Venda de seminovos e usados subiu 38,2%

Diário do Comércio

 

A comercialização de veículos seminovos e usados em Minas Gerais segue registrando resultados positivos. De janeiro a julho, a venda já avançou 38,2% frente a igual período do ano anterior. O aumento vem sendo estimulado pelo mercado aquecido e a dificuldade do consumidor adquirir veículos novos, já que as montadoras enfrentam problemas com o abastecimento de diversas matérias-primas.

 

Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto https://www.fenauto.org.br/), nos primeiros sete meses de 2021, a venda de veículos usados e seminovos em Minas Gerais totalizou 1.093.505 unidades, superando em 38,2% o volume comercializado em igual intervalo de 2020, que era de 791.500 unidades.

 

Na comparação mensal, também houve acréscimo. No sétimo mês do ano, foram vendidos 177.075 veículos, aumento de 8,4% frente a junho, que encerrou com 163.346 unidades.

 

Alta também na comparação com julho de 2020. Nesta base, o incremento nas vendas chega a 5,7%, já que no sétimo mês do ano anterior a comercialização somou 167.548 unidades.

 

De acordo com o diretor de Planejamento e Marketing da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg – http://www.assovemg.org.br/assovemg/) e sócio-proprietário AutoMaia Veículos (https://www.automaiaveiculos.com.br/), Flávio Maia, vários fatores têm contribuído para o bom desempenho registrado nas vendas dos usados e seminovos.

 

Um dos principais, é a dificuldade das montadoras regularizarem a produção por falta de matéria-prima, o que compromete a disponibilidade de carros novos no mercado.

 

“O mercado está enfrentando um problema seríssimo de falta de oferta de carros zero. As montadoras estão com dificuldades em adquirir componentes, principalmente os microchips. Isso tem feito com que o consumidor busque pelos carros seminovos e usados, o que vem estimulando as vendas do nosso setor”.

 

Outro fator que tem estimulado a demanda pelos veículos é a pandemia de Covid19. Com o risco de contaminação, as pessoas estão preferindo utilizar o carro próprio ao invés do transporte público e dos carros de aplicativos. Maia explica que a dificuldade de atendimento por parte dos aplicativos, o aumento dos preços e o sucateamento dos carros também têm desestimulado o uso dos apps e contribuído para a maior venda de veículos.

 

Apesar do aumento das vendas, Maia classifica o momento como preocupante, já que as lojas estão trabalhando com os estoques muito abaixo do normal em um período em que a demanda está grande. O resultado é o aumento dos preços dos veículos.

 

“Estamos vivendo um momento de desajuste econômico. A situação é complicada. A oferta de veículos é menor que a demanda e o mercado está sem reposição. Quem trocava o seminovo pelo zero, não está conseguindo. Com este desajuste, os preços dos veículos estão subindo. Esta situação não deve ser regularizada em um curto espaço de tempo”.

 

Categorias

 

Em algumas categorias, a oferta reduzida e os preços mais altos já impactam no desempenho das vendas. Em julho, a venda de seminovos, carros com até três anos de uso, apresentou queda de 14,4% frente a junho, com a venda de 20.057 unidades, ante as 23.419 efetuadas no sexto mês do ano. Apesar do resultado negativo, no acumulado do ano, as vendas estão 24,3% maiores e já somam 147.664 unidades. Na comparação com julho de 2020, a comercialização se manteve estável e chegou a 20.057 veículos.

 

A comercialização de automóveis de quatro a oito anos diminuiu 4,4% frente a junho, com a venda de 41.785 unidades. Na comparação com julho de 2020, foi registrada retração de 9%. Já nos primeiros sete meses de 2021, quando ocorreu a venda de 294.582 unidades, o incremento é de 20,7% se comparado com igual intervalo do ano anterior.

 

Os carros com idade entre nove e 12 anos apresentaram alta de 47,4%, somando 273.325 veículos comercializados entre janeiro e julho. No mês, as vendas ficaram em 44.191 unidades, alta de 9,4% frente a junho e de 5% na comparação com julho de 2020.

 

Na categoria de carros acima de 13 anos foram vendidos 71.042 automóveis, representando uma elevação de 27,3% quando comparada com junho e de 19,4% frente a julho do ano anterior. No acumulado dos primeiros sete meses, as vendas já somam 377.934 unidades, 55,4% maior. (Diário do Comércio/Michelle Valverde)