Sem produção local, Ford “vive” de picapes no Brasil

AutoIndústria

 

Encerrado seu primeiro ano sem produção local, a Ford já pode ser considera apenas uma saudosa lembrança de muitos de seus admiradores no Brasil.  Ao longo de 2021, a marca, que durante cem anos, figurou entre as líderes de vendas, negociou somente 37,8 mil veículos. A participação de mercado, ainda acima de 7% em 2020, despencou para apenas 1,9%.

 

Em 2022, com certeza, esses números serão ainda menores. Isso porque Ka, Ka Sedan e EcoSport, os modelos nacionais que foram “enterrados” junto com as fábricas de Camaçari, BA, Taubaté e São Bernardo do Campo, SP (veja artigo: O triste fim de uma centenária marca fabricante de veículos no Brasil) responderam ainda por 13,4 mil dos emplacamentos, 35% do total.

 

A partir de agora, porém, no segmento de carros de passeio, a marca sobreviverá mesmo dos importados SUV Territory e Bronco do esportivo Mustang, que acumularam, respectivamente, 2,2 mil e 485 licenciamentos no ano passado.

 

Em dezembro, por exemplo, o aposentado trio nacional somou apenas 13 licenciamentos, enquanto os dois importados responderam por 233 licenciamentos. Para efeito de comparação: no mesmo período foram negociadas quase 2,3 mil picapes Ranger.

 

Da 5ª colocação no ranking total de marcas em 2020, a Ford caiu para a 11ª posição. Considerando negócios somente com carros de passeio, que acumulou 17,2 mil unidades, a presença agora é ainda mais tímida, a 13ª posição, com somente 1,1% de participação.

 

Bem diferente do que ocorre no segmento de comerciais leves, no qual, com a Ranger, trazida da Argentina – além de poucas dezenas do utilitário Transit – obteve mais de 20,5 mil emplacamentos no ano passado e segue como a 6ªmarca mais vendida.

 

A realidade da Ford no Brasil daqui para frente será essa mesma: vender automóveis de nicho e apostar em picapes, estratégia, aliás, que replica a disposição global da empresa.

 

Tanto que seu próximo lançamento no mercado brasileiro, já neste primeiro semestre, é a Maverick, modelo menor do que a Ranger. Importada do México, a picape utiliza a mesma plataforma do Bronco Sport.

 

A Ford diz que a Maverick será uma alternativa aos consumidores de carros e SUV. Na prática, brigará com Fiat Toro, Renault Oroch e a futura Chevrolet Montana. Uma concorrência de respeito e que conta ainda com o fator favorável de ter produção local, além de redes bem maiores de distribuidores. (AutoIndústria/George Guimarães)