Montadoras sofrem revés na China com taxação iniciada por Trump

UOL Economia/Bloomberg News

 

Para BMW, Tesla e outras montadoras globais cujo futuro depende mais e mais do mercado interno da China, qualquer vantagem obtida na redução de tarifas de importação que entrou em vigor esta semana deve durar pouco, devido à guerra comercial armada pelo presidente americano, Donald Trump.

 

Após décadas de promessas para facilitar o acesso ao maior mercado de automóveis do mundo, a alíquota sobre carros importados diminuiu quase pela metade no domingo, para 15 por cento. No entanto, o alívio para fabricantes de modelos montados nos EUA deve terminar em cinco dias, quando uma alíquota de retaliação de 25 por cento deixará seus veículos mais caros.

 

A rixa de Trump com a China ameaça jogar por água abaixo anos e anos de lobby pelas montadoras e arrastar as principais marcas de luxo da Europa, por causa de decisões tomadas na época em que produção globalizada e exportações eram a tendência dominante. Agora, incertezas em torno das implicações das tarifas e medidas de retaliação preocupam lojas e compradores de automóveis em um país onde 24 milhões de veículos foram vendidos no ano passado.

 

“É um pesadelo ter uma taxação adicional de 25 por cento”, lamentou Wang Rongzhen, vice-gerente geral e sócio da Yan’an Jinchi Feike Auto Sales and Service, loja sediada em Shaanxi que importa dos EUA modelos como o Jeep da Fiat Chrysler Automobiles.

 

A menos que Trump recue, em 6 de julho, o governo americano vai colocar tarifas sobre US$ 34 bilhões em importações da China, incluindo componentes de turbinas de energia e motores náuticos. A China vai impor taxas em contrapartida no mesmo dia, incluindo carros fabricados nos EUA. As tarifas sobre os veículos vão anular a redução de 25 por cento para 15 por cento sobre todos os automóveis estrangeiros, que entrou em vigor na China em 1º de julho.

 

As tarifas retaliatórias pela China não poderiam ter chegado em pior momento para fabricantes de carros de luxo. A depreciação do yuan já encareceu os veículos importados e o tombo do mercado acionário local corrói ainda mais o poder de compra dos chineses.

 

“As montadoras americanas que se preparem para sua participação de mercado encolher, ao passo que os consumidores optam cada vez mais por marcas domésticas”, alertou Liu Yuanchun, professor da Academia Nacional de Desenvolvimento e Estratégia da Universidade Renmin, em Pequim.

 

As taxas adicionais ainda podem provocar outras medidas de retaliação. No mês passado, Trump deu ordens para identificação de US$ 200 bilhões em importações chinesas que sofreriam tarifas adicionais de 10 por cento e avisou que o governo americano anunciaria taxação sobre mais US$ 200 bilhões em caso de retaliação.

 

As autoridades chinesas prometeram revidar.

 

Montadoras do mundo inteiro pedem que Trump não adote taxas sobre carros importados. A sul-coreana Hyundai Motor classificou as tarifas como “devastadoras”. A americana General Motors, que traz veículos produzidos no México para vender nos EUA, avisou que pode reduzir as operações americanas e demitir funcionários.

 

Do total de US$ 51 bilhões em veículos importados pela China em 2017, aproximadamente US$ 13,5 bilhões vieram da América do Norte, incluindo modelos fabricados nos EUA por montadoras estrangeiras como a alemã BMW. A China trouxe 280.208 veículos dos EUA no ano passado ou 10 por cento do total de importados, segundo a Associação de Automóveis de Passageiros.

 

Segundo a Ford, é “essencial que os governos trabalhem juntos para reduzir, não elevar, as barreiras ao comércio”. A BMW declarou que seu modelo de negócios depende do livre comércio global. No caso da GM, “temos a filosofia de construir onde vendemos. Praticamente todos os veículos que vendemos na China são construídos na China e praticamente todas as autopeças são adquiridas localmente”. (UOL Economia/Bloomberg News/Ying Tian e Winnie Zhu)