{"id":54868,"date":"2024-07-24T10:05:13","date_gmt":"2024-07-24T13:05:13","guid":{"rendered":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/?p=54868"},"modified":"2024-07-24T10:22:46","modified_gmt":"2024-07-24T13:22:46","slug":"jose-carlos-almeida-godoy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/jose-carlos-almeida-godoy\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Carlos Almeida Godoy"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Jos\u00e9 Carlos Almeida Godoy foi um dos muitos trabalhadores que migraram do campo para a ind\u00fastria nos anos 1970. O chamado \u00eaxodo rural foi t\u00e3o acelerado que s\u00f3 naquela d\u00e9cada cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o rural se transferiu para o meio urbano em busca de mais oportunidades. Jos\u00e9 Carlos era um deles. A pequena Gar\u00e7a, na regi\u00e3o centro-oeste do estado de S\u00e3o Paulo, sua cidade natal, se destacava na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, de modo que todo jovem, quando chegava a hora de buscar o primeiro emprego, corria para uma de suas fazendas. Com 14 anos, Jos\u00e9 come\u00e7ou sua jornada nas propriedades Morganita e Adrianita, pertencentes ao Sr. Ronoel, um dos fazendeiros mais poderosos da regi\u00e3o. Como j\u00e1 tinha algum estudo, sabia datilografar e era ligeiro nas contas foi direto para o escrit\u00f3rio atuar na compra e venda de caf\u00e9. Um trabalho com algum status naqueles tempos, j\u00e1 que n\u00e3o era preciso se embrenhar no cafezal no \u00e1rduo trabalho da colheita. Ele sempre trabalhou no escrit\u00f3rio e sua maior regalia era quando o administrador da fazenda precisava fazer o trajeto entre a cidade e as fazendas e Jos\u00e9 Carlos ia junto, desfilando no Dodge Dart azul do patr\u00e3o, o carro dos sonhos de toda uma gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Por\u00e9m, as chances de progresso profissional no campo eram bastante remotas e com o apoio da fam\u00edlia e a chegada da maioridade, Jos\u00e9 Carlos decidiu tentar a sorte e Jundia\u00ed, que naquele ano de 1974, despontava como ber\u00e7o de muitas ind\u00fastrias. N\u00e3o demorou para conseguir uma vaga na Hoffmann Bosworth Engenharia e logo depois na antiga Sifco, onde entrou como auxiliar de programa\u00e7\u00e3o. O momento mais tenso do processo de sele\u00e7\u00e3o foi o teste de datilografia e nisso Jos\u00e9 Carlos era fera. Sua rotina era escrever \u00e0 m\u00e1quina, uma a uma, as ordens de produ\u00e7\u00e3o, que depois eram replicadas pelo processo de est\u00eancil e distribu\u00eddas aos setores envolvidos. Isso na parte da manh\u00e3. O per\u00edodo da tarde era reservado ao controle de estoque. Fichas preenchidas manualmente detalhavam o perfil de engrenagens, virabrequins, bielas e outros itens para que a produ\u00e7\u00e3o fosse abastecida corretamente de cada insumo. Depois de 10 anos colecionando informa\u00e7\u00e3o sobre o tipo, a bitola e o material de cada pe\u00e7a, Jos\u00e9 Carlos j\u00e1 tinha na cabe\u00e7a um repert\u00f3rio completo de tudo que era fabricado na empresa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Vieram os anos 1990 e com eles, o processo de digitaliza\u00e7\u00e3o, que tornaria a opera\u00e7\u00e3o de controle da mat\u00e9ria-prima muito mais preciso e r\u00e1pido. As fichas viraram telas na linguagem DBase, que Jos\u00e9 Carlos aprendeu a manusear rapidamente. A inform\u00e1tica deu um impulso definitivo \u00e0 carreira dele: \u201cFez a gente usar a cabe\u00e7a. Controlar o estoque passou a ser muito mais f\u00e1cil, j\u00e1 que o computador calculava entradas e sa\u00eddas e dava necessidade l\u00edquida do era preciso comprar\u201d, lembra ele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Apesar de acompanhar par e passo a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia e de ter conquistado proje\u00e7\u00e3o dentro da empresa, negociando os pedidos com grandes fornecedores como Acesita, Mannesmann, Piratini e outros, Jos\u00e9 Carlos foi surpreendido com o an\u00fancio de sua demiss\u00e3o, em 2003. Foi um baque, justificado pela empresa como necessidade de corte de custos. Como o mercado oscilava muito, demiss\u00f5es eram de certa forma rotineiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Mas a verdade \u00e9 que ele fez falta. Com sua sa\u00edda, o estoque ficou desbalanceado o que gerava problemas de fluxo de caixa e preju\u00edzos para a empresa. Em quest\u00e3o de poucos meses, foi chamado de volta. Levou tr\u00eas meses para colocar em ordem toda a confus\u00e3o, que inclu\u00eda, por exemplo, 12 mil toneladas de a\u00e7o compradas, um desembolso de caixa desnecess\u00e1rio e oneroso. A partir da\u00ed viveu um per\u00edodo de muitas conquistas. Venceu a timidez para frequentar reuni\u00f5es de trabalhos com altos executivos de v\u00e1rios fornecedores, negociando para garantir suprimentos na hora, na quantidade e do jeito que a produ\u00e7\u00e3o demandava. Ganhou dois trof\u00e9us nos programa de melhoria cont\u00ednua e teve seu esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o reconhecidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Em 2013 escutou os primeiros boatos da venda das opera\u00e7\u00f5es de Campinas e Jundia\u00ed para a Dana. Logo executivos da Dana j\u00e1 estavam pela f\u00e1brica de Jundia\u00ed para entender como a opera\u00e7\u00e3o funcionava por dentro. Jos\u00e9 Carlos foi designado para treinar um funcion\u00e1rio da Dana na sua fun\u00e7\u00e3o e ali ele j\u00e1 percebeu que seu ciclo na empresa estava pr\u00f3ximo do fim, o que ele encarou com naturalidade: \u201cN\u00e3o tenho nenhum tipo de m\u00e1goa, entendi que a empresa estava em um outro momento e eu fui muito feliz ali. Na empresa me casei, criei meus dois filhos e fiz minhas economias para ter uma aposentadoria tranquila\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Em 2015, j\u00e1 aposentado pelo INSS, Jos\u00e9 Carlos deixou a empresa e hoje mata as saudades nos encontros com a turma de veteranos. Al\u00e9m das palestras e outras atividades promovidas pela Dana para seus aposentados, ele participa de um grupo de whatsapp onde a troca de ideias e convites para happy hours pipocam toda hora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Depois de 41 anos de bons servi\u00e7os prestados, mant\u00e9m uma rotina tranquila, ao lado da mulher S\u00f4nia e dos filhos, \u00c9rico, um advogado de 45 anos, e Caio, 41, o engenheiro de materiais que seguiu os passos do pai e passou por v\u00e1rias ind\u00fastrias de Jundia\u00ed at\u00e9 se estabelecer. Procura praticar alguma atividade f\u00edsica diariamente, cuida da boa alimenta\u00e7\u00e3o e o que mais curte \u00e9 ver a fam\u00edlia reunida e ter companhia dos netos Benjamin, de oito anos e Gabriel de quatro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tentar a sorte em Jundia\u00ed n\u00e3o foi uma escolha aleat\u00f3ria, foi sim a busca de um sonho e o in\u00edcio de uma vida nova. Jos\u00e9 Carlos Godoy cruzou os port\u00f5es da Sifco pela primeira vez em 1974 e s\u00f3 saiu de l\u00e1 definitivamente 41 anos depois, construindo uma carreira s\u00f3lida de muito aprendizado.<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":54883,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"class_list":["post-54868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-veteranos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54868"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54888,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54868\/revisions\/54888"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}