Montadoras discutem política industrial

DCI

 

O setor automotivo está em conversas com o governo federal para criar “uma grande política industrial”, disse ontem o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale.

 

“Há uma sinalização do governo de que teremos uma política industrial de mais longo prazo, que atenderá todos os ramos da indústria no Brasil”, comentou.

 

De acordo com ele, um dos principais pleitos seria fortalecer a indústria de autopeças, devido a percepção de que a fragilidade desse segmento vem prejudicando as montadoras. “Essa nova política visa, a partir de 2018, o fortalecimento do setor de autopeças”. Ele acrescentou que as medidas podem usar parâmetros que hoje fazem parte do Inovar-Auto, pacote de incentivo às autopeças que vai terminar no ano que vem.

 

Megale evitou citar empresas, mas declarou que essa demanda da cadeia ficou latente após montadoras enfrentarem “quebra de produção”, devido à falta de peças e componentes, quando fornecedores em dificuldade financeira deixaram de entregar encomendas. Segundo especialistas do setor, por se tratar, quase sempre, de empresas de pequeno e médio porte, com gestão familiar e pouco capital de giro, as autopeças são mais impactadas por crises econômicas.

 

Recentemente, sindicalistas contaram que Volkswagen e Fiat teriam interrompido as atividades por falta de peças.

 

A ociosidade das montadoras – que supera 50% -, aliada à retração nas vendas, provocou uma queda na produção em julho de 15,3% sobre um ano antes, para 189,9 mil unidades. Sobre junho, porém, houve alta de 4,7%. “Foi o melhor mês no ano, em termos de emplacamentos, mas ainda não é o início de uma recuperação”, ponderou o dirigente.

 

Em julho, 156.988 veículos foram licenciados, alta de 5,4% frente junho e queda de 17,3% contra igual mês de 2015. (DCI/Vanessa Stecanella)