Ford suspende contrato de trabalho de 1.000 metalúrgicos

AutoIndústria

 

A Ford confirmou ontem terça-feira, 21, que irá suspender temporariamente o contrato de trabalho de 1.000 empregados ligados à produção da fábrica de Camaçari, BA, de 1º de agosto a 31 de outubro. O objetivo, segundo nota da empresa, é adequar o volume de produção à menor demanda do consumidor nesta situação sem precedentes provocada pela pandemia da Covid-19.

 

A empresa não revelou maiores detalhes do acordo firmado com o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, mas a entidade sindical informa que com a negociação foram preservados os salários e os empregos de 1.600 metalúrgicos, dos quais 1.000 na Ford e outros 600 nas autopeças que abastecem suas linhas de produção.

 

O sindicato também revelou que a montadora estuda a implementação de um PDV, Programa de Demissão Voluntária, atualmente em negociação entre as partes: “Ainda não há nada definido e qualquer especulação neste momento é somente boato”, destaca a entidade em seu site. “O que há de concreto é que a proposta de valores apresentada pela Ford foi rejeitada. Foi feita uma contraproposta, que entre outros itens sugere que cada trabalhador que aderir ao PDV receba um carro”.

 

Por envolver prazo de 3 meses, o acordo firmado pelos metalúrgicos de Camaçari vai além da lei sancionada pela presidência da República, que amplia por mais 30 dias a autorização para que empresas reduzam jornada e cortem até 70% do salário do trabalhador. Segundo a Ford, o acerto do lay-off tem por base o artigo 476 da CLT, Consolidação das Leis do Trabalho.

 

Segundo Júlio Bonfim, presidente do sindicato, as negociações priorizaram, em primeiro lugar, a saúde e a vida do trabalhador: “Desde o começo da pandemia estamos discutindo e conquistando medidas que assegurem a segurança no chão de fábrica. Em segundo lugar, estamos conseguindo preservar o emprego e os direitos dos trabalhadores, num momento tão delicado para a saúde pública e a economia do país”.

 

Os 1.600 trabalhadores dos três turnos que entram em lay-off a partir do dia 1º de agosto vão passar por curso online de qualificação do Senai durante o período de vigência do acordo, precisando cumprir a frequência mínima das aulas em pelo menos 75%. Quem não respeitar a carga horária não terá direito à bolsa qualificação (concedida pelo governo federal com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador, como forma de complementação do salário pago pela empresa). (AutoIndústria/Alzira Rodrigues)