cuidadosamente os projetos que apoiarão, querem projetos alinhados com sua visão e missão; e as ONGs também estão cada vez mais caminhando em direção ao profissionalismo, percebendo a importância de conhecimentos de gestão, prestação de contas. Tudo isso é um grande indicador de que estamos indo pelo caminho certo.

Como a senhora avalia projetos como a Rede Parceria Social, que envolvem a iniciativa privada, o Governo e as ONGs em torno de uma mesma iniciativa?

Acredito que esta iniciativa é muito boa porque une os três setores para que trabalhem em conjunto para modificar as condições sociais do Estado como um todo. Muitas pessoas têm uma ideia retrógada de que não devem trabalhar com voluntariado porque o governo deve fazer isso sozinho, mas já está provado de que a Responsabilidade Social também é imprescindível. Na minha concepção, as três devem andar juntas – a Responsabilidade Social Individual, a Responsabilidade Social Empresarial e a Responsabilidade Governamental. Sempre digo que se todos os CPFs estivessem conscientes de sua responsabilidade enquanto cidadãos não só seriam mais engajados em projetos de voluntariado, mas também se interessariam mais por buscar ética e transparência por parte do Poder Público. E acredito também que esta noção de Responsabilidade Social Individual também influencia muito as empresas – muitas não contribuem porque não sabem como, outras apenas o fazem para cumprir alguma ordem ou lei, a iniciativa de quem decide quais projetos apoiar, sua disposição de analisá-los e acompanhá-los… Isso é o que faz a diferença.

Depois de todo esse tempo de Parceiros Voluntários, qual sua parte favorita neste trabalho? Qual a cereja no topo do seu dia?

A minha vida tem uma grande cereja no topo, e uma pimentinha também (risos). Todas as noites, eu vou dormir mastigando esta pimentinha, depois de assistir aos últimos noticiários do dia, que mostram toda aquela corrupção, a miséria gerada por ela… Confesso que desanimo, às vezes. Mas a cereja no topo mora justamente na minha vontade de fazer algo para mudar isso, na inquietação que isso me traz como cidadã e como profissional. Acredito que, se eu não fizer nada para mudar isso, estarei me omitindo. Não vou querer ficar de braços cruzados, acredito naquele princípio da física quântica de que tudo o que a gente faz afeta a nossa vida e tem a capacidade de mudar a situação ao nosso redor. Além disso, tenho princípios éticos que me levam a agir e não fazer de conta que o problema não é comigo. Por isso, acordo entusiasmada para um novo dia, sempre, com vontade de fazer diferente. Fazer melhor e contribuir para essa mudança.

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