Ano começa cheio de escândalos na indústria automobilística

O Estado de S. Paulo

 

A coisa anda feia no mundo do automóvel, viu. Na segunda semana do ano, pouco antes da abertura do Salão de Detroit (EUA) – que começou no sábado (14) -, choveram escândalos na indústria automobilística. Executivo foi preso, outros foram indiciados, alguns, investigados.

 

E teve escândalo de fraude também. O “Dieselgate”, como ficou conhecida a fraude aos testes de emissões de poluentes por motores a diesel de carros do Grupo Volkswagen, ameaça tomar proporções bem maiores.

 

Agora, a investigada da vez é a Fiat-Chrysler, a FCA. O grupo pode ter fraudado testes feitos em motores 3.0 de quase 105 mil exemplares dos modelos Jeep Grand Cherokee e Dodge Ram 1.500.

 

O governo norte-americano já anunciou a denúncia e vai investigar o caso. A expectativa é de que, se confirmada a fraude, a FCA tenha de pagar multa de US$ 4 bilhões.

 

Nesta sexta-feira, o fantasma do “Dieselgate” também invadiu a França, onde o governo aceitou denúncia e vai investigar possível fraude da Renault a testes de emissões.

 

Ainda no universo do “Dieselgate”, no início desta semana foi preso pelo FBI um executivo da Volkswagen dos EUA, acusado de conspiração para encobrir a fraude da montadora, há cerca de um ano e meio. Oliver Schmidt era chefe de Engenharia e Meio Ambiente da subsidiária norte-americana.

 

Prevendo o pior para seus executivos, a direção mundial do Grupo Volkswagen recomendou, segundo agências de notícias, que eles não viajem aos Estados Unidos. Ao menos, por enquanto.

 

Outro caso com desdobramentos neste início de ano é o dos air bags defeituosos da japonesa Takata, que, ao explodirem, podem expelir fragmentos metálicos que causam graves ferimentos aos ocupantes do veículo. O recall para reparar esse problema já atingiu diversos modelos de várias marcas em todo o mundo, inclusive no Brasil.

 

Nesta sexta-feira, três executivos da Takata foram indiciados pela Justiça do Estado de Michigan, nos EUA. A alegação é de que eles tinham ciência do problema e, ainda assim, continuaram fornecendo os air bags.

 

Ufa! É muito escândalo para uma semana só. 2017 promete. (O Estado de S. Paulo/Rafaela Borges)