Futuro da Guerra SA nas mãos da Justiça

Pioneiro

 

Em processo de recuperação judicial desde julho de 2015, a Guerra SA Implementos Rodoviários, de Caxias, depositou apenas 40% dos salários dos trabalhadores referentes a setembro nesta semana, após ter concedido alguns dias de folga às equipes. A colunista conversou com Angelo Coelho, advogado responsável pela recuperação judicial da empresa, que explica o cenário:

 

“Estamos com um plano de capitalização (captação) de US$ 10 milhões de um investidor internacional à espera de decisões e perícias judiciais, o que está atrasando o projeto” justifica.

 

A intenção, com o aporte financeiro, é acertar a pendência com os funcionários, restabelecer a produção e dar seguimento ao plano de recuperação, cumprindo as normas acertadas com a Justiça.

 

A Guerra foi duramente afetada pela crise econômica que restringiu os pedidos no polo automotivo da Serra. Com o mercado apático e a burocracia dos empréstimos, sofreu o impacto da demora no repasse do pagamento de financiamentos da linha Finame (para máquinas e equipamentos), do BNDES. Precisou investir para comprar matéria-prima e produzir. Mas foi forçada a aguardar para receber e, por isso, ficou sem capital de giro.

 

Uma das maiores fabricantes de implementos rodoviários da América Latina, com o famoso slogan É Paz Na Estrada, a empresa, até então familiar, foi vendida em junho de 2008 para o fundo internacional Axxon Group.

 

O aporte de recursos, neste momento, viria de outro fundo internacional, e o dinheiro seria devolvido posteriormente corrigido ou transformado em ações da companhia de 45 anos de história.

 

Uma dívida de R$ 212 milhões – por conta de financiamentos com bancos e débitos com fornecedores – obrigou a Guerra a solicitar recuperação judicial no ano passado. Desde então, nunca havia atrasado salários.

 

Agora, aguarda o aval e a agilidade da Justiça quanto ao aporte financeiro para dar continuidade ao plano que busca colocar a organização de volta à estrada do crescimento, mantendo empregos e renda para Caxias.

 

Sobre o receio de demissões envolvendo os cerca de 800 empregados, o advogado diz que tudo “está completamente em aberto”, e dependendo desse projeto de captação de recursos.

 

Para evitar que o plano demore para ser avalizado, comprometendo a empresa e inviabilizando as atividades, Angelo Coelho encaminhou ainda nesta sexta-feira ao Poder Judiciário pedido para a simplificação do projeto, o que agilizaria sua análise e aprovação.

 

Sabendo da importância da Guerra, com projeção inclusive no Exterior, a Associação Brasileira dos Distribuidores da marca e mais de 40 fornecedores apoiaram formalmente o projeto de capitalização, por meio de declarações nos autos, assim como o Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias, em visita à magistrada Cláudia Rosa Brugger (juíza que cuida do processo).

 

A acompanhar. (Pioneiro)