Com mercado aquecido, aumenta interesse pelo carro eletrificado

O Estado de S. Paulo/Mobilidade

 

O mercado de veículos eletrificados está em plena expansão no Brasil. Em 2022, foram comercializadas 49.245 unidades, aumento de 41%, em comparação a 2021 (34.990). Os números de 2023 também são muito animadores: no primeiro semestre, 32.000 novos veículos saíram das concessionárias para a garagem dos consumidores.

 

Em julho, as vendas atingiram mais um recorde, com 7.462 emplacamentos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que iniciou esse balanço em 2012. O aumento foi de 20%, em relação ao mês de junho passado (6.225), e de nada menos do que 138%, na comparação com julho de 2022 (3.136).

 

Maior infraestrutura

 

Os números demonstram que a eletromobilidade vem ganhando adeptos no Brasil. O interesse do consumidor aumenta na mesma proporção da oferta de veículos e da ampliação da infraestrutura de recarga. Hoje, existem cerca de 3.500 eletropostos espalhados pelo País.

 

Dessa forma, de acordo com a ABVE, a frota eletrificada em circulação no Brasil chega a quase 160 mil automóveis e veículos comerciais 100% elétricos (BEV), leves híbridos (HEV) e híbridos plug-in (PHEV).

 

O volume pode parecer pequeno, em relação a países mais desenvolvidos, mas comprova que o País tem inegável potencial de crescimento quando o assunto é transição energética.

 

Retrato do consumidor

 

O desejo do público pelos automóveis 100% elétricos ou híbridos pode ser comprovado nas três enquetes publicadas durante este mês de agosto no Instagram do Jornal do Carro e do Estadão. Elas apontaram, por exemplo, que 75% dos leitores do Estadão e 66% do Jornal do Carro têm vontade de adquirir um veículo eletrificado (confira, ao lado, os resultados completos).

 

O arrebatamento dos veículos eletrificados é um reflexo dos lançamentos que chamam atenção. São modelos com design diferenciado, equipados com alta tecnologia e que já começam a apresentar preços convidativos.

 

Dois exemplos são os carros da BYD: o recém-lançado Dolphin e o Seal, que está prestes a chegar ao mercado brasileiro. Ao preço de R$ 149.990, o Dolphin custa o equivalente a modelos de porte similar com motor a combustão e com menos itens de série. Veja alguns dados do veículo:

 

  • Autonomia: 291 km
  • Potência: 95 cv
  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,9 segundos
  • Velocidade máxima: 150 km

 

Já o Seal traz a novidade Cell-to-Body (CTB), tecnologia que atua de forma integrada com a bateria Blade e a estrutura da carroceria, aumentando a segurança. Outro atrativo é a central multimídia com tela giratória de 15,6 polegadas e os equipamentos de assistência ao motorista. Características do Seal:

 

  • Autonomia: 372 km
  • Potência: 530 cv
  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 3,8 segundos
  • Velocidade máxima: 180 km/h

 

Investimento da BYD

 

A marca chinesa, por sinal, é a fabricante que mais está investindo na expansão do veículo elétrico no Brasil. A ponto de ter anunciado, em julho, o investimento de R$ 3 bilhões para a construção de três fábricas para a produção de automóveis eletrificados, caminhões e ônibus elétricos e baterias no município de Camaçari (BA). A iniciativa deverá gerar 5 mil empregos diretos e indiretos.

 

Henrique Antunes, diretor de vendas da BYD Brasil, revelou que “as operações em Camaçari devem começar entre o fim de 2024 e o primeiro semestre de 2025”.

 

Para o executivo, o pioneirismo da BYD de fabricar veículos eletrificados vai encorajar outras montadoras a seguirem o mesmo caminho. “Daqui a dez anos, elas também estarão instaladas no Brasil para produzir automóveis”, acredita.

 

Antunes garante ainda que as marcas não vão querer ficar de fora do cenário da transição energética. “Será criado um círculo virtuoso em torno do carro eletrificado. Cada vez mais, esse mercado ganhará maturidade”, conclui. (O Estado de S. Paulo/Mobilidade/Mário Sérgio Venditti)