Ford fecha acordo para indenização de trabalhadores da fábrica de Taubaté que será fechada

O Estado de S. Paulo

 

A Ford fechou na tarde da última terça-feira, 6, acordo de indenização para os cerca de 750 funcionários da fábrica de motores em Taubaté (SP). O valor mínimo a ser pago a cada trabalhador é de R$ 130 mil, além das verbas rescisórias. O tema estava em discussão desde janeiro, quando o grupo decidiu encerrar a produção de veículos no País e passar a ser apenas importadora. Na fábrica da Bahia, que tem 4 mil trabalhadores, as negociações continuam.

 

Em nota, a Ford confirma que a proposta aprovada em votação pelos trabalhadores inclui uma compensação financeira adicional às verbas rescisórias e um programa de qualificação. “Além dos itens previstos no acordo, a Ford também irá oferecer suporte para recolocação por meio da contratação de uma empresa especializada”, informa a nota, que não traz detalhes do acordo.

 

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, o acordo prevê dois salários extras por ano trabalhado aos horistas e um salário a mais aos mensalistas. A empresa se compromete a pagar R$ 130 mil mesmo que a conta seja inferior a esse valor. Para quem tem mais anos de casa, vai valer o que for mais vantajoso. Funcionários horistas lesionados terão bonificação adicional.

 

A entidade sindical informa que realizou 25 reuniões com dirigentes da Ford até chegar a esse consenso, mas a aprovação em votação individual feita por votos colocados em uma urna em frente à fábrica durante todo o dia mostra que os trabalhadores estavam divididos. Do total de 630 votos, 55,3% votaram a favor, 46,2% contra e a diferença foram de votos brancos ou nulos.

 

Não houve unanimidade entre trabalhadores

 

“Muitos trabalhadores queriam que as negociações continuassem para tentar obter indenização melhor, mas outros temiam que a insistência poderia levar o processo à judicialização, o que poderia significar um longo tempo sem receber nada”, diz um porta-voz do sindicato.

 

Cerca de 100 funcionários continuam na fábrica produzindo peças de reposição de carros da marca, sem prazo definido para a paralisação total. Eles também vão receber a indenização proposta aos demais. Não há ainda qualquer definição sobre o que ocorrerá com as instalações da fábrica.

 

Em Camaçari (BA), a Ford produzia os modelos Ka e EcoSport. Em 2019 o grupo já havia fechado a fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde eram feitos caminhões e o modelo Fiesta. As instalações foram vendidas para um grupo do ramo de logística.

 

Perdas significativas

 

Quando divulgou o encerramento das atividades produtivas no Brasil, em 11 de janeiro, a Ford alegou que “a decisão foi tomada à medida em que a pandemia de covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”. Nos últimos anos, o grupo vinha registrando prejuízos constantes na América do Sul.

 

A fábrica da Troller em Horizonte (CE) também será fechada, mas apenas no fim do ano. O governo do Estado tenta encontrar um comprador que mantenha a produção do jipe desenvolvido no Brasil. Também o governo da Bahia bisca uma solução para o complexo de Camaçari, o mais moderno do grupo no País, mas, por enquanto, não há nenhum negócio previsto. (O Estado de S. Paulo/Cleide Silva)