Mercado projeta queda de 5,1% para PIB no ano

O Estado de S. Paulo

 

Com o avanço da pandemia do novo coronavírus e a perspectiva de retração global, economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central reduziram mais uma vez a projeção para o PIB neste ano e também revisaram suas estimativas para a inflação.

 

A expectativa para o nível de atividade da economia brasileira em 2020 recuou de uma queda de 4,11% para queda de 5,12%, conforme o Relatório de Mercado Focus divulgado ontem pelo BC. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de 2,96%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a projeção de uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,20%, apostando em recuperação da economia uma vez encerrada a quarentena determinada por governadores para tentar evitar a disseminação do coronavírus.

 

Na última quarta-feira a equipe econômica do governo federal também já havia revisado sua projeção para o desempenho da economia neste ano – de uma alta de 0,02% para uma queda de 4,7%.

 

Apesar dessa revisão, a previsão oficial para a contração do PIB brasileiro em 2020 ainda está abaixo da divulgada pelo Banco Mundial, que estima um tombo de 5%, e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê queda de 5,3%.

 

Os analistas do mercado também passaram a prever uma Selic menor no fim do ano. A projeção para a taxa básica de juros passou de 2,50% para 2,25% ao ano. No início do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou os juros em 0,75 ponto porcentual, para 3% ao ano.

 

Inflação

 

Para o IPCA, o índice oficial de preços, a mediana das projeções passou de alta de 1,76% para 1,59% no fim do ano. Há um mês, estava 2,23%. Já a projeção para o índice inflacionário em 2021 passou de 3,25% para 3,20%. Em abril, o IPCA registrou queda de 0,31%, a segunda maior deflação desde o início do Plano Real, como reflexo da retração da demanda.

 

A projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2020, de 4%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

 

O Focus também trouxe a projeção para a produção industrial em 2020, que passou de queda de 3% para queda de 3,68%. Há um mês, estava em retração de 2,25%.

 

Após as sucessivas altas da cotação do dólar nos últimos dias, o relatório também trouxe alteração no cenário para a moeda norte-americana neste ano.

 

A mediana das expectativas para o câmbio até dezembro passou de R$ 5,00 para R$ 5,28 de uma semana para a outra, ante a previsão de R$ 4,80 feita há um mês atrás. (O Estado de S. Paulo/Lorenna Rodrigues)