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O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes, afirmou ao UOL que executivos das montadoras têm que travar uma “briga diária” para convencer as matrizes a manter investimentos no Brasil.
Moraes destaca que a crise é mundial, e que a ociosidade das fábricas não ocorre só no Brasil. Mas, segundo ele, na hora de definir os investimentos, as empresas avaliam o ambiente de negócios dos países – e é nesse momento que o Brasil pode sair perdendo.
Ambiente do país assusta multinacionais
Mais cedo, em entrevista coletiva, Moraes criticou a existência de “ruídos políticos inaceitáveis” no país, que prejudicam o ambiente de negócios e criam desconfiança entre os investidores.
Um dos pontos mais criticados por Moraes é o impasse envolvendo o Orçamento do governo federal para 2021. Aprovado em março, o Orçamento está com despesas obrigatórias subestimadas, o que, segundo o próprio governo, inviabiliza a execução dos gastos.
De acordo com Moraes, os executivos estão “tendo dificuldades em explicar essa confusão aqui no país” para as matrizes.
Ford deixou o país em janeiro
No início do ano, a Ford anunciou que iria encerrar suas atividades no Brasil. À época, a montadora afirmou que a decisão é parte de um plano para focar em produtos lucrativos, gerando um fluxo sustentável de caixa.
Na semana passada, em entrevista à revista Veja, o ex-CEO da Renault e da Nissan Carlos Ghosn afirmou que vê chances de as duas empresas saírem do país, por serem “mais fracas”.
Venda de carros caiu 23% no 1º trimestre
Segundo balanço divulgado pela Anfavea, o primeiro trimestre de 2021 teve “desempenho frustrante” nas vendas de veículos. Foram 527,9 mil carros vendidos, número 5,4% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Na comparação com o último trimestre de 2020, a queda foi de 23%.
Segundo a Anfavea, os números apontam que a recuperação do setor, que vinha sendo registrada desde a metade de 2020, desacelerou. Tradicionalmente, segundo a entidade, a queda nas vendas entre o quarto trimestre de um ano e o primeiro trimestre do ano seguinte é de 15%. (Portal UOL Economia/Giulia Fontes)