Consumo de aço no País volta a crescer pela primeira vez desde 2013

Valor Econômico

 

Pela primeira vez desde 2013, o consumo de aço subiu no Brasil durante o ano passado. Mesmo assim, depois da recessão no país e especialmente com a procura bem mais deprimida pelo material nos últimos anos, o nível ainda é menor do que o de 2015.

 

Segundo o Instituto Aço Brasil, o consumo aparente de produtos siderúrgicos – índice que reúne vendas internas das usinas e importações – foi de 19,2 milhões de toneladas em 2017, alta de 5,3%. Apesar de a entrega das companhias locais ter melhorado, foi a busca por produtos estrangeiros que sustentou esse aumento.

 

No ano, as vendas internas chegaram a 16,9 milhões de toneladas, 2,3% a mais do que em 2016. Por outro lado, as importações cresceram 23,9%, alcançando 2,33 milhões de toneladas. Ou seja, cerca de 53% da recuperação do mercado ficou com o aço importado.

 

“É um crescimento ainda muito fraco”, comenta Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Aço Brasil. “Vimos um aumento muito forte do setor automotivo, também de uma base comprimida como a nossa. Mas esperamos que 2018 confirme que 2017 foi um ponto de inflexão”.

 

A demanda pelos produtos siderúrgicas seguiu fraca, apesar do avanço, principalmente porque o segmento de aços longos, mais destinados à construção civil e de infraestrutura, não vivenciou a mesma retomada de planos, usados pelo setor automotivo e eletrodomésticos.

 

O consumo aparente de aços longos caiu 9% no ano passado, para 7,1 milhões de toneladas – menor nível da década. Nesse caso, tanto produtos nacionais quanto estrangeiros sofreram. Já a procura por planos subiu e foram consumidas 11,4 milhões de toneladas, alta de 11%. As vendas internas subiram 5,8% e as importações, 72,3%.

 

“E as perspectivas para a construção ainda não são das melhores”, diz Lopes. “A única coisa que pode acelerar o longo período que nós projetamos para a volta do consumo de 2013 [recorde histórico] é a construção, com edificações em geral e projetos de infraestrutura. Uma das preocupações é que o fomentador dessa área, a Caixa Econômica Federal, está no olho do furacão”.

 

Também de acordo com o Aço Brasil, a produção de aço bruto foi elevada em 9,9% durante 2017, atingindo 34,37 milhões de toneladas. Nesse caso, foi o maior volume exatamente desde 2013, mas influenciado por uma nova unidade destinada majoritariamente à exportação.

 

Sem a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), que iniciou as atividades no segundo semestre de 2016, o aumento teria sido de 5,6%, informa o instituto.

 

Não só a CSP, como todas as outras usinas se voltaram mais ao exterior em 2017. As vendas faturadas das usinas no mercado externo subiram em ritmo bem superior ao das vendas internas, em 12,5%, e totalizaram 14,65 milhões de toneladas. O ganho foi ainda mais intenso em dólares – alta de 33,7%, para US$ 7,24 bilhões.

 

Levando em conta apenas dezembro, o consumo aparente foi de 1,6 milhão de toneladas, 11,5% acima do mesmo mês de 2016, mas praticamente estável ante novembro. As vendas internas subiram 13,4% em comparação anual, mas recuaram 1,5% de um mês para o outro, chegando a 1,41 milhão de toneladas. As importações atingiram 146 mil toneladas – queda de 27,4% e 12%, respectivamente. (Valor Econômico/Renato Rostás)