Lat.Bus: Mercedes-Benz traça panorama de eletrificação no Brasil

Frota & Cia

 

Na edição 2024 da Lat.Bus, a maior feira de mobilidade da América Latina, a Mercedes-Benz novidades para seu portfolio. Se trata do articulado eO500UA, com capacidade para 120 passageiros. Desde 2017 a marca começou a colocar, entre caminhões e ônibus, opções zEV (zero emissão) no mercado. O portfolio eletrificado conta com mais de 10 opções, e ainda virá o eActros no final do ano.

 

Entretanto, a Mercedes-Benz levantou uma questão importante que são os desafios para implantação desse projeto de eletrificação nas cidades. Mike Munhato, gerente de mobilidade da Mercedes-Benz, traçou um panorama sobre o assunto e contou qual a estratégia da marca para os próximos anos.

 

Vale citar que apesar de ter até testes com hidrogênio em seus veículos na Europa, a Mercedes-Benz acredita que o caminho correto para cenário urbano é o 100% elétrico (zero emissão). “A gente acredito no hidrogênio só para longas distância. Para o contexto urbano, curtas distâncias, o elétrico me dá mais eficiência (95%) do que o hidrogênio (55%)”.

 

Como vencer os desafios da zero emissão e acelerar a eletrificação no Brasil?

 

Segundo Mike Munhato, a análise é feita dividindo em três partes. Primeiro, o produto, que já é realidade no mercado. Entretanto, só isso não basta para transformar o zEV em um mercado de massa. Depois, a paridade do TCO, que está em andamento, mas ainda vai demorar para baixar. E por último, a infraestrutura necessária, que é a mais atrasada entre as três partas da conta.

 

“Essa paridade do TCO é política pública. Dar um jeito dessa conta fechar. São Paulo achou um jeito, por exemplo na subvenção. Outro caminho seria, no futuro, o valor desse produto baixar. Mas não é um fato hoje e nem será num próximo ano. Vai demorar para baixar”. Vale citar que essa é uma realidade para algumas das grandes capitais brasileiras, como Curitiba e São Paulo, essa última que já comprou 250 unidades do eO500u.

 

O gerente da Mercedes-Benz defende que em um médio prazo (até 2030), o valor do produto não vai baixar por uma questão de escala. “Ele tem menos peças, é mais simples, mas por não ter essa escala, e também pelo custo da bateria, acaba sendo caro. Mas em um período mais longo, pós 2030, isso tende a baixar. Tem muito investimento em bateria por ali, então tende a ganhar escala. Fora isso, mais abrangência, mais volume, mais cidades envolvidas no mercado. Só assim esse valor diminui”.

 

A falta de escala das peças citada por Mike afeta também o operacional. Apesar do veículo quebrar menos, quando ele precisar de conserto, o custo será bem maior. “O nosso eO5000U tem a primeira intervenção preventiva é com 60 mil km. Então é fato que pára menos, mas esse componente que faltar vai ter um preço mais elevado”.

 

Para finalizar, Mike faz a ressalva: “não é por isso que nós não vamos desenvolver, não é isso. Mas é importante deixar essas barreiras bem claras. Estamos em progresso, é uma transição”.

 

Lat.Bus 2024

 

O grande produto da Mercedes-Benz para a Lat.Bus é o articulado eO500UA. Desenvolvido no Brasil, ele tem autonomia de até 300km, o motor tem um torque de 2470 Nm, pesa 34 toneladas, tem capacidade de 120 passageiros (segundo Mike, o veículo foi testado no Chile e alcançou até 133 passageiros, mas São Paulo impede ultrapassar o limite de 120). Seu carregamento completo é por volta de três horas e meia e toda a produção do veículo é feita em São Bernardo do Campo.

 

Além do eO500UA, a Mercedes-Benz apresentou novos chassis com tecnologia BlueTec 6, como o chassi LO 1116 é lançado para micro-ônibus, oferecendo maior capacidade de passageiros e PBT de 10,8 toneladas. O chassi OF 1619 L é lançado com suspensão pneumática integral, melhorando a operação e acessibilidade. (Frota & Cia/Victor Fagarassi)