Demanda de bens industriais indica estagnação

O Estado de S. Paulo

 

A alta de apenas 0,1% entre abril e maio no consumo aparente de bens industriais, definido como a produção industrial interna menos exportações e mais importações, mostra que a maioria das empresas industriais teme aumentar os estoques de matérias-primas e de produtos acabados. O setor secundário da economia continua, portanto, estagnado. No trimestre março/maio de 2019, houve queda de 0,6% no indicador. A fraqueza da demanda reforça as tendências negativas já observadas em outros estudos sobre a indústria.

 

Na Carta de Conjuntura relativa ao 3.º trimestre de 2019, os técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ressaltam o comportamento heterogêneo dos diversos ramos industriais.

 

A principal variação positiva apareceu no segmento de bens de capital, com alta de 3,9% entre abril e maio, de 23,7% entre maio de 2018 e maio de 2019 e de 11,8% nos últimos 12 meses. Mas a comparação pode ter sido influenciada pela greve dos caminhoneiros de maio do ano passado, que dificultou as vendas da indústria.

 

Um exemplo de oscilações bruscas na demanda aparece na indústria extrativa mineral, que cresceu 14,4% entre fevereiro e março, caiu 33,1% entre março e abril e subiu 30,3% entre abril e maio. Em boa medida, oscilações de tal magnitude se deveram ao desastre de Brumadinho, que afetou a produção de minério de ferro.

 

Os indicadores da demanda, na comparação entre maio de 2018 e maio de 2019, têm sido favorecidos pelos segmentos de veículos e de alimentos. No caso dos veículos, as perspectivas são incertas: se a economia não reagir, é possível uma queda no ritmo de aquisições para constituição de frotas de caminhões ou na demanda das locadoras de veículos.

 

É no item bens importados que a demanda mais cresceu nos primeiros meses do ano e poderá continuar crescendo. O consumo subiu 13,3% entre fevereiro e março e 2,9% entre abril e maio, embora tenha caído 0,7% entre março e abril. Em relação a maio de 2018, a alta foi de 15,9% e, em 12 meses, de 6%.

 

Um estímulo à compra de bens industriais no exterior deverá vir da desvalorização do dólar. Essa desvalorização ajuda empresas que estão endividadas em moeda estrangeira, mas poderá afetar exportadores e produtores nacionais. Em resumo, o balanço desses fatores poderá ser desfavorável à indústria local. (O Estado de S. Paulo)