Retomada em “V” faz indústria convocar produção aos sábados

O Estado de S. Paulo/Broadcast+

 

Em contraste com o quadro de seis meses atrás, quando a pandemia paralisou os parques produtivos, a indústria de bens de consumo agora está convocando jornadas de produção aos sábados para atender as encomendas de fim de ano.

 

O varejo, que vem reagindo mais rápido do que se imaginava desde a flexibilização das quarentenas, tem até o fim do ano um período tradicionalmente mais quente, em razão das promoções de Black Friday, do Natal e da injeção do décimo terceiro salário na economia.

 

Apesar de estarem longe do limite de suas capacidades, as fábricas não conseguem acelerar a produção entre segunda e sexta-feira porque os protocolos de prevenção ao coronavírus impedem aglomerações nas linhas.

 

Em alguns casos, o ritmo também é limitado por atrasos no fornecimento de insumos. A indústria vem apontando insuficiência de uma série de matérias-primas, como aço, resinas e papelão, em meio à combinação de retomada em “V” da produção com recomposição de estoques.

 

A saída, então, tem sido abrir as fábricas também aos sábados, remunerando os funcionários pelas horas extras ou fazendo compensações de dias não trabalhados em emendas de feriados.

 

Fábricas de automóveis, confecções, eletrodomésticos e eletrônicos estão tomando essa medida em diferentes polos industriais do País. A produção também chega a ter semanas de um dia extra na indústria de bens de capital, como as fábricas de caminhões e tratores, onde o impacto da pandemia foi menor, dada a produção agrícola recorde, e as linhas aceleram o ritmo para atender a safra de verão.

 

Nas três maiores montadoras de carros do País, a General Motors (GM) e a Volkswagen realizaram ou programaram sábados de produção, enquanto a Fiat confirma que vem recorrendo a horas extras, sem informar em qual dia da semana.

 

Já na indústria de caminhões, Scania, Volvo e Volkswagen, que produz veículos comerciais no sul do Rio de Janeiro, também vêm agendando produção aos sábados, a exemplo do que faz a CNH Industrial no setor da fábrica de Curitiba (PR) onde são preparados os conjuntos de peças encaminhados à montagem de tratores.

 

Em paralelo, as contratações também estão ganhando força na indústria. A Iveco, por exemplo, reforçou recentemente as linhas da fábrica de caminhões e chassis de ônibus em Sete Lagoas (MG) com 272 funcionários temporários.

 

Além do setor de veículos, parte das fábricas de vestuário passou a produzir de segunda à sábado para atender as encomendas da Black Friday, marcada para 27 de novembro, e Natal. “Todo mundo está rodando a plena carga, e provavelmente teremos menos férias de fim de ano do que normalmente”, afirma Fernando Pimentel, presidente da Abit, a entidade que representa a indústria têxtil.

 

Conforme uma enquete feita pela Abit com associados, mais de 50% informaram que não pretendem dar férias coletivas de fim de ano. O setor também vem abrindo vagas de trabalho desde julho. “São contratações definitivas, não de temporários, porque existe uma demanda mais aquecida em vários segmentos”, conta Pimentel.

 

Na indústria de eletrodomésticos, pelo menos quatro fabricantes da linha branca – categoria que reúne produtos como geladeira, máquina de lavar e micro-ondas – estão produzindo aos sábados, conforme informações levantadas pelo Broadcast com a Eletros, associação que reúne fabricantes de eletroeletrônicos.

 

O mesmo acontece em diversas fábricas de celular e televisão, segundo relata o sindicato dos metalúrgicos do polo industrial de Manaus, onde estão as empresas deste setor. (O Estado de S. Paulo/Broadcast+/Eduardo Laguna)