{"id":54837,"date":"2024-07-22T11:45:38","date_gmt":"2024-07-22T14:45:38","guid":{"rendered":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/?p=54837"},"modified":"2024-07-22T11:45:38","modified_gmt":"2024-07-22T14:45:38","slug":"paulo-granja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/veteranos\/paulo-granja\/","title":{"rendered":"Paulo Granja"},"content":{"rendered":"<p>Para quem passou a vida em ritmo acelerado, riscando o mapa do Brasil de norte a sul, ou voando de um continente a outro para ultrapassar metas e contornar adversidades, o movimento de tirar o p\u00e9 do acelerador pode n\u00e3o ser t\u00e3o simples. A ansiedade natural de quem sempre viveu a mais de 300 km por hora, demora a achar espa\u00e7o numa cad\u00eancia diferente. Quase tr\u00eas meses depois de deixar a Dire\u00e7\u00e3o Regional de Compras para a Am\u00e9rica do Sul, Paulo Antonio Gomes Granja ainda buscava se ajustar ao novo ritmo. Ter um plano r\u00edgido para praticar atividade f\u00edsica, dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e, vi\u00fava recente, gastar mais tempo com a neta, Maria Vit\u00f3ria, e curtir mais a casa de praia da fam\u00edlia eram as metas para os primeiros tempos. \u201cParticipei at\u00e9 de um curso sobre o per\u00edodo p\u00f3s aposentadoria, mas confesso que n\u00e3o me preparei completamente para esse momento\u201d, reconheceu o executivo, depois de 42 anos e uma longa lista de bons servi\u00e7os prestados \u00e0 Dana.<\/p>\n<p>Granja correu o mundo, mas nunca se afastou completamente da sua Porto Alegre natal, terra de suas maiores refer\u00eancias e melhores lembran\u00e7as. Come\u00e7ou a jornada profissional em 1981, como estagi\u00e1rio de engenharia mec\u00e2nica nos tempos da Albarus, ainda na rua Joaquim Silveira. Onze meses depois estava efetivado como auxiliar t\u00e9cnico da Engenharia de Produto, na \u00e1rea de juntas universais, encarregado de analisar cardans e cruzetas, revisar desenhos e tratar da especifica\u00e7\u00e3o cada produto de acordo com o tipo de aplica\u00e7\u00e3o. Ali surgiu uma oportunidade n\u00e3o s\u00f3 para alavancar sua carreira, como tamb\u00e9m para dar o impulso de uma vida <em>globetrotter<\/em>: participar do desenvolvimento de um produto com voca\u00e7\u00e3o global, a linha de caminh\u00f5es Cargo, da Ford. Por causa do projeto, Granja viajou para a Dana dos Estados Unidos, onde apurou a t\u00e9cnica para equipar ve\u00edculos de 15 a 40 toneladas de PBT para v\u00e1rios tipos de aplica\u00e7\u00e3o. O envolvimento foi tanto que at\u00e9 hoje ele guarda na mem\u00f3ria os cardans referentes ao projeto, de n\u00fameros 1048-091X e 1092X.<\/p>\n<p>Na virada para os anos 1990, a Dana era uma empresa em franca expans\u00e3o. O portf\u00f3lio ganhava novas marcas, f\u00e1bricas eram compradas, outras vendidas. Num movimento paralelo, a ind\u00fastria brasileira buscava sua maturidade t\u00e9cnica atrav\u00e9s de programas de qualidade. Foi nessa \u00e9poca que os famosos CCQ\u2019s, ou C\u00edrculos de Controle de Qualidade ganharam terreno nas linhas de montagem, anunciando uma nova era. Foi ent\u00e3o que surgiu uma nova oportunidade para Granja na supervis\u00e3o da Manufatura nas linhas de ve\u00edculos pesados e terminais, dividindo o tempo entre as plantas de Sorocaba e Gravata\u00ed. Logo ele assumia tamb\u00e9m a opera\u00e7\u00e3o Perfect Circle, que inaugurava um segmento novo para a Dana, com uma divis\u00e3o focada em an\u00e9is de pist\u00e3o e componentes para motor, visando principalmente o mercado de reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como gerente de Engenharia de Produto, o executivo precisou colocar o p\u00e9 na estrada mais uma vez. Viajando com a mulher, Rosa Maria, e os filhos mais velhos, Paulo Augusto e Felipe pelos Estados Unidos, Granja foi em busca de aprender mais sobre a nova aplica\u00e7\u00e3o. Passou pela f\u00e1brica de Richmond, no estado de Indiana, e viveu uma experi\u00eancia \u00fanica na pequena Hastings, um ponto esquecido no estado de Nebraska, por\u00e9m estrat\u00e9gico para as quest\u00f5es b\u00e9licas norte-americanas. Era comum avistar avi\u00f5es B52 sobrevoando a cidade, provavelmente monitorando os muitos silos que guardavam m\u00edsseis e armamentos pesados.<\/p>\n<p>Em 1994, com a exig\u00eancia por qualidade e produtividade ditando um novo ritmo para o setor automotivo, Granja assumiu um dos maiores desafios da carreira: foi nomeado gerente da \u00e1rea de Qualidade da Dana Brasil. Foram anos de intenso trabalho para melhorar os processos industriais e difundir uma nova mentalidade nas equipes. J\u00e1 se aproximando da virada do mil\u00eanio foi convocado pelo ent\u00e3o presidente da Dana, Hugo Ferreira, a preparar as plantas Dana para a certifica\u00e7\u00e3o ISO 9000. Foi uma luta, como o pr\u00f3prio Granja resume: \u201cContratamos a IBM como consultoria e passamos a adotar padr\u00f5es e procedimentos que totalmente novos para n\u00f3s, at\u00e9 \u00e0quela \u00e9poca n\u00e3o t\u00ednhamos por h\u00e1bito documentar as coisas, ent\u00e3o tivemos que aprender tudo\u201d, lembra. O processo envolvia v\u00e1rias plantas e era comum que o aprendizado de uma, fosse exportado para outra, exigindo mudan\u00e7as estruturais de cabe\u00e7as, processos e cultura. \u201cFoi algo espetacular. O envolvimento de todas as \u00e1reas, a integra\u00e7\u00e3o, enfim, foi um esfor\u00e7o e um sucesso coletivos. Ao final de um ano de muito trabalho, entregamos as seis certifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com o lan\u00e7amento global do DQLP (Dana Quality Leadership Process), Granja foi convocado para ser um dos examinadores das plantas Dana pelo mundo. Mais uma volta pelos Estados Unidos, auditando f\u00e1bricas na Pensilv\u00e2nia e no Kentucky, num processo muito mais hol\u00edstico que envolvia al\u00e9m dos aspectos fabris, o gerenciamento financeiro de cada unidade. Em 2003, a empresa conquistou o Pr\u00eamio Nacional de Qualidade, distin\u00e7\u00e3o m\u00e1xima em qualidade, com direito a cerim\u00f4nia de entrega no Pal\u00e1cio dos Bandeirantes em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Depois de reunir tanto conhecimento sobre a opera\u00e7\u00e3o Dana no Brasil e sua intera\u00e7\u00e3o com a marca global, o executivo foi muito solicitado para atuar na compra e venda de f\u00e1bricas em v\u00e1rios estados, incluindo a opera\u00e7\u00e3o em produtos fora-de-estrada, como m\u00e1quinas agr\u00edcolas. Por tr\u00eas anos precisou morar em S\u00e3o Paulo para cuidar pessoalmente da recupera\u00e7\u00e3o e venda de duas f\u00e1bricas, uma no bairro da Lapa e outra no munic\u00edpio de Diadema. Faria a mesma coisa com uma f\u00e1brica na regi\u00e3o de Buenos Aires anos mais tarde.<\/p>\n<p>Retornou para o Rio Grande do Sul em 2004 como Gerente Geral da divis\u00e3o de cardans no Mercosul, em 2007 passou a exercer o cargo de diretor de Opera\u00e7\u00f5es para planta Gravata\u00ed, e em 2010 iniciou uma nova fase que durou quase 14 anos, quando assumiu a Diretoria Regional de Compras para a Am\u00e9rica do Sul, tendo sob sua responsabilidade os ativos de compras diretas e indiretas, o desenvolvimento de fornecedores e a parte comercial e de log\u00edstica internacional, o que exigia viagens frequentes para Argentina, Col\u00f4mbia, Equador e Venezuela.<\/p>\n<p>De tudo que viveu, at\u00e9 encerrar sua jornada na Dana, em abril de 2024, o que mais aproxima o executivo do jovem t\u00edmido que chegou \u00e0 Dana em 1981 \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o para construir relacionamentos. Foi na base de ouvir, respeitar, dialogar e saber compreender que Granja criou pontes, alavancou projetos, engajou movimentos e despertou a simpatia e admira\u00e7\u00e3o por onde passou. \u201cSempre cuidei dessa rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo, n\u00e3o importa se era uma pessoa que se reportava a mim, algu\u00e9m do mesmo n\u00edvel ou superiores. Procurei dar aten\u00e7\u00e3o igual a todos, incluindo a\u00ed os parceiros e fornecedores. O resultado eu pude ver h\u00e1 poucos dias quando postei a minha despedida no LinkedIn, e tive mais de 800 visualiza\u00e7\u00f5es e mais de 200 pessoas que se deram o trabalho de escrever para cumprimentar e agradecer. Isso n\u00e3o tem pre\u00e7o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vida a 300 km\/h: Granja correu o mundo, mas nunca se afastou completamente da sua Porto Alegre natal, terra de suas maiores refer\u00eancias e melhores lembran\u00e7as. 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