Mitsubishi vai investir R$ 300 milhões para produzir novo SUV em Goiás

O Estado de S. Paulo

 

Para acirrar a disputa pelo mercado de utilitários-esportivos (SUVs), o que mais cresce em vendas atualmente e que tem liderado anúncios de lançamento por parte das montadoras, a Mitsubishi anunciou na quarta-feira, 7, investimento de R$ 300 milhões para produzir, na fábrica de Catalão (GO), o SUV de médio porte Eclipse Cross, recém-lançado no Japão. Inicialmente o modelo será importado e a nacionalização ocorrerá no segundo semestre de 2019.

 

Este é o primeiro anúncio de investimento do grupo nacional HPE – que representa a Mitsubishi e a Suzuki no Brasil – desde 2010, quando a empresa lançou um plano de R$ 1 bilhão para cinco anos, período em que a fábrica goiana inaugurou linha de pintura e teve a capacidade ampliada para 100 mil veículos ao ano. Hoje, opera com 70% de ociosidade.

 

O anúncio foi feito durante a apresentação de novos modelos da marca japonesa no Salão Internacional do Automóvel, que abre as portas ao público hoje, a partir das 13 horas, no São Paulo Expo. O evento vai até o próximo dia 18.

 

Robert Rittscher, diretor de operações da HPE, afirmou que o dinheiro, fruto de capital próprio do grupo, será usado para adequação da linha de produção, novos equipamentos e treinamento de pessoal. Serão gerados cerca de 200 novos empregos, o equivalente a 10% do quadro atual.

 

“O Eclipse Cross é um veículo global, nosso primeiro produto da aliança global entre Renault, Nissan e Mitsubishi”, disse Rittscher. Ele já negocia com o grupo tríplice a produção futura também da nova Pajero Sport, outro veículo que será importado pela Mitsubishi local, que tem licença para produzir veículos da marca no País.

 

A fábrica de Anápolis também produz o jipe Jimny, da Suzuki, em versão com câmbio manual. O modelo com câmbio automático, o Jimny Sierra, será importado a partir do segundo semestre do próximo ano.

 

Nacionalização

 

Outra fabricante de Goiás, a Caoa Chery, informou na quarta-feira que vai montar dois novos SUVs na fábrica de Anápolis, o Tiggo 5x, a partir de dezembro, e o Tiggo 7, em janeiro. O grupo também já estuda a produção da nova geração do SUV, o Tiggo 8 (todos expostos no salão), segundo informou o presidente da Caoa Chery, Marcio Alfonso.

 

Neste mês, a empresa iniciou a montagem do sedã Arrizo, em Jacareí (SP). Os três modelos são da chinesa Chery, empresa com a qual a Caoa – que produz alguns veículos da coreana Hyundai sob licença – fez parceria há um ano e anunciou investimentos de R$ 2 bilhões. A intenção é adequar as duas fábricas para receberem produtos de ambas as marcas. A Caoa, no entanto, ainda negocia com a Hyundai a manutenção do contrato de licenciamento.

 

A fábrica de Jacareí já produzia os modelos QQ e Tiggo 2 e, com o Arizzo, deve produzir 24 mil veículos em 2019, ante uma capacidade produtiva de 50 mil unidades anuais. Já a unidade de Catalão deverá fazer cerca de 15 mil unidades. Todos os novos modelos têm baixo índice de nacionalização. “Deveremos atingir cerca de 60% de nacionalização em dois a três anos”, disse Alfonso.

 

O executivo disse que o grupo estuda importar o Chery QQ elétrico, carro compacto que, segundo ele, poderia ser vendido ao preço de R$ 50 mil, dependendo das condições de mercado e câmbio. O salão deste ano tem em exposição pelo menos 20 veículos elétricos. (O Estado de S. Paulo/Cleide Silva)