Volkswagen vai suspender produção em duas fábricas no País por falta de semicondutores

O Estado de S. Paulo

 

As fábricas da Volkswagen em Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR) terão a produção suspensa por dez dias a partir de 7 de junho em razão da falta de semicondutores para a produção de veículos. Na unidade de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a decisão de parar ou não será avaliada na quarta-feira.

 

Os cerca de 4 mil trabalhadores das duas fábricas entrarão em férias coletivas. Somando as unidades do ABC e de São Carlos (SP), onde são produzidos motores, o grupo emprega aproximadamente 13,5 mil funcionários no País. A Volkswagen é a segunda fabricante que anuncia novas paralisações nesta semana.

 

Na última terça-feira, 25, a General Motors informou que vai suspender toda a produção da unidade de São Caetano do Sul (SP) por seis semanas a partir do dia 21 devido à falta de componentes, mas também para adequar a linha de montagem para o início da produção de uma nova picape.

 

A Nissan informou nesta semana que deve interromper as atividades em Resende (RJ) por cinco dias pelo mesmo motivo e outras montadoras devem adotar a medida ao longo dos próximos dias. No início do mês, a própria Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alertou que as próximas semanas devem ser as mais complicados em termos de abastecimento de semicondutores e que novas paradas de produção deveriam ocorrer, assim como no início do ano.

 

O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região (Sindmetau) confirma que os cerca de 2 mil trabalhadores dos dois turnos da planta que produz os modelos Gol e Voyage vão ficar em casa nos dez dias de junho, e acrescenta que a fábrica também vai receber um novo ciclo de produtos em breve. No Paraná o grupo produz o Fox e o T-Cross.

 

Gargalos globais

 

Em nota, a Volkswagen afirma que uma escassez significativa de semicondutores está levando a vários gargalos de fornecimento em muitas indústrias globalmente. Isso gerou problemas no abastecimento da indústria automotiva ao redor do mundo desde a virada do ano.

 

O resultado são adaptações em toda a indústria na produção de automóveis. Nos últimos meses, informa o grupo alemão, o time da Volkswagen do Brasil tem trabalhado intensamente e com sucesso, internamente e em parceria com a matriz, para minimizar os efeitos da escassez de semicondutores para a produção em suas fábricas.

 

Entretanto, diz a nota, “com o agravamento do cenário e com base na situação atual, presumimos que o fornecimento de semicondutores continuará a ser limitado ao longo das próximas semanas. Por essa razão, as fábricas em São José dos Pinhais, no Paraná, e em Taubaté, em São Paulo, suspenderão suas operações por dez dias.

 

Ontem, ao apresentar o utilitário-esportivo (SUV) da marca, o Taos, fabricado na Argentina, o presidente da Volkswagen na América Latina, Pablo Di Si, afirmou que a produção do novo modelo está normal e que o modelo estará à venda no Brasil no fim de junho, mas os volumes vão depender da disponibilidade de peças. (O Estado de S. Paulo/Cleide Silva)