O Estado de S. Paulo
O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e do conselho de administração da CSN Mineração, Benjamin Steinbruch, afirmou ontem que o governo brasileiro está atrasado na adoção de políticas de defesa comercial para garantir a proteção da indústria nacional contra a forte entrada de aço importado no País, principalmente de produtos siderúrgicos de origem chinesa.
Segundo o empresário, o Brasil tem medo de sentar para negociar com a China. Ele pondera, porém, que o governo brasileiro não deveria ter esse receio, pois a quantidade de aço chinês que chega ao País não é significativa na comparação com o volume total produzido pelo gigante asiático.
De acordo com Steinbruch, o volume de aço importado pelo Brasil é de 5 milhões de toneladas, das quais 68% são provenientes da China. Por outro lado, a produção total chinesa é de 1,15 bilhão de toneladas, o que significa que o impacto de uma eventual alíquota de importação imposta pelo Brasil seria pequeno para os produtores do mercado chinês.
A forte entrada de aço importado no País tem afetado duramente a operação das siderúrgicas nacionais. Nos últimos dias, duas grandes fabricantes anunciaram medidas para ajustar a oferta de aço. A Aperam South America informou, na semana passada, que adiou a terceira fase de seu plano de investimentos, relativo ao período 2024/2025.
Na terça-feira, foi a vez de a Usiminas informar que deverá desligar o alto-forno 1 de sua Usina de Ipatinga, em Minas Gerais, sob a alegação também de excesso de oferta causado pelo aumento das importações de aço.
Taxação desigual
Steinbruch lembrou que a produção anual de aço no Brasil é de 30 milhões de toneladas, e que 12 milhões de toneladas são exportadas. “Temos como taxação um critério que vai de 10% a 16% para o aço importado. Já no México, na Comunidade Europeia, no Canadá e nos Estados Unidos, a taxação é de 25%”, disse ele, durante apresentação para analistas e investidores.
Steinbruch acrescentou que as siderúrgicas brasileiras, ao exportar aço, já pagam uma alíquota de 25%, enquanto o Brasil não impõe a mesma regra para outras empresas internacionais.
Apesar da tributação desfavorável e da pressão dos importados, Steinbruch disse que vê perspectivas melhores para o setor siderúrgico nacional no ano de 2024. Segundo ele, deverá haver uma recuperação da atividade doméstica aliada à retomada de preços do aço nos mercados internacionais, fatores que devem impulsionar o desempenho no setor.
“Esperamos boas notícias na siderurgia em 2024. O ano de 2023 foi um ano difícil, dentro do que esperávamos. Acreditamos em uma normalização das nossas operações a partir de janeiro, com a produção voltando ao normal, e temos a certeza de que haverá redução de custos, aumento na quantidade e melhoria na qualidade dos nossos produtos”, afirmou Steinbruch.
Segundo ele, o grupo CSN vai continuar investindo na diversificação dos negócios e as empresas pertencentes à holding vão buscar uma internacionalização maior. “Temos um plano muito agressivo e diversificado de investimentos”, afirmou.
Outros negócios
Quanto aos negócios da área de exploração de minérios, Steinbruch classificou os resultados da CSN Mineração como fortes neste ano, e assegurou que a empresa continuará a reportar bons níveis de desempenho em 2024. Para o executivo, os negócios em mineração estão em um caminho “muito mais positivo” em relação à siderurgia, embora a perspectiva para o próximo ano seja de melhora para o mercado de aços.
No setor de cimentos, Steinbruch mencionou que a empresa aumentou a participação no mercado, avaliando 2023 também como positivo no segmento. Ele informou ainda que haverá investimentos para setores correlatos, com futuras apostas no concreto, calcário, logística e mercados agregados à indústria de cimentos.
Steinbruch também se comprometeu a manter os pagamentos de dividendos, sem abrir mão do controle da alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) em duas vezes. Contudo, ele avisou que a distribuição de proventos será menor por um curto período para que a empresa consiga avançar nos investimentos. (O Estado de S. Paulo/Jorge Barbosa)