Fabricantes de caminhões no Brasil têm ociosidade de 50%, avaliam retomada só em 2017

Reuters

 

Os fabricantes de caminhões do Brasil estão trabalhando com um nível de ocupação de sua capacidade de produção no país de 50 por cento e avaliam que uma recuperação do mercado poderia ocorrer apenas a partir de 2017.

 

O segmento encerrou novembro com uma queda acumulada de produção desde janeiro de 47,5 por cento sobre o mesmo período do ano passado, para 71,48 mil unidades, segundo dados informados nesta sexta-feira pela associação de montadoras de veículos, Anfavea. As vendas, enquanto isso, tiveram queda de 46,5 por cento, a 66 mil caminhões.

 

“Hoje não dá para prever uma retomada em 2016, cerca de 70 mil unidades até agora neste ano é um número muito baixo”, disse o vice-presidente da Anfavea Luiz Carlos de Moraes durante a divulgação dos números mensais do setor pela entidade.

 

Segundo ele, depois da queda nas vendas em novembro de 18 por cento sobre outubro e de 61 por cento sobre o mesmo período de 2014, os licenciamentos de dezembro “deve ser muito ruim também” depois da confusão criada pelo governo federal sobre regras de financiamento dos veículos.

 

Perto do fim da vigência do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para contratação de financiamentos para compra de caminhões novos, o governo resolveu antecipar prazo limite para solicitações junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pouco depois reviu a medida mantendo o prazo original do final de novembro.

 

“Pelo terceiro ano consecutivo tivemos mudanças de regras que surpreenderam o mercado e só criaram confusão (…) As operações (de financiamento do BNDES) na prática ficaram quatro semanas paradas”, disse Moraes. “Efetivamente, o BNDES só voltou a aprova operações no final da semana passada e o PSI já acabou”, acrescentou, cobrando regras claras para o segmento em 2016.

 

A incerteza sobre a economia, impactada pela crise política, também afetou o setor de máquinas agrícolas e rodoviárias. As vendas no acumulado de janeiro a novembro têm queda de 33,7 por cento sobre o mesmo período do ano passado, para 42.775 unidades.

 

“A falta de confiança inibe frontalmente a decisão de investir”, disse a vice-presidente da Anfavea, Ana Helena de Andrade. “O PIB cai, as pessoas investem menos e as questões fiscais ficam cada vez mais agudas”, acrescentou.

 

Segundo ela, a maior parte das montadoras de máquinas agrícolas e rodoviárias vai conceder férias coletivas neste fim de ano. Helena acrescentou que após o fim do PSI o programa Moderfrota se tornou a principal forma de financiamento do setor. O programa tem taxa de juros de entre 7,5 e 9 por cento ao ano e financia entre 90 e 100 por cento do valor do bem.

 

“Temos expectativa de que no primeiro semestre do ano vem tenhamos estabilidade de regras para iniciarmos um novo ciclo em que se reduza a crise de confiança e as compras (de máquinas) passem a ser efetivadas”, disse ela. (Reuters)