IPCA acelera, passa de 10% no ano e juros podem subir mais

O Estado de S. Paulo 

 

O IPCA subiu 1,25% em outubro e é de 10,67% em 12 meses, mesmo índice de 2015, no governo Dilma Rousseff.

 

A inflação oficial do País acelerou e ficou mais disseminada em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,25%, o maior resultado para o mês desde 2002, segundo os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação acumulada em 12 meses chegou a 10,67%. A última vez em que o IPCA encerrou o ano acima de dois dígitos foi em 2015, com idênticos 10,67%, na época do governo Dilma Rousseff.

 

A taxa de outubro foi a mais elevada de 2021, superando até as expectativas mais pessimistas de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast. A alta provocou uma nova rodada de revisões entre economistas do mercado financeiro, que já projetam um IPCA acima de 10% no encerramento de 2021, ante a meta de 3,75% perseguida pelo Banco Central.

 

Os dados do IBGE mostram que todos os nove grupos de produtos e serviços subiram, com destaque para os transportes (2,62%), puxados pelo aumento nos combustíveis e nas passagens aéreas. A energia elétrica também voltou a subir, e as famílias ainda gastaram 1,17% a mais com alimentação.

 

No ano, a alta da gasolina já é de 38,29%. “A gasolina tem impacto no frete, que acaba afetando preços de outros itens”, diz Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

 

Mais aperto

 

A LCA Consultores elevou a projeção de inflação de 2021 de 9,70% para 10,0%, o Bank of America, de 9,1% para 10,1%, e o Barclays, de 9,50% para 10,0%.

 

Além de ajustar as previsões para a inflação de 2021 (de 9,10% para 9,40%) e de 2022 (de 3,90% para 4,40%), a corretora Ativa Investimentos recalculou de 1,5 para 2,0 pontos a alta esperada na taxa básica de juros, a Selic, na reunião do Comitê de Política Monetária de dezembro. (O Estado de S. Paulo/Cícero Cotrim)