Fraudes de montadoras custaram R$ 720 bilhões aos consumidores, diz estudo

UOL

 

A diferença entre o desempenho dos veículos nos testes de homologação e o como os modelos reagem na vida real, nas ruas, passou de 9% em 2000 para 42% em 2017, segundo um estudo da Federação Europeia para Transporte e Ambiente (T&E, na sigla em inglês), divulgado nesta terça (28).

 

De acordo com os pesquisadores de T&E, a variação ocorre porque “fabricantes manipulam testes de laboratório”, mas também pela adoção de novas tecnologias, como o start-stop, que tem mais economia em laboratório do que em estradas. A publicação completa pode ser vista neste link.

 

Não é só uma questão de teste de laboratório contra uso na vida real: a diferença entre o consumo que as fábricas dizem que seus carros têm e o consumo real obtido no dia a dia dá prejuízo ao consumidor. Segundo o estudo, essa diferença custou aos condutores europeus um extra de 150 bilhões de euros – mais de R$ 720 bilhões – em combustível nos últimos 18 anos. Só em 2017, o prejuízo calculado foi de 23,4 bilhões de euros.

 

Além da fraude de motores da Volkswagen, descoberta em 2015, amplamente divulgada e com ações correndo nos EUA e Europa (além de casos conhecidos também no Brasil), e do caso de Nissan e Mitsubishi no Japão, investigações jogam dúvidas sobre Renault, Fiat-Chrysler, MercedesBenz, BMW, entre outras.

 

Fora da lei

 

A eficiência real pior que a informada e o prejuízo ao consumidor são reflexos de ações tomadas pelas fabricantes de carros para contornar as leis rígidas de controle de emissões de poluentes na União Europeia. Ações injustificáveis, vale dizer, já que jogam contra pessoas e estados de forma desleal, em busca apenas de benefício próprio.

 

“A análise atualiza uma anterior, publicada em abril de 2018, que examina a maneira como os fabricantes de automóveis manipularam as regulamentações anteriores de CO2 e a maneira como estão tentando fazê-lo para regulamentações futuras”, diz trecho do documento da T&E.

 

Para os pesquisadores, o estudo fornece “novas evidências do impacto da manipulação do teste em termos de emissão de CO2 adicional e maiores contas de combustível para os motoristas. Também apresenta novos dados que demonstram como as montadoras estão tentando reduzir o rigor das metas propostas para 2025 e 2030”.

 

Testes de laboratórios são falhos

 

O estudo também analisou os métodos de medição de emissões e consumo NEDC (New European Driving Cycle), de 1997, e o WLTP (Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedure), que começou a ser introduzido no ano passado. A análise da T&E considera o WLTP um avanço frente ao NEDC, que considera “obsoleto”, mas ressalva que ele não está livre de fraudes e do comum “conluio entre fabricantes” de carros, citando como exemplo o “Dieselgate” do Grupo Volkswagen e seus desdobramentos.

 

“No centro do problema está o fato de que todos os testes laboratoriais ainda incluem muita interpretação e falta de supervisão independente dos testes, de forma que as violações grosseiras das regras não são interrompidas. A solução é medir a eficiência de combustível no mundo real, usando medidores de consumo de combustível ou testes, o que reduzirá a manipulação dos regulamentos”, afirma a T&E.

 

A T&E tem como objetivo de promover uma política sustentável de transportes, minimizando impactos nocivos para o ambiente e para a saúde e maximizando a eficiência dos recursos na União Europeia. A entidade é apoiada por 58 organizações ambientalistas de 26 países. (UOL/Ricardo Ribeiro)