Montadoras brasileiras, o “digital labor” e a cibersegurança

O Estado de S. Paulo

 

A indústria 4.0, ou a quarta revolução industrial, como vem sendo considerada, pode ainda estar distante da realidade do setor produtivo brasileiro, mas algumas empresas começam a dar passos importantes rumo ao sistema produtivo totalmente informatizado.

 

A KPMG, especializada na prestação de serviços profissionais, iniciou o desenvolvimento para montadora local de um programa de “digital labor” – tecnologias para automatizar tarefas realizadas pelos trabalhadores.

 

O nome da empresa que fez a encomenda ainda é mantido em sigilo. O objetivo é substituir processos repetitivos em setores como Recursos Humanos, contas a pagar e faturamento, explica Ricardo Bacellar, responsável pela área automobilística da KPMG.

 

“O processo permite grande economia nessas áreas, que normalmente utilizam mão de obra menos qualificada, o que pode levar a uma série de erros”, afirma Bacellar. Há também importantes ganhos em produtividade. Nesta segunda-feira, dia 8, ele participou em São Paulo do seminário “A indústria 4.0 e a revolução automotiva”, organizado pela publicação Automotive Business.

 

Cibersegurança

 

O projeto, inédito no País, deve estar pronto em até dois anos, prevê Bacellar. Outro projeto inédito desenvolvido pela KPMG é um programa de cibersegurança para outra montadora, cujo nome também não pode ser revelado, por enquanto.

 

De mais longo prazo – cerca de cinco anos –, vai ajudar a indústria a evitar problemas, como ataques de hackers aos sistemas de conectividade, cada vez mais presentes nos automóveis.

 

Será também uma antecipação de programas de proteção ao carros autônomos. O sistema bancário, quando criou os caixas eletrônicos e o internet banking, sofreu ataques que resultaram em grandes prejuízos. “No caso dos automóveis o risco é maior, pois não é apenas dinheiro envolvido, mas vidas”, ressalta Bacellar.

 

Na opinião do especialista, o Brasil não pode ficar esperando que as soluções para a indústria 4.0 cheguem pronta de fora, das matrizes das empresas. “As soluções precisam ser desenvolvidas internamente, de acordo com nossa infraestrutura, nossos descartes e estrutura de dados”. (O Estado de S. Paulo/Cleide Silva)