Mercado já aponta rombo superior a R$ 100 bilhões este ano

O Estado de S. Paulo

 

Às vésperas de o governo entregar as previsões com os parâmetros macroeconômicos do ano que vem, o mercado financeiro se mostrou mais pessimista com o resultado das contas públicas. De acordo com o relatório Prisma Fiscal, uma pesquisa realizada pelo Ministério da Fazenda com bancos, corretoras e consultorias, o rombo fiscal do governo central este ano deve ser de R$ 100,4 bilhões.

 

No mês passado, a previsão já era de déficit, mas um pouco mais otimista, com um resultado negativo de R$ 79,473 bilhões.

 

As expectativas do mercado são mais pessimistas que as do governo, que enviou um projeto ao Congresso Nacional para pedir que o resultado deste ano seja deficitário em até R$ 96,6 bilhões. Com a votação do impeachment, a matéria ainda nem começou a ser apreciada pelos parlamentares. Mas caso os analistas acertem, a meta precisará ser novamente alterada.

 

O governo entregará hoje a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2017, mas o mercado também já fez suas apostas. De acordo com os analistas, o ano também terminará no vermelho, o quarto déficit consecutivo. As previsões apontam para um resultado ainda pior que o de 2016, negativo em R$ 103,514 bilhões. O resultado também teve uma piora de 30% em relação às previsões feitas no mês passado, quando o mercado previa um déficit de R$ 71,329 bilhões.

 

Para o mês que vem, há a esperança de um suspiro e de um resultado positivo. Segundo a pesquisa, abril deverá ser superavitário em R$ 3,620 bilhões. Por mais que seja um resultado positivo, o mercado revisou para baixo a expectativa feita no mês passado, que era de R$5,050 bilhões.

 

Entre os dados que justificam uma piora no resultado de abril está uma queda na arrecadação para este mês e uma elevação das despesas. Os analistas esperam que a arrecadação dos tributos federais some R$ 112,449 bilhões, ante R$ 113,264 bilhões no mês passado. Já as despesas subiram de R$ 94,4 bilhões para R$ 97 bilhões neste mês. (O Estado de S. Paulo)