Anúncio da volta do Finame PSI atrapalhou negócios nas concessionárias

Revista Carga Pesada

 

Após o anúncio feito durante a abertura da Fenatran, dia 9 de novembro, de que o Finame PSI seria novamente liberado pelo governo, grandes expectativas foram criadas no mercado. A linha do BNDES para financiamento de caminhões, suspensa no final de outubro, foi realmente liberado no dia 13. No entanto, manteve-se o limite orçamentário que havia até o dia de seu encerramento.

 

Segundo o gerente comercial da Konrad, concessionária da marca Ford, em Maringá, no início de novembro, após o encerramento do Finame PSI, as concessionárias começaram a operar o Finame TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), linha do BNDES com juros pós-fixado.

 

Com o anúncio da volta do PSI, os clientes que estavam com compras encaminhadas preferiram esperar para refazer o negócio nesta modalidade que é mais vantajosa. “Entre comprar com taxa pré-fixada de 9,5% ao ano (do PSI) e pós-fixada pela TJLP, que hoje está em 14% ao ano (incluindo spread), é claro que eles optaram pela primeira”, disse. Mas os recursos não foram liberados e o prazo para adesão se encerrou nesta quarta feira, 25, haja visto que somente uma instituição financeira estava operando sem garantia da liberação dos recursos, pois as outras não tinham mais limite orçamentário.

 

Agora, segundo ele, a loja terá de tentar fechar os negócios de novo pela modalidade de TJLP. “Quem estiver precisando muito do caminhão vai comprar no pós-fixado, mas quem não tem tanta urgência vai esperar para ver como fica a situação”, declara. O gerente conta que a Konrad vendeu neste ano uma média de 18 caminhões por mês, de janeiro a outubro. No ano passado, essa média era de 35 por mês.

 

A concessionária, que já havia demitido três dos dez vendedores que tinha no ano passado, está numa situação muito difícil, pois não vislumbra uma perspectiva de melhora a curto prazo. “É um final de ano horrível para as revendas de caminhão”, reclama.

 

O anúncio da volta do Finame PSI também não agradou a montadora DAF. Mesmo comemorando o resultado de 550 caminhões comercializados na feira, o diretor comercial Luis Antonio Gambim já considerava negativo o efeito do comunicado. “Se o BNDES publicar a medida, teremos cerca de 10 dias úteis apenas para encaminhar os documentos, é pouco tempo”, disse ele em 13 de novembro, último dia do evento. “Nosso cliente já estava se preparando para negociar com a TJLP, agora ficamos neste compasso de espera”, comentou já prevendo a demora nas definições por parte do governo, o que acabou se concretizando.

 

A assessoria do BNDES nega que os recursos do PSI não estejam sendo liberados. O banco admite que houve problemas em seu sistema de TI na terça-feira e na quinta-feira desta semana, o que acarretou atrasos na recepção de pedidos de financiamento. Mas alega que a situação já foi normalizada.

 

Segundo a assessoria, os pedidos protocolados após o anúncio da reabertura do PSI estão sendo liberados de acordo com o orçamento que existia para o programa antes do seu fechamento no final de outubro. (Revista Carga Pesada)